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Pesquisa Quaest mostra PIX com 80% de confiança e aprovação entre esquerda e direita

O Pix se consolidou não apenas como uma ferramenta para transferir dinheiro, mas como um dos serviços mais presentes na rotina financeira dos brasileiros. Uma pesquisa Genial/Quaest mostra que 80% dos entrevistados dizem confiar no sistema de pagamentos instantâneos, enquanto 19% afirmam não confiar e 1% não soube ou não respondeu. O resultado chama atenção […]

Avatar de Vitória Monckes Vitória Monckes · · 11 min de leitura
Pix

O Pix se consolidou não apenas como uma ferramenta para transferir dinheiro, mas como um dos serviços mais presentes na rotina financeira dos brasileiros. Uma pesquisa Genial/Quaest mostra que 80% dos entrevistados dizem confiar no sistema de pagamentos instantâneos, enquanto 19% afirmam não confiar e 1% não soube ou não respondeu.

O resultado chama atenção porque coloca o Pix no topo da lista de instituições e serviços avaliados pelo levantamento. Mais do que o percentual elevado, porém, o dado revela outro aspecto relevante: a confiança no sistema permanece alta entre diferentes grupos ideológicos, mesmo em um cenário político marcado pela polarização.

A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais. Em uma rodada de junho de 2026 da Genial/Quaest, foram realizadas 2.004 entrevistas presenciais com brasileiros de 16 anos ou mais, em 120 municípios, com nível de confiança de 95%.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Pix se distancia da desconfiança nas instituições tradicionais

O desempenho do Pix ganha relevância quando comparado aos demais itens analisados pela pesquisa. O sistema aparece à frente de instituições que historicamente ocupam posições importantes nos levantamentos de confiança realizados no país.

A Igreja Católica registra 76% de confiança, enquanto a Polícia Militar chega a 75%. As Forças Armadas aparecem com 70%, mesmo percentual atribuído pelos entrevistados ao próprio cônjuge.

A diferença mostra a dimensão alcançada pelo meio de pagamento em poucos anos. O Pix foi instituído pelo Banco Central e começou a funcionar plenamente em novembro de 2020. Desde então, passou de uma novidade no sistema financeiro para uma infraestrutura amplamente incorporada ao cotidiano.

O Banco Central informou, no balanço de cinco anos do Pix, que o sistema já era utilizado por quase 170 milhões de pessoas e havia movimentado R$ 11 trilhões somente em 2024. O avanço também foi acompanhado pela criação de novas modalidades, como Pix Saque, Pix Troco, Pix Agendado, Pix por Aproximação e Pix Automático.

Confiança no Pix atravessa a divisão política

Um dos aspectos mais significativos do levantamento é que a confiança no Pix não fica restrita a um único campo político.

Entre os entrevistados classificados como de direita não bolsonarista, 87% afirmam confiar no sistema. No grupo identificado como esquerda não lulista, o índice chega a 88%.

Entre os independentes, aproximadamente três em cada quatro entrevistados também demonstram confiança no Pix.

O comportamento é relevante porque serviços e instituições públicas frequentemente apresentam diferenças expressivas quando os resultados são separados pela identificação política dos entrevistados. No caso do Pix, a distância entre os grupos é pequena, indicando uma percepção mais associada à experiência prática do usuário do que à preferência partidária.

Esse caráter transversal ajuda a explicar por que o Pix ganhou espaço no debate público e passou a ser tratado como um ativo de grande valor simbólico durante o ano eleitoral.

Por que o Pix conquistou tanta confiança?

A popularidade do sistema está relacionada, em grande medida, à combinação de rapidez, disponibilidade e facilidade de uso.

Uma pessoa pode enviar dinheiro para outra conta em poucos segundos, inclusive à noite, nos fins de semana e nos feriados. Para o pequeno comerciante, o mecanismo também simplificou o recebimento de pagamentos sem a necessidade de depender exclusivamente de dinheiro em espécie ou de cartões.

O próprio Banco Central destaca que o Pix foi desenvolvido para ampliar a competição e melhorar a prestação de serviços financeiros. O sistema permite transferências entre diferentes instituições e funciona como uma infraestrutura de pagamentos instantâneos sob regras estabelecidas pelo BC.

Na prática, isso significa que uma pessoa que recebe um pagamento por Pix pode ter o dinheiro disponível praticamente de imediato. Para um trabalhador autônomo, por exemplo, isso reduz o intervalo entre a prestação do serviço e o recebimento.

