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Motoristas da Uber agora terão salário? Confira o piso

A AGU defende no STF a criação de um piso salarial e novas regras trabalhistas para motoristas de aplicativos como Uber e Rappi.

Helena SerpaPor Helena Serpa6 min de leitura
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A discussão sobre o piso salarial para motoristas de aplicativos ganhou força após a Advocacia-Geral da União (AGU) defender no Supremo Tribunal Federal (STF) a criação de mecanismos de proteção para esses trabalhadores. A ideia é estabelecer um pagamento mínimo, ainda que sem vínculo formal com plataformas como Uber, 99 e Rappi.

A proposta reacende o debate sobre o enquadramento jurídico do trabalho nas plataformas digitais, a natureza da autonomia dos motoristas e as condições mínimas para garantir segurança financeira e previdenciária.

AGU propõe proteção mínima

Uber piso
Imagem: Proxima Studio / shutterstock.com

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A AGU argumenta que a criação de um piso não se trata apenas de fixar um valor base, mas de instituir um conjunto de direitos trabalhistas e sociais. Entre as medidas defendidas estão:

  • Limitação das horas de conexão diária;
  • Contribuições à Previdência Social;
  • Seguro de vida ou invalidez;
  • Períodos de descanso obrigatórios;
  • Acesso à capacitação e formação profissional.

Essas diretrizes seguem o Projeto de Lei Complementar nº 12/2024, que regulamenta o trabalho intermediado por aplicativos de transporte. Contudo, o STF suspendeu por 30 dias o julgamento de ações envolvendo as empresas Uber e Rappi, a fim de aprofundar a análise dos impactos da medida.

A complexidade da decisão do STF

A suspensão reflete a complexidade do tema. O Supremo precisa responder questões centrais:

  • O motorista de aplicativo é autônomo ou empregado?
  • Há subordinação entre o trabalhador e a plataforma?
  • Como garantir proteção sem inviabilizar o modelo de negócio digital?

Enquanto não há decisão definitiva, o impasse gera incerteza jurídica tanto para empresas quanto para trabalhadores. Para a categoria, um piso salarial pode representar maior estabilidade. Já as plataformas alertam para os riscos econômicos e o aumento de custos.

Impactos econômicos da criação de um piso mínimo

De acordo com estudos setoriais, a adoção de um salário mínimo por hora poderia elevar os custos operacionais das empresas. A Uber estima que uma mudança no regime trabalhista poderia reduzir até 52% das vagas e aumentar em 34% o valor das corridas.

As plataformas argumentam que a flexibilidade é o principal atrativo do modelo. Já os motoristas reivindicam garantias básicas que evitem perdas em períodos de baixa demanda.

Vantagens esperadas pelos motoristas

  • Previsibilidade financeira mensal;
  • Redução da vulnerabilidade econômica;
  • Contribuições previdenciárias automáticas;
  • Proteção em caso de acidentes ou doenças.

Riscos apontados pelas plataformas

  • Redução do número de motoristas ativos;
  • Maior custo para o passageiro;
  • Menor flexibilidade na jornada de trabalho;
  • Complexidade tributária e burocrática.

Estimativas para o piso

Tipo de cálculoValor sugeridoObservações
Por hora trabalhadaR$ 32,09Inclui R$ 8,02 de remuneração + R$ 24,07 para cobrir custos (combustível, manutenção, seguro etc.)
Por corridaR$ 10,00 + R$ 2,00 por km + R$ 0,21 por minutoModelo variável por categoria de serviço (ex: UberX, Comfort)
Rendimento médio atual (SP)R$ 6.428 (bruto) / R$ 2.502 (líquido)Motoristas trabalham cerca de 60 horas semanais
Rendimento médio (Brasília)R$ 1.320 (líquido)Jornada média de 50 horas por semana

Projeto de Lei Complementar nº 12/2024: o que propõe

O PLP 12/2024, em análise no Congresso Nacional, é a principal referência para o debate. Ele propõe:

  • Um modelo híbrido de relação de trabalho, com direitos específicos sem vínculo empregatício formal;
  • Criação de um conselho nacional para definir pisos e reajustes;
  • Contribuições simplificadas à Previdência;
  • Seguro obrigatório contra acidentes;
  • Transparência na remuneração por corrida e nos critérios de bloqueio de contas.

O objetivo é reconhecer o trabalho via aplicativos como uma categoria intermediária, situada entre o autônomo e o empregado com carteira assinada.

Como funciona em outros países

O Brasil não é o único a discutir o tema. Diversas nações já implementaram modelos semelhantes:

Reino Unido

A Suprema Corte britânica reconheceu motoristas da Uber como “workers”, categoria intermediária entre autônomos e empregados. Eles recebem salário mínimo por hora, férias remuneradas e contribuições sociais.

Espanha

Adotou a chamada “Lei Rider”, que reconhece vínculo de emprego formal entre entregadores e plataformas. Isso levou à redução no número de trabalhadores ativos, mas ampliou a proteção legal.

Estados Unidos

A Califórnia criou uma norma permitindo que motoristas sejam autônomos com direitos garantidos, como seguro e piso mínimo por tempo conectado ao aplicativo.

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Esses exemplos mostram que a tendência global é buscar equilíbrio entre liberdade e segurança, sem eliminar a natureza digital das plataformas.

Próximos passos do julgamento no STF

Operação STF prazo
Imagem: Valter Campanato / Agência Brasil

O STF deverá retomar o julgamento em novembro de 2025, após o prazo de suspensão. Até lá, a AGU e as empresas devem apresentar novos dados econômicos e sociais.

A decisão será crucial para definir como o Brasil vai enquadrar o trabalho por aplicativo — se como uma forma autônoma regulamentada ou como um emprego formal.

FAQ – Perguntas frequentes

1. Os motoristas da Uber vão receber salário fixo?

Ainda não. O STF está analisando a proposta. Caso o piso seja aprovado, ele funcionará como um valor mínimo por hora ou corrida, não como um salário mensal fixo.

2. A medida cria vínculo empregatício com a Uber?

Não necessariamente. A proposta da AGU e do PLP 12/2024 prevê proteção mínima sem vínculo formal, mantendo a autonomia dos motoristas.

3. Qual o valor estimado do piso?

Estudos indicam cerca de R$ 32,09 por hora trabalhada, incluindo custos do motorista, mas o valor ainda pode variar conforme cidade e categoria do serviço.

4. Quando o STF deve decidir sobre o tema?

O julgamento foi suspenso por 30 dias e deve ser retomado até o final de novembro de 2025.

Considerações finais

A discussão sobre o piso salarial dos motoristas de aplicativo é um marco na tentativa de adaptar as leis trabalhistas à economia digital.

Enquanto o STF avalia o equilíbrio entre liberdade e proteção, motoristas esperam que a nova regulamentação traga mais dignidade, previsibilidade e segurança — sem eliminar a flexibilidade que tornou o setor tão popular no Brasil.

Helena Serpa

Autor

Helena Serpa

Jornalista mineira, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Apaixonada por linguagem simples e comunicação acessível, atua como redatora no portal Seu Crédito Digital, onde produz conteúdos sobre finanças pessoais, cidadania, programas sociais, direitos do consumidor e outros temas relevantes para o dia a dia dos brasileiros. Sua escrita busca informar com clareza, contribuir com a inclusão digital e empoderar leitores a tomar decisões mais conscientes sobre dinheiro e serviços públicos.

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