Seu Crédito Digital
Seu Crédito Digital

Itaú, Bradesco e Santander entram em investigação sobre Americanas

PF amplia a Operação Disclosure e investiga executivos de Itaú, Bradesco e Santander por suposta ligação à fraude contábil das Americanas.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa6 min de leitura
Caixa

A Polícia Federal (PF) ampliou as investigações sobre a fraude contábil que abalou a Americanas e passou a apurar a possível participação de executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander no esquema que ocultou bilhões de reais em dívidas da varejista.

A nova etapa integra a segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada em 25 de junho, e representa um novo capítulo em um dos maiores escândalos corporativos da história do mercado financeiro brasileiro. Agora, além dos antigos dirigentes da companhia, os investigadores buscam esclarecer se representantes de instituições financeiras tinham conhecimento das irregularidades envolvendo operações de risco sacado e se contribuíram para esconder a real situação financeira da empresa.

Leia mais:

Polícia encontra antena Starlink em unidade prisional durante fiscalização

O que é a segunda fase da Operação Disclosure?

Americanas
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

A Operação Disclosure foi criada para investigar a suposta fraude contábil que veio à tona em janeiro de 2023, quando a Americanas informou inconsistências bilionárias em seus balanços financeiros.

Na primeira fase, realizada em 2024, o foco esteve concentrado em ex-diretores e antigos executivos da companhia. Já nesta segunda etapa, a Polícia Federal ampliou o alcance das investigações para verificar se pessoas externas à administração da empresa também participaram ou tinham conhecimento das irregularidades.

Segundo a PF, o objetivo é identificar eventual colaboração de terceiros na manutenção das práticas contábeis consideradas fraudulentas.

Quais executivos passaram a ser investigados?

Entre os alvos da nova fase estão executivos ligados aos três maiores bancos privados do país:

  • José de Castro Araújo Rudge (Itaú);
  • Gustavo Balassiano (Itaú);
  • Carlos Henrique Villela Pedras (Bradesco);
  • Alexandre Abdo (Santander);
  • André Almeida (Santander).

Também figuram entre os investigados nomes ligados à antiga estrutura de comando da Americanas, como:

  • Carlos Alberto Sicupira, um dos acionistas de referência da companhia;
  • Paulo Alberto Lemann, ex-conselheiro e filho de Jorge Paulo Lemann;
  • Eduardo Saggioro, ex-integrante do conselho;
  • Sérgio Rial, ex-presidente do Santander e ex-CEO da Americanas.

É importante destacar que a investigação ainda está em andamento. A inclusão dessas pessoas como alvos não representa condenação nem comprovação de responsabilidade criminal.

O que a PF investiga?

As apurações se concentram principalmente em duas frentes.

Operações de risco sacado

O principal eixo da investigação envolve as operações conhecidas como risco sacado.

Trata-se de uma modalidade de crédito bastante utilizada por grandes empresas, na qual uma instituição financeira antecipa o pagamento aos fornecedores, enquanto a empresa quita posteriormente o valor junto ao banco.

Essa prática é considerada legítima pelo mercado quando registrada corretamente.

Segundo a Polícia Federal, porém, há indícios de que essas operações tenham sido contabilizadas de forma inadequada, fazendo com que parte das dívidas deixasse de aparecer nos balanços financeiros da Americanas. Isso teria reduzido artificialmente a percepção do endividamento da empresa.

Verbas de propaganda cooperada (VPC)

Outro foco envolve as chamadas verbas de propaganda cooperada (VPC).

De acordo com a investigação, parte desses registros teria sido sustentada por contratos sem efetivo respaldo econômico, contribuindo para elevar artificialmente os resultados financeiros apresentados ao mercado.

Como surgiram as suspeitas contra os bancos?

A nova fase foi impulsionada por provas reunidas desde 2024, incluindo documentos, mensagens e a colaboração premiada do ex-diretor financeiro da Americanas, Fábio Abrate.

