A partir de 2026, o Abono Salarial PIS/Pasep passará por uma das mudanças mais significativas desde sua criação. O benefício, que tradicionalmente funciona como um complemento de renda para trabalhadores de baixa remuneração, terá o critério de renda alterado, reduzindo gradativamente o número de pessoas com direito ao pagamento.
PIS/Pasep 2026: veja quem recebe a partir de 15 de fevereiro
Entenda a nova regra do PIS/Pasep em 2026, quem perde o direito ao abono salarial, valores, calendário e impactos do pacote fiscal.
A mudança foi aprovada dentro do pacote fiscal de 2024 e tem como objetivo principal conter gastos públicos e manter o programa focado exclusivamente nos trabalhadores de menor renda. Na prática, a alteração afeta milhões de brasileiros, tanto da iniciativa privada quanto do serviço público, e deve gerar economia bilionária aos cofres públicos nos próximos anos.
Leia mais:
INSS bloqueou seu pagamento? veja os motivos mais comuns e como desbloquear
O que é o Abono Salarial PIS/Pasep
O Abono Salarial é um benefício anual pago a trabalhadores que atendem a critérios específicos de renda e tempo de serviço. Ele funciona como uma espécie de 14º salário proporcional, podendo chegar ao valor de até um salário mínimo vigente no ano do pagamento.
Diferença entre PIS e Pasep
Apesar de frequentemente citados juntos, PIS e Pasep atendem públicos diferentes:
- O PIS (Programa de Integração Social) é destinado aos trabalhadores da iniciativa privada e pago pela Caixa Econômica Federal
- O Pasep (Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) atende servidores públicos, com pagamentos realizados pelo Banco do Brasil
As regras de acesso, valores e calendário são os mesmos para ambos, mudando apenas o agente pagador.
Como funciona a regra atual do abono salarial
Até o pagamento referente ao calendário de 2025, têm direito ao abono salarial os trabalhadores que receberam, em média, até dois salários mínimos mensais no ano-base de referência, que normalmente é dois anos anterior ao pagamento.
Na prática, isso significa que:
- Para o pagamento realizado em 2025, foi considerado o ano-base de 2023
- Em 2023, o salário mínimo era de R$ 1.320
- Dois salários mínimos correspondiam a R$ 2.640
- Como a regra considera a média mensal, o limite efetivo ficou em R$ 2.604
Todos os trabalhadores que receberam até esse valor médio mensal e cumpriram os demais requisitos tiveram direito ao benefício.
Pagamentos do PIS/Pasep em 2026 começam em fevereiro
Mesmo com a mudança de regra, o calendário de pagamentos do abono salarial de 2026 já tem data definida. Os depósitos começam a ser feitos a partir de 15 de fevereiro de 2026, seguindo o cronograma escalonado conforme o mês de nascimento do trabalhador no caso do PIS, ou o número final da inscrição no Pasep.
O valor do benefício continuará sendo proporcional ao número de meses trabalhados no ano-base, podendo variar de um a doze avos do salário mínimo vigente no ano do pagamento.
O que muda no PIS/Pasep a partir de 2026
A grande mudança está no critério de renda para ter direito ao benefício. A partir de 2026, o limite de dois salários mínimos deixa de existir como referência automática.
Novo critério de renda será corrigido apenas pelo INPC
Com a nova regra, o teto de renda para receber o abono salarial passará a ser corrigido exclusivamente pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) do ano-base considerado.
Na prática, isso significa que:
- O limite não acompanhará mais o crescimento do salário mínimo
- A correção será apenas inflacionária
- O teto de renda crescerá em ritmo mais lento do que os salários
Essa mudança rompe com o modelo anterior, no qual o reajuste do salário mínimo elevava automaticamente o limite de renda do PIS/Pasep.
Por que o governo decidiu mudar a regra
A alteração faz parte do pacote fiscal aprovado em 2024, com foco na redução de despesas obrigatórias. O abono salarial representa um custo elevado para o orçamento público, especialmente em períodos de crescimento do salário mínimo acima da inflação.
Ao desvincular o benefício do salário mínimo, o governo busca manter o programa mais restrito, garantindo que ele seja direcionado apenas aos trabalhadores de renda mais baixa.
