O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,4% nos três primeiros meses de 2025 em relação ao último trimestre de 2024, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (30). O desempenho reforça uma tendência positiva da economia, que já havia mostrado leve alta anteriormente.
Economia brasileira: PIB e emprego em alta, mas contas públicas preocupam
PIB e emprego sobem, mas aumento dos gastos do governo preocupa o mercado e cenário econômico. Entenda.
Outro dado que chama atenção é o aumento da renda média do brasileiro, que atingiu o maior nível já registrado: R$ 3.057 mensais em 2024.
Apesar dos números animadores, economistas alertam para os riscos associados ao crescimento impulsionado pelos altos gastos do governo federal.
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Crescimento puxado por gasto público levanta dúvidas

Especialistas vêm destacando que o avanço da atividade econômica está fortemente associado ao volume de recursos públicos injetados na economia. Segundo analistas, isso coloca em xeque a sustentabilidade das contas do governo.
Embora o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva busque manter o ritmo de crescimento, a arrecadação federal não acompanha o mesmo ritmo das despesas. Essa situação coloca em risco o cumprimento das metas previstas no novo arcabouço fiscal, que visa garantir o equilíbrio das contas.
Quando os gastos saem do controle, o mercado financeiro reage com desconfiança. O temor é que o Brasil perca a capacidade de honrar seus compromissos, o que pode resultar na elevação dos juros e na retração do crédito.
Riscos: inflação e juros altos ameaçam estabilidade
O excesso de gastos públicos pode gerar superaquecimento na demanda, pressionando os preços e elevando a inflação. Apesar de o índice inflacionário de maio ter sido o menor para o mês desde 2020, o ano de 2024 terminou com a inflação acima do teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
Outro reflexo negativo é o impacto sobre a taxa básica de juros, atualmente em 14,75% — a maior em duas décadas e uma das mais altas do mundo. Juros elevados dificultam o acesso ao crédito, travam investimentos e reduzem o consumo, comprometendo a expansão sustentada da economia.
Governo tenta equilibrar contas com cortes e aumento de impostos
Diante da pressão para manter o déficit zero em 2025, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou um bloqueio de R$ 31 bilhões no Orçamento da União. Do total, R$ 7 bilhões correspondem a emendas parlamentares, enquanto os outros R$ 24 bilhões serão cortados de forma equitativa entre os ministérios.
Além disso, Haddad apresentou uma medida para elevar a arrecadação: o aumento nas alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). De acordo com estimativas do governo, a mudança deve gerar um reforço de R$ 20 bilhões aos cofres públicos em 2025.
Congresso resiste à alta do IOF e cobra soluções estruturais

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A proposta de elevação do IOF, no entanto, encontrou resistência entre parlamentares. Em reunião com o ministro da Fazenda, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pediram alternativas que não incluam aumento de impostos.
Segundo os líderes do Congresso, o foco deve ser em soluções estruturais, como a redução de gastos considerados supérfluos e a revisão de subsídios. “Haddad disse que explicou alta do IOF para Motta e Alcolumbre”, conforme divulgado pelo Ministério da Fazenda.
Apesar de concordar com a necessidade de ajustes estruturais, o ministro alertou que, sem a elevação do IOF, o governo poderá enfrentar dificuldades para manter as políticas públicas previstas até o fim de 2025.
O desafio de crescer sem comprometer a saúde fiscal
O dilema do governo é claro: como manter o crescimento econômico e, ao mesmo tempo, garantir a sustentabilidade das contas públicas? O desempenho positivo do PIB e do mercado de trabalho é bem-vindo, mas, sem responsabilidade fiscal, os avanços podem ser temporários.
O cenário exige cautela. Medidas de curto prazo que estimulam a economia podem, a longo prazo, gerar desequilíbrios graves. O foco do governo, portanto, precisa ser o de construir um ambiente de confiança, com previsibilidade e compromisso com as regras fiscais.
Com informações de: G1
