Médicos-veterinários e zootecnistas podem estar mais próximos de conquistar uma antiga reivindicação profissional. Um projeto de lei que estabelece um piso salarial nacional de R$ 10 mil para ambas as categorias deu mais um passo importante na Câmara dos Deputados ao receber aprovação na Comissão de Administração e Serviço Público.
Congresso analisa projeto que fixa piso de R$ 10 mil para categorias
Projeto aprovado em comissão prevê piso nacional de R$ 10 mil para veterinários e zootecnistas. Entenda as próximas etapas.
A proposta busca garantir uma remuneração mínima para profissionais que atuam em áreas consideradas estratégicas para o país, como saúde animal, segurança alimentar, vigilância sanitária, produção agropecuária e controle de zoonoses. O texto também prevê atualização anual dos valores pela inflação, utilizando como referência o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
Apesar do avanço, a medida ainda precisa percorrer um longo caminho legislativo antes de entrar em vigor. Entenda o que prevê o projeto, quais impactos ele pode gerar para o mercado de trabalho e quais serão os próximos passos da tramitação.
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O que prevê o projeto de lei

O texto aprovado na comissão estabelece um piso salarial nacional de R$ 10 mil para médicos-veterinários e zootecnistas com jornada semanal de 30 horas.
Além da remuneração mínima, a proposta determina que:
- O valor seja corrigido anualmente pelo INPC;
- Jornadas inferiores a 30 horas tenham remuneração proporcional;
- Jornadas superiores também sejam calculadas proporcionalmente;
- Empresas e instituições tenham prazo de até 180 dias para adequação após eventual publicação da lei.
A medida pretende criar uma referência salarial nacional para profissionais contratados em diferentes regiões do país, reduzindo disparidades atualmente observadas entre estados e municípios.
Quem seria beneficiado
O projeto alcança profissionais que atuam em diversos setores da economia.
No caso dos médicos-veterinários, a atuação vai muito além das clínicas para animais de estimação. Esses profissionais trabalham em:
- Vigilância sanitária;
- Inspeção de alimentos de origem animal;
- Controle de zoonoses;
- Saúde pública;
- Pesquisa científica;
- Indústria farmacêutica;
- Produção agropecuária.
Já os zootecnistas desempenham papel fundamental na gestão da produção animal, atuando em atividades relacionadas à nutrição, genética, reprodução, manejo e sustentabilidade dos rebanhos.
A importância dessas profissões para o Brasil
O debate sobre a valorização salarial dessas categorias ocorre em um momento em que o agronegócio continua sendo um dos principais motores da economia brasileira.
Segundo dados de entidades do setor agropecuário, a participação do agronegócio no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro permanece relevante, impulsionando exportações e geração de empregos.
Nesse cenário, médicos-veterinários e zootecnistas são responsáveis por atividades essenciais para garantir produtividade, qualidade dos alimentos e cumprimento das exigências sanitárias nacionais e internacionais.
Saúde pública também está em jogo
A atuação dos veterinários não se limita à saúde animal. Muitos profissionais trabalham diretamente na prevenção e controle de doenças que podem ser transmitidas aos seres humanos.
Entre as atividades estão:
- Fiscalização de alimentos;
- Controle de surtos sanitários;
- Monitoramento epidemiológico;
- Programas de vacinação animal;
- Inspeção em frigoríficos e indústrias alimentícias.
Essa atuação é considerada fundamental para a proteção da saúde coletiva e para a segurança alimentar da população.
Por que a categoria defende a criação do piso
Os defensores da proposta argumentam que a criação de um piso nacional ajudaria a combater a desvalorização profissional observada em diversas regiões do país.
Em muitos municípios e empresas privadas, salários oferecidos a veterinários e zootecnistas são considerados incompatíveis com o nível de responsabilidade exigido pelas funções e com o tempo de formação acadêmica.
Além disso, representantes das categorias afirmam que a medida pode:
- Estimular a permanência de profissionais no setor;
- Reduzir a evasão para outras áreas;
- Incentivar a qualificação técnica;
- Melhorar a atratividade das carreiras;
- Valorizar atividades essenciais para a economia nacional.