Para consumidores, a experiência também alterou hábitos. Em vez de sacar dinheiro ou informar agência e conta bancária, basta utilizar uma chave Pix ou fazer a leitura de um QR Code.

Uso cotidiano ajudou a transformar o Pix em uma marca nacional

A confiança em um serviço financeiro tende a ser influenciada pela frequência com que ele é utilizado. Nesse aspecto, o Pix alcançou uma escala difícil de comparar com outros meios de pagamento lançados recentemente.

O sistema começou com funcionalidades relativamente simples e foi incorporando novos recursos ao longo dos anos. Segundo o Banco Central, o Pix por Aproximação e o Pix Automático estão entre as novidades mais recentes, enquanto o Mecanismo Especial de Devolução também passa por evolução.

O resultado é que o Pix deixou de ser percebido apenas como uma alternativa às transferências bancárias tradicionais. Para uma parcela significativa da população, ele passou a representar o próprio padrão de pagamento instantâneo.

Uma compra em uma pequena loja, o pagamento de um profissional autônomo, uma transferência entre familiares ou o envio de dinheiro para dividir uma conta são situações em que o Pix pode ser utilizado sem que o consumidor precise recorrer a dinheiro físico.

Pix também ganhou importância entre consumidores e empresas

A expansão do sistema não ocorreu apenas entre pessoas físicas. Empresas de diferentes tamanhos passaram a incorporar o Pix como alternativa de recebimento.

Para pequenos negócios, a ferramenta pode representar uma maneira de receber pagamentos sem depender exclusivamente das modalidades tradicionais de cartão. Para o consumidor, por outro lado, o pagamento instantâneo pode reduzir etapas durante uma compra.

Uma pesquisa da CNDL e do SPC Brasil divulgada em março de 2026 apontou o Pix como o meio de pagamento mais utilizado por 80% dos consumidores analisados, reforçando a presença da ferramenta nos hábitos de consumo brasileiros.

O avanço também ocorre em um ambiente no qual a preocupação com segurança digital permanece elevada. Por isso, a confiança declarada pelos brasileiros não significa ausência de riscos: golpes envolvendo transferências, engenharia social e contas de destino falsas continuam exigindo atenção dos usuários.

Popularidade não significa ausência de golpes

Mesmo com o elevado nível de confiança, o usuário não deve interpretar o resultado da pesquisa como uma garantia de que qualquer operação feita por Pix seja segura.

O sistema possui mecanismos de segurança e procedimentos específicos para situações de fraude, mas uma transferência autorizada pelo próprio usuário pode exigir medidas diferentes de uma transação que tenha ocorrido por falha operacional ou acesso indevido.

Por isso, antes de confirmar um pagamento, é importante verificar o nome do recebedor, o valor e os dados apresentados no aplicativo bancário.

A regra é especialmente importante em compras realizadas por redes sociais, anúncios e mensagens recebidas por aplicativos. A popularidade do Pix também faz com que criminosos tentem explorar a familiaridade dos brasileiros com a ferramenta.

Pix entra no debate político de 2026

O elevado grau de confiança ocorre em um momento no qual o Pix passou a aparecer com mais frequência no discurso político.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva incorporou a defesa do sistema a manifestações sobre soberania e relações internacionais. A oposição, por sua vez, também passou a disputar a associação política com o Pix.

A própria Quaest registrou, em levantamento de junho de 2026, que o debate sobre tarifas internacionais alcançou a percepção dos brasileiros sobre o sistema de pagamentos. Segundo a pesquisa, 2.004 pessoas foram entrevistadas entre 5 e 8 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais.

O cenário ajuda a entender por que o Pix se tornou um tema eleitoral. Quando uma ferramenta é utilizada diariamente por milhões de pessoas e apresenta alto grau de aprovação, associá-la a determinada agenda política pode ter valor simbólico.

Isso, contudo, não significa que a confiança no Pix automaticamente se transforme em intenção de voto. São fenômenos diferentes. Um eleitor pode aprovar uma tecnologia financeira e, ao mesmo tempo, discordar de decisões do governo que ajudou a regulamentá-la ou de propostas apresentadas pela oposição.

Quem criou o Pix?

A discussão política sobre a origem do Pix também ganhou espaço nos últimos anos, mas a trajetória do sistema é mais institucional do que a disputa partidária sugere.

