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Possível ampliação do PIS reacende expectativa entre informais

Debate sobre ampliar o PIS para informais e MEIs cresce no Brasil e pode impactar milhões de trabalhadores nos próximos anos.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
pis

A possibilidade de ampliar o abono salarial do PIS/Pasep para trabalhadores informais voltou ao centro das discussões sobre inclusão social e proteção de renda no Brasil.

Embora ainda não exista um projeto oficial em tramitação no Congresso Nacional, economistas, especialistas em políticas públicas e entidades sindicais passaram a debater modelos que poderiam incluir autônomos, trabalhadores por conta própria e microempreendedores individuais (MEIs) em benefícios semelhantes ao atual abono salarial.

Hoje, o pagamento do PIS/Pasep é destinado exclusivamente a trabalhadores formais da iniciativa privada e servidores públicos que atendem critérios específicos definidos pelo governo federal.

No entanto, o avanço da informalidade e o crescimento do trabalho autônomo reacenderam o debate sobre a necessidade de adaptação das políticas trabalhistas brasileiras à nova realidade do mercado.

Segundo dados recentes do IBGE, o Brasil possui dezenas de milhões de trabalhadores informais, muitos deles sem acesso a direitos como seguro-desemprego, FGTS e abono salarial.

Leia mais:

Caixa e Banco do Brasil pagam PIS/Pasep; veja valores

Quem tem direito ao PIS atualmente

Atualmente, o abono salarial possui regras bastante específicas.

Para receber o benefício, o trabalhador precisa:

  • Estar inscrito no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos
  • Ter trabalhado formalmente por no mínimo 30 dias no ano-base
  • Receber média salarial de até dois salários mínimos
  • Ter dados corretamente informados na Rais ou no eSocial

O benefício é pago anualmente pela:

O valor varia conforme o número de meses trabalhados durante o ano-base.

Mudanças recentes já reduziram alcance do benefício

O debate sobre ampliação do PIS ocorre justamente em um momento de transição nas regras do programa.

Após mudanças aprovadas nos últimos anos, o teto de renda para acesso ao abono salarial começou um processo gradual de redução.

A tendência prevista atualmente é que o limite:

  • Passe dos atuais dois salários mínimos
  • Para cerca de 1,5 salário mínimo até 2035

Além disso, a correção passará a acompanhar apenas a inflação, sem crescimento real vinculado ao aumento do salário mínimo.

Especialistas avaliam que essa mudança poderá reduzir progressivamente o número de trabalhadores elegíveis ao benefício tradicional.

Por que a discussão sobre informais cresceu

O mercado de trabalho brasileiro mudou significativamente na última década.

O crescimento de atividades como:

  • Entregas por aplicativo
  • Trabalho autônomo
  • Prestação de serviços digitais
  • Pequenos negócios individuais
  • Economia informal

fez crescer o número de trabalhadores sem carteira assinada.

Segundo dados da PNAD Contínua do IBGE, o Brasil possui cerca de:

  • 39 milhões de trabalhadores na informalidade
  • Mais de 25 milhões de pessoas trabalhando por conta própria

Para muitos especialistas, o atual modelo de proteção trabalhista deixou de contemplar uma parcela importante da população economicamente ativa.

Como funcionaria um PIS para informais

Embora ainda não exista proposta oficial, os debates acadêmicos costumam girar em torno de alguns modelos teóricos.

Contribuição simplificada para autônomos

Uma das ideias discutidas envolve a criação de um sistema de contribuição reduzida para trabalhadores informais e MEIs.

Nesse modelo, o trabalhador faria pequenos pagamentos periódicos e, após determinado período de carência, teria acesso ao benefício anual.

Incentivo à formalização

Outra hipótese seria utilizar o abono como estímulo à regularização profissional.

Nesse caso, trabalhadores que passassem a contribuir formalmente poderiam receber benefícios futuros como forma de incentivo.

Principais desafios para ampliar o benefício

Apesar do potencial social, especialistas alertam que existem obstáculos importantes.

O maior deles é o financiamento.

Hoje, o abono salarial é pago com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), abastecido principalmente por contribuições das empresas sobre a folha salarial.

Para incluir milhões de trabalhadores informais, seria necessário:

  • Criar nova fonte de arrecadação
  • Redefinir regras de custeio
  • Ampliar fiscalização
  • Desenvolver sistemas de controle

Governo teria dificuldade para comprovar renda

Outro desafio importante envolve a identificação correta dos beneficiários.

Diferentemente do trabalhador formal, o informal muitas vezes não possui:

  • Holerite
  • Registro em carteira
  • Comprovação estável de renda
  • Controle oficial da atividade

Isso poderia aumentar riscos de:

  • Fraudes
  • Informações inconsistentes
  • Pagamentos indevidos

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Especialistas afirmam que seria necessário integrar bases de dados como:

Impacto social poderia ser enorme

Apesar das dificuldades, economistas avaliam que uma política desse tipo teria forte impacto social.

Para trabalhadores sem acesso a direitos tradicionais, um pagamento anual poderia ajudar em despesas básicas como:

  • Alimentação
  • Aluguel
  • Saúde
  • Transporte
  • Quitação de dívidas

Além disso, a medida poderia estimular o consumo e movimentar economias locais.

MEIs aparecem no centro do debate

Os microempreendedores individuais surgem frequentemente como um dos grupos mais citados nas discussões.

Isso porque o MEI já possui:

  • Cadastro formal
  • Contribuição simplificada
  • Integração com sistemas federais

Atualmente, milhões de brasileiros atuam como MEI em áreas como:

  • Alimentação
  • Transporte
  • Beleza
  • Comércio
  • Tecnologia
  • Prestação de serviços

Especialistas consideram que esse grupo poderia ser um dos mais fáceis de integrar em eventuais mudanças futuras.

Não existe projeto oficial em tramitação

Apesar da repercussão do tema, não há atualmente proposta formal aprovada ou em fase avançada no Congresso Nacional para criar um “PIS dos informais”.

No momento, a discussão permanece:

  • Em estudos acadêmicos
  • Em debates sindicais
  • Em análises econômicas
  • Em propostas teóricas sobre inclusão social

Qualquer mudança dependeria de:

  • Aprovação legislativa
  • Definição de fonte de recursos
  • Ajustes fiscais
  • Regulamentação federal

Debate deve continuar nos próximos anos

Especialistas acreditam que a discussão tende a crescer conforme o mercado de trabalho brasileiro se transforma.

Com o avanço da informalidade e da economia digital, aumenta a pressão por modelos de proteção social mais adaptados à nova realidade profissional.

Ao mesmo tempo, o desafio fiscal do país continua sendo um dos principais obstáculos para expansão de benefícios públicos.

Por isso, qualquer mudança envolvendo o PIS/Pasep deverá passar por um amplo debate sobre sustentabilidade financeira, inclusão social e modernização das políticas trabalhistas brasileiras.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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