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Como o Pix se tornou realidade: pai do sistema fala sobre negociação com bancos

Pix já é aceito em países como Argentina, Chile e Portugal. Criado pelo Banco Central, o sistema tornou-se referência mundial em inclusão financeira e inovação digital.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
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Lançado oficialmente em novembro de 2020 pelo Banco Central do Brasil, o Pix rapidamente deixou de ser apenas uma ferramenta nacional para se tornar um fenômeno global de inovação financeira.

A tecnologia, que já alcança 90% da população adulta brasileira, hoje começa a romper barreiras e ser aceita em países como Argentina, Chile e Portugal, tornando-se um dos principais exemplos de inclusão digital e financeira do mundo.

Por trás dessa criação está Carlos Eduardo Brandt, apelidado de “Pai do Pix”, que relembra o processo de desenvolvimento do sistema durante a pandemia e explica como o Pix se consolidou como um dos maiores sucessos tecnológicos brasileiros.

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A origem do Pix: inclusão e digitalização

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Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

A necessidade do mercado brasileiro

Antes do Pix, transferências eletrônicas no Brasil eram limitadas a instrumentos como TED e DOC, que implicavam custos elevados, horários restritos e pouca praticidade para o dia a dia. O Banco Central percebeu a necessidade de uma solução que fosse:

  • Gratuita para pessoas físicas;
  • Instantânea, disponível 24 horas por dia, inclusive em feriados;
  • Segura e com camadas múltiplas de autenticação;
  • Inclusiva, atendendo tanto correntistas de grandes bancos quanto usuários de fintechs.

O nascimento em plena pandemia

Segundo Brandt, a criação do Pix foi uma “maratona tecnológica”. O projeto avançou em meio às restrições da pandemia de Covid-19, com equipes remotas e prazos apertados. O objetivo era entregar uma solução digital que não apenas modernizasse o sistema de pagamentos, mas também promovesse inclusão financeira em larga escala.


A escolha do nome e sua projeção global

Simplicidade e universalidade

O termo “Pix” foi escolhido justamente por ser curto, sonoro e facilmente compreendido em diferentes idiomas, especialmente o inglês. Essa estratégia contribuiu para que a marca ganhasse reconhecimento internacional e fosse considerada atraente até mesmo para mercados estrangeiros.

Pix como referência mundial

De acordo com Brandt, não existe um sistema de pagamentos com adoção tão massiva quanto o Pix em outros países. Ainda assim, modelos semelhantes vêm sendo comparados, como o UPI (Unified Payments Interface), criado na Índia.


Pix x UPI: as semelhanças e diferenças

O que os aproxima

  • Uso de QR Code para pagamentos instantâneos;
  • Criação de chaves de identificação simplificadas;
  • Integração entre diferentes bancos e fintechs.

O que os diferencia

  • Taxa de adoção: enquanto o Pix já é utilizado por 90% da população adulta brasileira, o UPI indiano alcança cerca de 50%.
  • Contexto de implementação: o Pix foi desenhado para resolver gargalos específicos do Brasil, como altos custos bancários e baixa bancarização, enquanto o UPI atende a uma realidade distinta do sistema financeiro indiano.

Pix além do Brasil: primeiros passos internacionais

Argentina e Chile

Nos países vizinhos da América do Sul, já é possível realizar transações via Pix em alguns estabelecimentos comerciais. A adoção ainda está em fase inicial, mas indica a viabilidade de integração regional.

Portugal

Em território europeu, Portugal foi o primeiro país a aceitar pagamentos via Pix, facilitando a vida de turistas e imigrantes brasileiros que vivem no país. A familiaridade com o sistema reduz barreiras e amplia a praticidade para brasileiros no exterior.

O futuro da expansão

Embora ainda não exista uma estratégia oficial para internacionalizar o Pix como produto, a demanda espontânea de usuários e o interesse de empresas estrangeiras mostram que o modelo pode se tornar referência para outros sistemas globais de pagamento.


O impacto do Pix na vida dos brasileiros

Inclusão financeira

Segundo dados do Banco Central, milhões de pessoas que nunca haviam utilizado serviços bancários formais passaram a movimentar recursos via Pix. Isso ampliou o acesso de populações de baixa renda, microempreendedores e autônomos ao sistema financeiro.

Redução de custos

Com o Pix, transferências que antes custavam entre R$ 10 e R$ 20 em tarifas bancárias passaram a ser gratuitas para pessoas físicas. Isso pressionou bancos a revisarem suas políticas de tarifas e gerou concorrência saudável com cartões e maquininhas de pagamento.

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Transformação do comércio

Pequenos negócios foram diretamente beneficiados, já que o Pix:

  • Elimina intermediários de cobrança;
  • Garante liquidez imediata;
  • Facilita a conciliação de vendas no mesmo dia.

O desafio da educação financeira

Baixa clareza sobre custos de modalidades avançadas

Com a chegada de produtos como Pix Saque, Pix Troco e Pix Parcelado, pesquisas mostram que muitos brasileiros ainda não compreendem integralmente os custos associados. Isso reforça a necessidade de educação financeira para evitar endividamento e fortalecer a confiança no sistema.

O papel do Banco Central

O BC tem investido em campanhas de transparência e conscientização, reforçando que a segurança do Pix depende também do cuidado individual dos usuários em relação a golpes e fraudes digitais.


O Pix como modelo exportável

Banco Central

Interesse de outros países

O sucesso brasileiro desperta interesse global, mas, segundo Brandt, não existe fórmula pronta. Cada país tem suas demandas específicas, infraestrutura digital distinta e níveis variados de bancarização.

Condições para replicar o modelo

  • Infraestrutura tecnológica robusta;
  • Parcerias com bancos e fintechs locais;
  • Atenção às necessidades da população antes de implantar a solução.

Considerações finais

O Pix deixou de ser apenas uma inovação brasileira para se tornar um case mundial de sucesso em inclusão financeira e tecnologia digital. Sua expansão para países como Argentina, Chile e Portugal mostra o potencial de internacionalização, ainda que cada realidade exija adaptações próprias.

Ao alcançar 90% da população adulta, o Pix não só modernizou a forma de movimentar dinheiro no Brasil, como também colocou o país na vanguarda das soluções financeiras globais. O desafio agora é equilibrar expansão, segurança e educação financeira, garantindo que a tecnologia continue sendo um símbolo de acessibilidade e democratização dentro e fora do Brasil.

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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