Em seu depoimento ao Ministério Público Federal, ele afirmou que determinadas informações relacionadas às operações de risco sacado eram retiradas de documentos utilizados nas auditorias da companhia.

Investigações anteriores da PF já apontavam que funcionários de instituições financeiras teriam sido pressionados para alterar cartas de circularização — documentos enviados às empresas de auditoria para confirmar operações financeiras registradas pelas companhias.

A Polícia Federal agora busca esclarecer se houve participação consciente de representantes das instituições financeiras ou se eventuais alterações ocorreram sem conhecimento dos bancos.

Mandados e bloqueio bilionário de bens

Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Além disso, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou o sequestro de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.

Segundo a decisão judicial, o montante corresponde à estimativa dos prejuízos relacionados às supostas fraudes identificadas durante as investigações técnicas conduzidas pela Polícia Federal.

O que dizem os bancos?

Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.

+311 mil seguidores

Seguir no Google

As instituições financeiras negam qualquer participação em irregularidades.

Em manifestações anteriores relacionadas ao caso, Itaú e Santander afirmaram que sempre prestaram corretamente as informações às auditorias e aos órgãos reguladores, sustentando que também foram vítimas da fraude.

Até o momento, não há decisão judicial que reconheça responsabilidade criminal dos bancos ou de seus executivos investigados.

Posicionamento da Americanas

Em nota oficial, a Americanas informou que não foi alvo dos mandados de busca e apreensão realizados nesta fase da operação.

A empresa afirmou que continuará colaborando com as autoridades e declarou ser a principal interessada no esclarecimento dos fatos relacionados à fraude contábil descoberta em 2023.

Entenda a origem do escândalo das Americanas

A crise teve início em janeiro de 2023, quando a companhia revelou inconsistências contábeis inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões.

Posteriormente, as investigações identificaram um esquema muito mais amplo, envolvendo manipulação de registros financeiros durante vários anos. O caso levou a empresa a ingressar em recuperação judicial e desencadeou investigações conduzidas pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O episódio é considerado um dos maiores escândalos corporativos da história recente do Brasil, com impactos sobre investidores, credores, fornecedores e o mercado financeiro.

O que acontece agora?

Americanas
Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Com a ampliação da Operação Disclosure, a investigação entra em uma nova etapa, voltada a identificar se agentes externos à administração da Americanas tiveram participação na manutenção das supostas fraudes.

Os materiais apreendidos durante as buscas, somados aos depoimentos e às provas já reunidas, deverão subsidiar novas análises da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Caso sejam encontrados indícios suficientes, poderão ocorrer novas denúncias criminais ou o arquivamento das investigações em relação aos investigados, conforme o andamento do processo e a avaliação das autoridades competentes.

Conclusão

A ampliação da investigação da Polícia Federal marca um novo momento no caso Americanas ao incluir a apuração sobre a possível participação de executivos de grandes instituições financeiras. Embora os investigados neguem qualquer irregularidade e ainda não haja condenações, a nova fase da Operação Disclosure reforça a importância da transparência nas demonstrações financeiras e da fiscalização do mercado. O desfecho das investigações poderá trazer impactos relevantes para a governança corporativa, o setor bancário e a confiança de investidores no mercado brasileiro.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Melissa Barbosa

Autor

Melissa Barbosa

Melissa Barbosa é Redatora SEO e Designer no portal Seu Crédito Digital. Estudante de Jornalismo, possui sólida experiência em Marketing de Conteúdo, com foco em estratégias de SEO, comunicação digital e identidade visual. Apaixonada pelo universo da informação e da criatividade, une técnica e sensibilidade para transformar dados e tendências em conteúdos relevantes, que ajudam o público a entender melhor o cenário econômico, os benefícios sociais e os serviços digitais que impactam o dia a dia do brasileiro.

Topicos relacionados