Falta de profissionais em algumas regiões
Um dos argumentos apresentados durante as discussões legislativas é que determinadas regiões enfrentam dificuldades para atrair e reter profissionais qualificados.
A criação de um piso nacional poderia contribuir para tornar as carreiras mais competitivas, especialmente em localidades afastadas dos grandes centros urbanos.
Quais podem ser os impactos para empregadores
Embora a proposta seja comemorada por parte das categorias profissionais, a implementação de um piso salarial nacional também pode gerar desafios para empregadores.
Entre os setores potencialmente impactados estão:
- Clínicas veterinárias;
- Hospitais veterinários;
- Empresas do agronegócio;
- Cooperativas rurais;
- Órgãos públicos;
- Universidades;
- Instituições de pesquisa.
Empresas que atualmente praticam remunerações abaixo do valor previsto teriam de revisar contratos e adequar suas folhas de pagamento.
Prazo de adaptação de 180 dias
Para minimizar impactos imediatos, o projeto estabelece um período de transição de até 180 dias.
Durante esse prazo, empregadores poderiam reorganizar estruturas salariais, revisar contratos e realizar ajustes financeiros necessários para cumprir a futura legislação.
Como funciona a atualização pelo INPC
Outro ponto importante da proposta é a correção anual do piso salarial.
O índice escolhido foi o INPC, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, que mede a variação de preços para famílias de menor renda.
Na prática, isso significa que o valor do piso não permaneceria congelado ao longo dos anos, preservando parte do poder de compra dos profissionais diante da inflação.
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O que falta para o projeto virar lei
Apesar da aprovação na Comissão de Administração e Serviço Público, o projeto ainda não está valendo.
Para se tornar lei, a proposta precisa passar por diversas etapas.
Análise em outras comissões
O texto ainda será examinado por outras comissões da Câmara dos Deputados, incluindo colegiados responsáveis por temas relacionados a:
- Trabalho;
- Finanças e tributação;
- Constituição e Justiça.
Nessas etapas, os parlamentares poderão discutir aspectos jurídicos, financeiros e trabalhistas da proposta.
Votação no plenário
Dependendo da tramitação definida pela Câmara, o projeto poderá seguir para votação pelos deputados federais.
Caso seja aprovado, será encaminhado ao Senado Federal.
Avaliação pelos senadores
No Senado, a matéria passará novamente por análise em comissões e poderá ser submetida à votação dos parlamentares.
Somente após aprovação nas duas Casas Legislativas o texto poderá seguir para a etapa final.
Sanção presidencial
A última fase consiste na análise pelo presidente da República.
Após a sanção, a nova lei poderá ser publicada e começar a produzir efeitos, respeitando o prazo de adaptação previsto para empregadores.
O que muda para veterinários e zootecnistas

Caso a proposta seja aprovada em todas as etapas, o principal impacto será a criação de uma referência salarial nacional para as duas categorias.
Os defensores da medida acreditam que a mudança poderá fortalecer as carreiras, aumentar a valorização profissional e estimular novos investimentos em qualificação.
Por outro lado, especialistas apontam que os efeitos práticos dependerão da forma como o mercado absorverá os custos adicionais e da capacidade das empresas de se adaptarem às novas exigências.
Enquanto isso, milhares de médicos-veterinários e zootecnistas seguem acompanhando a tramitação do projeto em Brasília, na expectativa de que a criação do piso salarial nacional finalmente saia do papel e se transforme em realidade.
Conclusão
A aprovação do projeto em comissão representa um avanço importante para médicos-veterinários e zootecnistas que defendem maior valorização profissional. Embora o piso salarial de R$ 10 mil ainda dependa de novas análises na Câmara, no Senado e da sanção presidencial, a proposta já reforça o debate sobre a importância dessas categorias para a saúde pública, a segurança alimentar e o agronegócio brasileiro. Até que a tramitação seja concluída, profissionais e empregadores seguem acompanhando os próximos passos da medida, que pode trazer mudanças significativas para o mercado de trabalho do setor.
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