O Banco Central foi responsável pela instituição, regulamentação e implantação da infraestrutura do Pix. O órgão aprovou o regulamento em agosto de 2020 e confirmou o início da operação plena para 16 de novembro daquele ano.

Portanto, a criação do Pix deve ser compreendida como resultado de um projeto conduzido pelo Banco Central dentro da evolução do sistema financeiro brasileiro, e não como uma iniciativa criada individualmente por um presidente ou partido.

O próprio BC registra que o desenvolvimento do sistema fazia parte de uma estratégia de modernização do mercado de pagamentos, com objetivos como aumentar a competição, ampliar a eficiência e facilitar o acesso da população a serviços financeiros.

Confiança em instituições políticas também aparece na pesquisa

A pesquisa Genial/Quaest mostra que o fenômeno não se limita ao Pix. Alguns índices de confiança em instituições políticas também apresentam mudanças em relação a levantamentos anteriores.

A Presidência da República aparece com 57% de confiança na referência apresentada, enquanto o Congresso Nacional chega a 49%. O Supremo Tribunal Federal registra 50%.

Apesar de uma eventual recuperação em alguns indicadores, esses números permanecem muito diferentes da confiança registrada pelo Pix. Isso reforça a característica particular do sistema: sua avaliação está diretamente relacionada a uma experiência cotidiana e funcional, enquanto instituições políticas são avaliadas a partir de fatores como governo, decisões judiciais, atuação parlamentar e disputas partidárias.

Confiança nas urnas eletrônicas recua

Outro resultado que chama atenção é a percepção sobre as urnas eletrônicas.

Segundo os números apresentados pela pesquisa, 65% dos entrevistados afirmam confiar no sistema eletrônico de votação, abaixo dos 78% registrados pela Quaest em 2022.

A diferença ocorre em um contexto no qual a segurança das urnas continua sendo tema de disputa no debate político brasileiro. A queda indicada pelo levantamento também aparece distribuída entre diferentes faixas etárias, regiões e classes sociais.

O contraste com o Pix é significativo. Enquanto a confiança no meio de pagamento alcança 80%, a percepção positiva sobre o sistema eletrônico de votação fica em 65%.

Polícia Militar continua entre as instituições mais confiáveis

A Polícia Militar aparece novamente em posição elevada na avaliação dos brasileiros.

Na divisão por grupos ideológicos apresentada pela pesquisa, 75% dos entrevistados classificados como de esquerda não lulista dizem confiar na PM. Entre os integrantes da direita não bolsonarista, o percentual chega a 85%.

O resultado ocorre em um contexto no qual a segurança pública aparece entre as principais preocupações dos brasileiros. A Quaest apontou a segurança e a violência como um dos temas centrais da percepção nacional em seus levantamentos de 2026.

Ainda assim, o Pix permanece em um patamar superior de confiança no recorte apresentado.

O que o resultado revela sobre o brasileiro?

O principal significado da pesquisa está menos na disputa entre instituições e mais na relação do brasileiro com serviços que fazem parte de sua rotina.

O Pix conseguiu combinar uma infraestrutura nacional padronizada com uma experiência simples para o usuário. Não é necessário conhecer detalhes técnicos sobre o sistema para utilizá-lo. Basta ter acesso a uma conta participante e realizar a operação pelo aplicativo ou por outro canal disponibilizado pela instituição.

Essa simplicidade ajudou a reduzir barreiras para pagamentos e transferências e permitiu que o sistema fosse incorporado por consumidores, trabalhadores autônomos, empresas e prestadores de serviços.

O fato de a confiança permanecer elevada em diferentes grupos políticos também sugere que o Pix conseguiu se desvincular parcialmente das disputas partidárias que envolvem sua criação e sua evolução.

Pix pode influenciar a eleição?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

A elevada confiança transforma o sistema em um tema eleitoral relevante, mas não permite concluir que o Pix, sozinho, determinará a escolha do eleitor.

Pesquisas eleitorais mostram que decisões de voto são influenciadas por diferentes fatores, como economia, segurança, avaliação do governo, situação financeira, rejeição a candidatos e expectativas para o futuro.

O que a popularidade do Pix pode fazer é aumentar o custo político de propostas percebidas como ameaça ao funcionamento do sistema.

Em outras palavras, candidatos podem tentar associar sua imagem ao sucesso do Pix, mas uma eventual discussão sobre mudanças no sistema precisa ser analisada pelo eleitor a partir de seus efeitos concretos, e não apenas da narrativa política utilizada durante a campanha.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

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