O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil pode surpreender positivamente no segundo trimestre de 2025.
JP Morgan prevê crescimento maior do PIB brasileiro no segundo trimestre
JP Morgan eleva projeção do PIB brasileiro no 2º trimestre de 2025 para 2,2%, citando dados sólidos do consumo, crédito e indústria.
De acordo com nova análise do banco norte-americano JP Morgan, a economia brasileira demonstrou sinais de resiliência, levando a instituição a revisar sua projeção de crescimento trimestral de 1,5% para 2,2%.
A revisão ocorre após a divulgação, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de que o PIB cresceu 1,4% no primeiro trimestre do ano.
O desempenho acima do esperado reforça a perspectiva de um segundo trimestre ainda mais robusto, sustentado por dados favoráveis do mercado de trabalho, consumo e produção industrial.
A seguir, uma análise detalhada do cenário traçado pelo JP Morgan e de como os principais indicadores influenciam a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2025.
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Análise do desempenho econômico recente

Crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2025
O avanço de 1,4% do PIB no primeiro trimestre surpreendeu o mercado, principalmente por refletir uma recuperação consistente do consumo das famílias e o bom desempenho da agropecuária.
De acordo com o IBGE, o crescimento foi puxado principalmente pela colheita de soja e pela recuperação do setor de serviços. Além disso, a taxa de poupança das famílias aumentou, indicando espaço para continuidade do consumo, mesmo diante de incertezas sobre o mercado de trabalho.
Ajuste nas previsões do JP Morgan
Diante desse cenário, os economistas do JP Morgan, Vinicius Moreira e Cassiana Fernandez, revisaram para cima a projeção do PIB do segundo trimestre. A expectativa atual é que o crescimento atinja 2,2%, sustentado por:
- Crescimento dos novos empréstimos em abril
- Indicadores de confiança elevados em maio
- Aumento da produção industrial acima da média
A produção industrial, que cresceu 1,2% em março, deve apresentar nova alta de 0,3% em abril, segundo estimativa da instituição. Essa sequência positiva colocaria o setor em ritmo de crescimento superior a 4% no segundo trimestre — bem acima dos 0,6% registrados nos três primeiros meses do ano.
Fatores que sustentam o otimismo para o 2º trimestre
Fortalecimento do mercado de trabalho
O mercado de trabalho brasileiro permanece resiliente. Os dados de abril mostram estabilidade na taxa de desemprego e crescimento contínuo da formalização, o que aumenta a renda disponível da população.
Esse fortalecimento tem efeitos diretos sobre o consumo, que já apresentou recuperação de 4,2% no primeiro trimestre.
Poupança elevada como amortecedor
A taxa de poupança das famílias continua elevada, segundo o JP Morgan, permanecendo próxima dos níveis máximos registrados fora do período da pandemia.
Isso significa que, mesmo em um cenário de desaceleração futura ou leve enfraquecimento do mercado de trabalho, o consumo poderá ser sustentado por uma reserva acumulada.
Expansão do crédito e novos empréstimos
Outro ponto destacado pelos economistas é o aumento da concessão de crédito em abril. Com mais recursos disponíveis para consumo e investimento, famílias e empresas podem manter o ritmo de atividade econômica.
Apesar de o ambiente de juros altos ainda impor limitações, a ampliação de linhas de crédito — especialmente para consumo — contribui para a expansão da demanda interna.
Desafios no horizonte: o que esperar do segundo semestre
Projeção de desaceleração da economia
Apesar da revisão otimista para o segundo trimestre, o JP Morgan mantém sua expectativa de desaceleração significativa da economia brasileira na segunda metade de 2025.
A instituição projeta que o PIB cresça, em média, 0,5% por trimestre no segundo semestre, encerrando o ano com expansão de 2,3%. Segundo Moreira e Fernandez, os principais fatores de moderação são:
- Efeitos defasados do aperto monetário
- Piora nos critérios de concessão de crédito
- Impulso fiscal negativo nos próximos meses
Esses elementos devem reduzir o ritmo de crescimento do consumo e dos investimentos até o fim do ano.
Aperto monetário ainda em vigor
A taxa básica de juros (Selic) permanece em patamar elevado — atualmente em 14,75% ao ano — o que restringe novas concessões de crédito e encarece o financiamento de longo prazo.
Além disso, o JP Morgan observa que os critérios para aprovação de novos empréstimos vêm se tornando mais rigorosos, impactando principalmente o setor produtivo e pequenas empresas.
Como os setores da economia devem se comportar
Setor industrial em alta
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A indústria brasileira, que teve desempenho morno em 2024, dá sinais de recuperação neste início de ano. Com expectativa de crescimento acima de 4% no segundo trimestre, o setor deve ser um dos motores do avanço do PIB no período.
A expansão é atribuída, entre outros fatores, à recomposição de estoques, aumento da demanda interna e melhora nas exportações de bens manufaturados.
Consumo das famílias
O consumo voltou a crescer em 2025, especialmente entre os meses de março e abril. Com inflação sob controle e o mercado de trabalho mais estável, os brasileiros voltaram a gastar, mesmo que com cautela.
Esse comportamento pode ser sustentado no curto prazo pela alta taxa de poupança e pela expansão do crédito ao consumidor.
Serviços mantêm protagonismo
O setor de serviços continua sendo o maior contribuinte para o PIB, e a expectativa é que mantenha sua força no segundo trimestre. As áreas de transporte, turismo e serviços prestados às famílias seguem em recuperação, impulsionadas pelo avanço da vacinação e melhora nas condições sanitárias em algumas regiões.
Projeções até o fim de 2025

Expectativa para o crescimento anual
Com a revisão para cima no segundo trimestre, o JP Morgan manteve a projeção de crescimento do PIB em 2,3% para o fechamento de 2025.
Essa estimativa está alinhada à do Ministério da Fazenda, que projeta expansão de 2,4%, e um pouco acima da previsão do Banco Central, de 1,9%.
Condições que podem mudar o cenário
As previsões atuais podem ser alteradas por fatores internos e externos, como:
- Reformas econômicas estruturais
- Ajuste fiscal mais agressivo
- Oscilações no cenário internacional (comércio global, juros nos EUA, guerra comercial)
- Clima e safras agrícolas no segundo semestre
Conclusão
O desempenho da economia brasileira no segundo trimestre de 2025 tende a surpreender positivamente, segundo análise do JP Morgan. Com mercado de trabalho aquecido, aumento do crédito e crescimento da produção industrial, o PIB pode avançar até 2,2% no período.
Apesar desse otimismo de curto prazo, a instituição mantém cautela para o segundo semestre, prevendo uma desaceleração causada por juros altos e menor impulso fiscal.
A expectativa é de um crescimento sólido, mas não sustentável sem reformas estruturais que melhorem o ambiente de negócios e aumentem a produtividade da economia.
Com os dados ainda a serem confirmados, o Brasil segue navegando entre a resiliência no curto prazo e os desafios de manter o ritmo no médio e longo prazo.
