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Escândalo no INSS: presidentes de entidades cadastrados no Bolsa Família

Um inquérito da Polícia Federal (PF) de 3 de maio de 2025, revelou uma nova dimensão no escândalo bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A investigação aponta que os próprios dirigentes das associações investigadas eram beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família, Auxílio Brasil e Cadastro Único (CadÚnico), demonstrando um […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 5 min de leitura
Descontos indevidos

Um inquérito da Polícia Federal (PF) de 3 de maio de 2025, revelou uma nova dimensão no escândalo bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A investigação aponta que os próprios dirigentes das associações investigadas eram beneficiários de programas sociais como o Bolsa Família, Auxílio Brasil e Cadastro Único (CadÚnico), demonstrando um possível conflito de capacidades e legitimidade para a gestão de entidades que movimentavam grandes quantias financeiras.

O esquema já é considerado um dos maiores da história previdenciária brasileira, e a nova informação reforça a complexidade da estrutura que desviou recursos de milhões de aposentados e pensionistas, por meio de mensalidades associativas não autorizadas.

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Imagem: Freepik e Canva

As entidades sob investigação

As organizações envolvidas, segundo o relatório da PF, incluem:

  • AAPB – Associação dos Aposentados e Pensionistas Brasileiros
  • ABSP/AAPEN – Associação Brasileira dos Servidores Públicos / Associação dos Aposentados e Pensionistas do Nacional
  • Universo – Associação dos Aposentados e Pensionistas dos Regimes Geral e Próprio da Previdência Social

Essas entidades são acusadas de operar um esquema nacional de filiações fraudulentas, com a cobrança de mensalidades sem autorização dos segurados. O montante total envolvido ultrapassa R$ 6,3 bilhões, desviados entre 2019 e 2024, conforme revelado na Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF e pela Controladoria-Geral da União (CGU).

Quem são os presidentes das associações e o que foi descoberto

A investigação apontou que cinco presidentes dessas entidades estavam cadastrados como beneficiários de programas sociais, o que levanta sérias dúvidas sobre sua capacidade operacional e financeira para liderar entidades com atuação em mais de 4 mil municípios.

Lista de presidentes e vínculos com programas sociais:

Maria Ferreira da Silva

  • Presidente da AAPB desde novembro de 2021;
  • Inscrita no CadÚnico com renda per capita declarada de R$ 1.320.

Maria Liduina Pereira de Oliveira

  • Assumiu a presidência da AAPB em fevereiro de 2022;
  • Recebeu Bolsa Família até outubro de 2015.

Maria Eudenes dos Santos

  • Líder da ABSP/AAPEN desde novembro de 2022;
  • Beneficiária do Bolsa Família até julho de 2021 e do Auxílio Brasil até fevereiro de 2022;
  • Também cadastrada no CadÚnico com renda per capita de R$ 1.320.

Francisca da Silva de Souza

  • Assumiu a ABSP/AAPEN em janeiro de 2024;
  • Recebeu Bolsa Família até outubro de 2015.

Valdira Prado Santana Santos

  • Presidente da Universo desde janeiro de 2021;
  • Cadastrada no CadÚnico, sem mais detalhes divulgados.

A fragilidade na gestão das entidades

concurso Policia-Federal
Reprodução: Seu Crédito Digital/Freepik

A PF apontou que além de vínculos com programas sociais, muitos dos dirigentes:

  • Têm idade avançada;
  • São aposentados por incapacidade permanente;
  • Possuem baixa renda declarada;
  • Não têm histórico de vínculo empregatício formal.

Essas características, segundo o inquérito, são incompatíveis com as exigências operacionais de gerenciar associações com cobertura nacional, que demandam capacidade de articulação, gestão de recursos, comunicação institucional e coordenação de serviços em larga escala.

“Embora não haja impedimentos legais para que pessoas com idade avançada ou sem histórico empregatício assumam essas funções, a estrutura das entidades investigadas exige qualificação gerencial e administrativa que não se verifica nos perfis analisados”, afirma o documento da PF.

Suposta ausência de estrutura operacional

O inquérito revela ainda que as associações possivelmente não possuem estrutura técnica para realizar:

  • Captação ativa de aposentados e pensionistas;
  • Processamento de filiações regulares;
  • Prestação dos serviços prometidos aos associados.

A PF suspeita que essas entidades funcionavam como fachada para justificar descontos mensais nos benefícios do INSS sem autorização ou sequer ciência dos segurados.

Nota oficial da AAPB

Em resposta às denúncias, a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB), uma das mais citadas no relatório, afirmou em nota oficial que:

“Agirá de forma colaborativa com a investigação, sendo sua prioridade que os fatos sejam devidamente esclarecidos, de modo a evidenciar que há anos atua de forma dedicada, abnegada e comprometida em prol de seus associados.”

Ainda segundo a AAPB:

“A associação sempre obedeceu à legalidade, tendo apresentado toda documentação pertinente para a obtenção do Acordo de Cooperação Técnica junto ao INSS e respeitado todo o trâmite burocrático atinente à sua atividade.”

Impactos para aposentados e pensionistas

A investigação revelou que milhões de segurados tiveram descontos mensais de até R$ 60 em seus benefícios, sem terem autorizado ou sequer conhecido as associações em questão.

Os valores eram cobrados sob o título de mensalidade associativa, por meio de acordos de cooperação técnica firmados entre o INSS e essas entidades — acordos que agora estão sendo revistos.

O que o segurado deve fazer:

  • Acessar o site ou app “Meu INSS” e consultar o extrato de pagamento (Histórico de Crédito do Benefício);
  • Identificar qualquer desconto de associação que não tenha autorizado;
  • Solicitar o bloqueio de novos descontos indevidos;
  • Requerer o ressarcimento dos valores cobrados sem consentimento;
  • Denunciar à Ouvidoria do INSS ou ao Ministério Público, caso haja indícios de fraude.

Repercussão e medidas legais

A CGU e a PF já recomendaram o bloqueio cautelar das atividades de diversas associações. Além disso, estão sendo analisadas:

  • A revogação de acordos com o INSS;
  • A devolução de valores aos segurados;
  • A abertura de processos administrativos e criminais contra dirigentes.

Fraudes sistêmicas: um alerta à fiscalização

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Imagem: Freepik e Canva

A descoberta de que dirigentes das entidades estavam inscritos em programas sociais voltados à população em vulnerabilidade levanta questões profundas sobre:

  • A fragilidade dos critérios de habilitação de entidades para operar com o INSS;
  • A falta de auditoria de capacidade técnica e financeira dessas associações;
  • A necessidade de reforma dos mecanismos de convênio com instituições privadas.

Especialistas defendem a implantação de novos critérios de qualificação, com exigência de transparência, prestação de contas e capacidade operacional comprovada.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

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