Redução no número de beneficiários será gradual
A expectativa é que a mudança não cause um corte imediato e abrupto, mas sim uma redução progressiva no número de trabalhadores aptos a receber o benefício.
Segundo a advogada Mayra Saitta, especialista em Direito Empresarial e Contabilidade, a projeção é de:
- Economia de 30% a 40% já no primeiro ano da nova regra
- Redução de até 50% dos gastos em um prazo de dois anos
Esse movimento ocorre porque, enquanto o salário mínimo continuará sendo reajustado pelo INPC somado ao crescimento do PIB, limitado a 2,5%, o teto do PIS/Pasep ficará estagnado em comparação.
Distanciamento entre salário mínimo e teto do PIS/Pasep
Outro ponto destacado por especialistas é que o salário mínimo seguirá uma política de valorização que combina inflação e crescimento econômico, enquanto o teto do abono salarial ficará restrito apenas à inflação.
Impacto direto no perfil dos beneficiários
Com essa dinâmica, o número de trabalhadores que ultrapassará o teto de renda aumentará ano após ano, mesmo sem ganhos reais expressivos.
A projeção é que, em alguns anos, o limite para receber o abono salarial fique em torno de um salário mínimo e meio de renda média mensal, bem abaixo do patamar atual de dois salários mínimos.
Números do PIS/Pasep mostram alcance do benefício
Os dados mais recentes reforçam a importância do abono salarial como política de transferência de renda.
No calendário de pagamento de 2025:
- Foram identificados 26.470.177 trabalhadores com direito ao benefício
- Até o momento, 26.317.733 trabalhadores receberam o pagamento
- O valor total pago chegou a R$ 30,6 bilhões
- A taxa de cobertura foi de 99,42%
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Esses números mostram que o programa tem alta eficiência operacional, mas também um peso significativo no orçamento público, o que explica o foco do governo em revisá-lo.
Quem tem direito ao PIS/Pasep atualmente
Além do critério de renda, o trabalhador precisa cumprir outras exigências para ter direito ao abono salarial.
Requisitos obrigatórios para receber o benefício
Para receber o PIS/Pasep, é necessário:
- Estar cadastrado no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos, contados a partir do primeiro vínculo formal
- Ter exercido atividade remunerada por pelo menos 30 dias no ano-base, consecutivos ou não
- Ter recebido remuneração média mensal dentro do limite estabelecido no ano-base
- Ter os dados corretamente informados pelo empregador no eSocial
O descumprimento de qualquer um desses critérios impede o pagamento do benefício, mesmo que o trabalhador se enquadre na faixa de renda.
Importância do eSocial no pagamento do abono
Um dos principais motivos de bloqueio do pagamento do PIS/Pasep está relacionado a erros ou omissões no eSocial. Se o empregador não informar corretamente os dados do trabalhador, o sistema não reconhece o direito ao benefício.
Responsabilidade das empresas
Cabe ao empregador:
- Informar corretamente salários, períodos trabalhados e vínculos
- Enviar as informações dentro dos prazos legais
- Corrigir eventuais inconsistências quando identificadas
Para o trabalhador, acompanhar essas informações é essencial, especialmente em um cenário de regras mais restritivas a partir de 2026.
O que o trabalhador deve fazer diante da nova regra
Com a mudança já definida, especialistas recomendam que os trabalhadores fiquem atentos ao histórico de rendimentos e aos dados cadastrais.
Acompanhamento será ainda mais importante
A partir de 2026, pequenos aumentos salariais podem ser suficientes para retirar o trabalhador da faixa de elegibilidade ao abono. Por isso, acompanhar a média mensal de rendimentos e verificar os dados no eSocial se torna ainda mais relevante.
Abono salarial seguirá existindo, mas com menos alcance
Apesar da redução no número de beneficiários, o governo não pretende extinguir o PIS/Pasep. A proposta é manter o programa como um benefício focalizado, direcionado exclusivamente aos trabalhadores de menor renda.
A mudança reforça uma tendência de revisão de políticas públicas, buscando equilíbrio fiscal sem eliminar programas sociais, mas tornando-os mais seletivos.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital
Não perca nenhuma oportunidade de crédito e pagamento: acesse agora nossas últimas notícias no Seu Crédito Digital.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
Informacoes Atualizadas 2026:

