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Golpe da biometria: PF descobre esquema milionário contra a Caixa!

A PF realizou a Operação Biometria Fake e desarticulou uma quadrilha que aplicava golpes contra a Caixa com fraudes em cadastros faciais.

Bruna MachadoPor Bruna Machado7 min de leitura
biometria falsa caixa

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (8) a Operação Biometria Fake, com o objetivo de desarticular uma quadrilha especializada em fraudes contra a Caixa Econômica Federal por meio de cadastros faciais falsos.

A investigação revelou um esquema criminoso que utilizava a biometria facial de clientes para realizar saques e transferências indevidas, principalmente por meio do aplicativo Caixa Tem.

As ações ocorreram na Baixada Fluminense, no estado do Rio de Janeiro, e tiveram como foco principal Duque de Caxias, onde foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados a duas investigadas apontadas como participantes ativas da organização criminosa.

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Início da investigação e alerta da Caixa Econômica

caixa pis pasep
Imagem: Canva

As investigações começaram em 2024, após uma notícia-crime apresentada pela Caixa Econômica Federal à Polícia Federal. O banco detectou atividades suspeitas em cadastros biométricos e saques realizados em nome de clientes sem autorização, levantando suspeitas de fraude de identidade.

De acordo com a instituição financeira, uma mulher teria usado a identidade de uma correntista legítima para realizar um cadastro facial falso e, em seguida, efetuar saques indevidos da conta da vítima.

Com base nas informações enviadas pela Caixa, a PF iniciou a análise de dados e descobriu um padrão de atuação que indicava uma quadrilha estruturada, com funções bem definidas entre seus integrantes — desde os responsáveis pela coleta de dados até aqueles que realizavam as transações financeiras fraudulentas.


Detalhes da Operação Biometria Fake

A operação foi coordenada pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz) e contou com o apoio de peritos e analistas em tecnologia da informação.

Durante as buscas realizadas em Duque de Caxias, os agentes da PF apreenderam o celular da principal investigada, além de documentos falsos e um cartão bancário em nome de outra pessoa. O material será periciado para identificar outros integrantes do grupo e rastrear possíveis vítimas.

A operação também obteve autorização judicial para quebra de sigilo telemático, permitindo o acesso a mensagens, registros de transações e comunicações eletrônicas das investigadas.

Essas informações poderão revelar a extensão da rede criminosa e se há envolvimento de funcionários terceirizados ou intermediários que facilitavam o acesso a dados de correntistas da Caixa.


O que é a fraude de biometria facial

A fraude de biometria facial consiste em enganar sistemas de autenticação digital que utilizam o rosto do usuário como forma de identificação.

Com o avanço da tecnologia bancária, cada vez mais instituições utilizam o reconhecimento facial para liberar operações, como saques, transferências e abertura de contas.

No entanto, criminosos têm explorado vulnerabilidades desse sistema utilizando:

  • Fotos, vídeos ou imagens editadas para se passar por outra pessoa;
  • Deepfakes, que recriam o rosto e os movimentos da vítima com inteligência artificial;
  • Cópias de documentos falsificados, para enganar as etapas de verificação de identidade.

No caso investigado pela PF, as suspeitas usavam fotos obtidas ilegalmente de clientes e criavam cadastros falsos no aplicativo da Caixa, conseguindo acessar valores de benefícios sociais e contas bancárias.


Golpes ligados ao aplicativo Caixa Tem

O aplicativo Caixa Tem, utilizado por milhões de brasileiros para movimentar benefícios sociais como o Bolsa Família, FGTS e Auxílio Gás, tem sido alvo recorrente de fraudes biométricas e tentativas de invasão.

Nos últimos anos, a Caixa e a PF vêm intensificando o combate a esses crimes, que exploram brechas tecnológicas e falta de atenção do usuário.

Entre os golpes mais comuns estão:

  • Cadastro falso com dados de terceiros;
  • Alteração de senha e bloqueio de conta legítima;
  • Solicitação de saque via biometria facial falsificada;
  • Transferência de valores para contas de “laranjas”.

A Operação Biometria Fake é uma das respostas mais recentes a esse tipo de crime, e deve servir de modelo para futuras investigações de fraudes digitais em plataformas bancárias.


As suspeitas e os crimes investigados

Segundo a Polícia Federal, uma das investigadas já possui condenações anteriores por organização criminosa e estelionato, o que reforça a suspeita de que o grupo já atuava há anos em esquemas semelhantes.

As duas mulheres investigadas poderão responder pelos seguintes crimes:

  • Associação criminosa (art. 288 do Código Penal) – pena de até 3 anos de prisão;
  • Estelionato (art. 171) – pena de até 5 anos;
  • Furto mediante fraude (art. 155, §4º, II) – pena de até 8 anos;
  • Falsificação de documentos públicos (art. 297) – pena de até 6 anos.

Se condenadas por todos os crimes, as penas podem ultrapassar 15 anos de prisão, além de multa e bloqueio de bens.


O papel da perícia digital e da cooperação institucional

A operação reforça a importância da perícia digital no combate a crimes cibernéticos.

Os peritos da PF deverão analisar o conteúdo dos celulares e documentos apreendidos para identificar rastros eletrônicos, transações bancárias suspeitas e ligações entre os investigados e terceiros.

O caso também evidencia a crescente cooperação entre bancos e forças de segurança, essencial para detectar rapidamente padrões de fraude.

A Caixa Econômica Federal, por exemplo, mantém uma equipe especializada em inteligência antifraude, que utiliza monitoramento em tempo real e cruzamento de dados biométricos para identificar tentativas suspeitas de acesso.


Golpes digitais e a necessidade de atualização constante

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Imagem: rafapress / Shutterstock.com

Nos últimos anos, o Brasil tem registrado um crescimento expressivo de golpes digitais, com destaque para crimes relacionados à biometria facial e documentos falsos.

Especialistas alertam que o avanço de tecnologias como deepfake e reconhecimento facial em tempo real traz desafios inéditos para a segurança digital.

De acordo com um levantamento da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), mais de 37% das tentativas de fraude bancária em 2024 envolveram o uso de dados biométricos manipulados.

A recomendação é que os bancos mantenham atualização constante dos sistemas, com camadas múltiplas de autenticação, incluindo confirmação por e-mail, senha dinâmica e tokens físicos ou virtuais.


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Como se proteger de fraudes biométricas

Embora a operação da PF tenha como alvo criminosos organizados, os consumidores também devem adotar práticas de segurança pessoal para evitar o uso indevido de seus dados.

Entre as principais recomendações estão:

1. Não compartilhar fotos e documentos em redes sociais

Criminosos utilizam imagens públicas para criar perfis falsos e simular cadastros em bancos e aplicativos.

2. Manter aplicativos e sistemas operacionais atualizados

Atualizações corrigem falhas de segurança exploradas em golpes digitais.

3. Ativar autenticação em duas etapas

O duplo fator de autenticação é uma das formas mais eficazes de impedir acessos não autorizados.

4. Desconfiar de mensagens e links suspeitos

Golpistas frequentemente usam phishing para roubar credenciais de acesso e informações pessoais.

5. Monitorar extratos e movimentações

Ao menor sinal de atividade suspeita, o usuário deve bloquear a conta e comunicar imediatamente o banco.


A importância do combate integrado às fraudes digitais

Fraudes contra a Caixa Econômica
Imagem: rafastockbr / Shutterstock.com

A Operação Biometria Fake reforça o compromisso da Polícia Federal em combater crimes digitais que afetam diretamente a população brasileira.

Com a popularização dos aplicativos bancários e de benefícios sociais, a atuação de quadrilhas especializadas se tornou mais sofisticada e difícil de rastrear.

Segundo especialistas em cibersegurança, é fundamental que haja uma integração entre bancos, operadoras de telefonia, o Banco Central e órgãos policiais, para que fraudes como as da Baixada Fluminense sejam detectadas rapidamente e punidas com rigor.


Considerações finais

A deflagração da Operação Biometria Fake é um marco no enfrentamento às fraudes digitais baseadas em reconhecimento facial no Brasil. O caso revela o crescimento de crimes cibernéticos ligados à Caixa Econômica Federal e destaca a necessidade de fortalecer a segurança digital tanto em instituições quanto entre os próprios usuários.

A ação da PF demonstra que, apesar do avanço das tecnologias biométricas, a criminalidade também evolui, exigindo vigilância constante, investigação técnica e cooperação entre órgãos públicos e privados.

Enquanto o caso segue sob investigação, o recado é claro: fraudes digitais serão rastreadas, desmanteladas e punidas com rigor, reforçando a confiança na segurança dos serviços financeiros digitais.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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