Lançado oficialmente em novembro de 2020 pelo Banco Central do Brasil, o Pix rapidamente deixou de ser apenas uma ferramenta nacional para se tornar um fenômeno global de inovação financeira.
Como o Pix se tornou realidade: pai do sistema fala sobre negociação com bancos
Pix já é aceito em países como Argentina, Chile e Portugal. Criado pelo Banco Central, o sistema tornou-se referência mundial em inclusão financeira e inovação digital.
A tecnologia, que já alcança 90% da população adulta brasileira, hoje começa a romper barreiras e ser aceita em países como Argentina, Chile e Portugal, tornando-se um dos principais exemplos de inclusão digital e financeira do mundo.
Por trás dessa criação está Carlos Eduardo Brandt, apelidado de “Pai do Pix”, que relembra o processo de desenvolvimento do sistema durante a pandemia e explica como o Pix se consolidou como um dos maiores sucessos tecnológicos brasileiros.
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A origem do Pix: inclusão e digitalização

A necessidade do mercado brasileiro
Antes do Pix, transferências eletrônicas no Brasil eram limitadas a instrumentos como TED e DOC, que implicavam custos elevados, horários restritos e pouca praticidade para o dia a dia. O Banco Central percebeu a necessidade de uma solução que fosse:
- Gratuita para pessoas físicas;
- Instantânea, disponível 24 horas por dia, inclusive em feriados;
- Segura e com camadas múltiplas de autenticação;
- Inclusiva, atendendo tanto correntistas de grandes bancos quanto usuários de fintechs.
O nascimento em plena pandemia
Segundo Brandt, a criação do Pix foi uma “maratona tecnológica”. O projeto avançou em meio às restrições da pandemia de Covid-19, com equipes remotas e prazos apertados. O objetivo era entregar uma solução digital que não apenas modernizasse o sistema de pagamentos, mas também promovesse inclusão financeira em larga escala.
A escolha do nome e sua projeção global
Simplicidade e universalidade
O termo “Pix” foi escolhido justamente por ser curto, sonoro e facilmente compreendido em diferentes idiomas, especialmente o inglês. Essa estratégia contribuiu para que a marca ganhasse reconhecimento internacional e fosse considerada atraente até mesmo para mercados estrangeiros.
Pix como referência mundial
De acordo com Brandt, não existe um sistema de pagamentos com adoção tão massiva quanto o Pix em outros países. Ainda assim, modelos semelhantes vêm sendo comparados, como o UPI (Unified Payments Interface), criado na Índia.
Pix x UPI: as semelhanças e diferenças
O que os aproxima
- Uso de QR Code para pagamentos instantâneos;
- Criação de chaves de identificação simplificadas;
- Integração entre diferentes bancos e fintechs.
O que os diferencia
- Taxa de adoção: enquanto o Pix já é utilizado por 90% da população adulta brasileira, o UPI indiano alcança cerca de 50%.
- Contexto de implementação: o Pix foi desenhado para resolver gargalos específicos do Brasil, como altos custos bancários e baixa bancarização, enquanto o UPI atende a uma realidade distinta do sistema financeiro indiano.
Pix além do Brasil: primeiros passos internacionais
Argentina e Chile
Nos países vizinhos da América do Sul, já é possível realizar transações via Pix em alguns estabelecimentos comerciais. A adoção ainda está em fase inicial, mas indica a viabilidade de integração regional.
Portugal
Em território europeu, Portugal foi o primeiro país a aceitar pagamentos via Pix, facilitando a vida de turistas e imigrantes brasileiros que vivem no país. A familiaridade com o sistema reduz barreiras e amplia a praticidade para brasileiros no exterior.
O futuro da expansão
Embora ainda não exista uma estratégia oficial para internacionalizar o Pix como produto, a demanda espontânea de usuários e o interesse de empresas estrangeiras mostram que o modelo pode se tornar referência para outros sistemas globais de pagamento.
O impacto do Pix na vida dos brasileiros
Inclusão financeira
Segundo dados do Banco Central, milhões de pessoas que nunca haviam utilizado serviços bancários formais passaram a movimentar recursos via Pix. Isso ampliou o acesso de populações de baixa renda, microempreendedores e autônomos ao sistema financeiro.
Redução de custos
Com o Pix, transferências que antes custavam entre R$ 10 e R$ 20 em tarifas bancárias passaram a ser gratuitas para pessoas físicas. Isso pressionou bancos a revisarem suas políticas de tarifas e gerou concorrência saudável com cartões e maquininhas de pagamento.
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Transformação do comércio
Pequenos negócios foram diretamente beneficiados, já que o Pix:
- Elimina intermediários de cobrança;
- Garante liquidez imediata;
- Facilita a conciliação de vendas no mesmo dia.
O desafio da educação financeira
Baixa clareza sobre custos de modalidades avançadas
Com a chegada de produtos como Pix Saque, Pix Troco e Pix Parcelado, pesquisas mostram que muitos brasileiros ainda não compreendem integralmente os custos associados. Isso reforça a necessidade de educação financeira para evitar endividamento e fortalecer a confiança no sistema.
O papel do Banco Central
O BC tem investido em campanhas de transparência e conscientização, reforçando que a segurança do Pix depende também do cuidado individual dos usuários em relação a golpes e fraudes digitais.
O Pix como modelo exportável

Interesse de outros países
O sucesso brasileiro desperta interesse global, mas, segundo Brandt, não existe fórmula pronta. Cada país tem suas demandas específicas, infraestrutura digital distinta e níveis variados de bancarização.
Condições para replicar o modelo
- Infraestrutura tecnológica robusta;
- Parcerias com bancos e fintechs locais;
- Atenção às necessidades da população antes de implantar a solução.
Considerações finais
O Pix deixou de ser apenas uma inovação brasileira para se tornar um case mundial de sucesso em inclusão financeira e tecnologia digital. Sua expansão para países como Argentina, Chile e Portugal mostra o potencial de internacionalização, ainda que cada realidade exija adaptações próprias.
Ao alcançar 90% da população adulta, o Pix não só modernizou a forma de movimentar dinheiro no Brasil, como também colocou o país na vanguarda das soluções financeiras globais. O desafio agora é equilibrar expansão, segurança e educação financeira, garantindo que a tecnologia continue sendo um símbolo de acessibilidade e democratização dentro e fora do Brasil.
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