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Pix como garantia enfrenta entraves e deve chegar só em 2027, diz Banco Central

Sistema que usa Pix como garantia para crédito deve ser lançado apenas em 2027, segundo o Banco Central.

Avatar de Fernanda Ramos Fernanda Ramos · · 4 min de leitura
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O Banco Central do Brasil está desenvolvendo uma inovação que promete transformar o acesso ao crédito no país: o uso do Pix como garantia em operações financeiras. Apesar das expectativas iniciais, o projeto enfrenta obstáculos técnicos e regulatórios que devem adiar sua implementação para, no mínimo, 2027. O cenário foi confirmado por Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, durante evento promovido pela Associação Brasileira de Instituições de Pagamento (Abipag).

A proposta visa utilizar os recebíveis gerados por pagamentos via Pix como um ativo garantidor em operações de crédito, algo que poderia democratizar o acesso a financiamentos, especialmente para pequenas e médias empresas. No entanto, a complexidade do sistema e a falta de definições sobre o modelo ideal são os principais fatores que dificultam o avanço da iniciativa.

Leia mais: Banco Central vai liberar o Pix Automático dia 4 de junho

Objetivo é baratear o crédito, mas implementação exige mais tempo

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Imagem: Freepik e Canva

Durante sua participação no evento da Abipag, Renato Gomes foi enfático ao afirmar que o cronograma mais realista para o lançamento do sistema gira em torno de 2027. “Eu enfatizo 2027”, afirmou, sinalizando que, embora o projeto continue em pauta, o desenvolvimento ainda está em fase preliminar.

A ideia central do projeto é possibilitar que empresas que utilizam o Pix como principal meio de pagamento possam apresentar seus recebíveis futuros como garantia em empréstimos. Esse tipo de arranjo já é comum com cartões de crédito, mas adaptá-lo ao Pix exige mudanças estruturais profundas nos sistemas financeiros.

Sistema exigirá estrutura tecnológica robusta

Um dos principais desafios apontados pelos técnicos do Banco Central está relacionado à operacionalização dessa nova forma de garantia. O Pix, diferentemente dos cartões de crédito, é um sistema instantâneo e irrevogável. Isso torna o controle de fluxos futuros, base do modelo de garantia por recebíveis, mais difícil de rastrear e consolidar.

Além disso, a ausência de intermediários no fluxo de pagamento do Pix complica a centralização das informações necessárias para compor as garantias. Será necessário desenvolver mecanismos que permitam identificar, registrar e vincular os recebíveis de maneira segura e confiável, sem comprometer a agilidade e a transparência do sistema.

Expectativa é beneficiar empresas que dependem do Pix

Apesar dos entraves técnicos, o projeto tem como pano de fundo um objetivo importante: ampliar o acesso ao crédito no país, especialmente entre empreendedores e pequenas empresas que movimentam seus negócios principalmente por meio do Pix.

Ao transformar os valores que ainda serão recebidos via Pix em garantias, as empresas poderiam acessar linhas de crédito mais baratas e com menos exigências de garantias físicas, como imóveis ou veículos. Isso representaria um avanço na inclusão financeira e fortaleceria o papel do Pix como ferramenta de desenvolvimento econômico.

Discussão sobre tarifas de intercâmbio também está em pauta

Além da questão do Pix como garantia, o diretor do BC também comentou sobre outra frente regulatória que está sendo considerada pela instituição: o estabelecimento de limites nas tarifas de intercâmbio cobradas nas transações com cartões de crédito.

Gomes explicou que uma consulta pública sobre o tema está nos planos do Banco Central, a exemplo do que já foi feito com cartões de débito e pré-pagos. “Obviamente, isso será levado à diretoria colegiada, somente após a aprovação da diretoria colegiada essa consulta pública será lançada”, pontuou.

Importante destacar que essa discussão não incluirá alterações nos prazos de liquidação das transações com cartões de crédito. A proposta, segundo o BC, é se concentrar exclusivamente nas tarifas de intercâmbio, que impactam diretamente o custo das transações para os comerciantes.

Lançamento adiado, mas não descartado

A confirmação de que o projeto do Pix como garantia deve ser adiado para 2027 não significa que o Banco Central esteja desistindo da ideia. Pelo contrário, a sinalização é de que o tema segue em estudo e deverá ser implementado assim que houver segurança técnica e jurídica para tanto.

A iniciativa está inserida em um contexto mais amplo de modernização do sistema financeiro brasileiro, que também envolve outras inovações, como o Drex (real digital) e a expansão do Open Finance.

Conscientização e transparência como prioridades

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Imagem: Brenda Rocha – Blossom / shutterstock.com

Para que o novo modelo seja bem-sucedido, será fundamental que os usuários compreendam como funciona o sistema de garantias via Pix e quais são os riscos envolvidos. O BC tem se comprometido a garantir a transparência e a proteção dos dados dos usuários em todas as fases de desenvolvimento do projeto.

O avanço da digitalização bancária no Brasil mostra que há espaço para inovações disruptivas, mas o equilíbrio entre eficiência, segurança e clareza regulatória será decisivo para o sucesso do Pix como instrumento de crédito garantido.

Com informações de: Reuters via Terra

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