Na terça-feira (2), uma falha grave de segurança digital expôs a vulnerabilidade da infraestrutura do sistema financeiro brasileiro. Um ataque hacker à empresa de tecnologia C&M Software, responsável por conectar diversas instituições financeiras ao sistema do Pix, deixou clientes sem acesso a transferências e afetou diretamente seis bancos, segundo relatos do mercado. O caso também envolveu desvios de recursos de contas institucionais e forçou a intervenção do Banco Central.
Clientes de bancos ficam sem acesso ao Pix após ataque hacker
Falha em empresa de tecnologia afeta transferências via Pix em seis instituições financeiras nesta terça-feira (2).
O incidente reascende o debate sobre a segurança cibernética nas operações bancárias e o grau de dependência de instituições financeiras em relação a terceirizadas de tecnologia, que, embora invisíveis ao consumidor final, exercem papel crucial nos bastidores das operações.
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Origem do problema: falha em provedora de tecnologia
O ataque foi direcionado aos sistemas da C&M Software, uma empresa especializada em conectar bancos ao sistema do Pix. Essas instituições não possuem acesso próprio à infraestrutura do Banco Central e, por isso, dependem da C&M como ponte técnica para realizar as operações de transferência.
Ao detectar a falha, o Banco Central agiu rapidamente e determinou o desligamento imediato das conexões operadas pela C&M, para evitar que o ataque se propagasse ou causasse mais danos. Com isso, bancos clientes da empresa ficaram momentaneamente sem acesso ao Pix.
Em nota oficial, o BC esclareceu:
“A C&M Software comunicou ataque à sua infraestrutura tecnológica. O Banco Central determinou à C&M o desligamento do acesso das instituições às infraestruturas por ela operadas.”
O órgão também afirmou que nenhum sistema próprio do BC foi afetado e que o Pix, em sua essência, continua operando normalmente. O problema se restringiu ao elo de conexão entre os bancos e o sistema central.
Banco Paulista confirma instabilidade

Um dos primeiros a se manifestar foi o Banco Paulista, uma das instituições atingidas. O banco informou que a falha no serviço de Pix foi consequência direta de uma “falha no provedor terceirizado” e garantiu que dados sensíveis não foram comprometidos.
“A falha foi externa, não comprometeu dados sensíveis nem gerou movimentações indevidas”, comunicou a instituição, em nota à imprensa.
O banco afirmou que suas equipes técnicas estão trabalhando em conjunto com o Banco Central e com a C&M para retomar a normalidade do sistema.
BMP: desvio de valores em contas de liquidação
Outra instituição afetada, a BMP, relatou um acesso indevido a contas reservas mantidas junto ao Banco Central. Essas contas são utilizadas exclusivamente para liquidação de operações entre bancos e não têm relação com contas de clientes finais.
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Apesar do impacto, a BMP tranquilizou o mercado:
“Reforçamos que nenhum cliente da BMP foi impactado ou teve seus recursos acessados. A instituição adotou todas as medidas operacionais e legais cabíveis e conta com colaterais suficientes para cobrir integralmente o valor impactado.”
A extensão do valor desviado ainda não foi oficialmente divulgada, mas, segundo fontes do setor, os danos financeiros teriam sido parcialmente contidos devido à ação rápida das instituições envolvidas.
O silêncio da C&M Software

Até o momento da publicação, a C&M Software não havia se pronunciado publicamente sobre o ataque. A empresa, pouco conhecida do grande público, desempenha papel fundamental para instituições menores que não possuem estruturas próprias para operar diretamente com o Banco Central.
A ausência de resposta por parte da C&M amplia as incertezas sobre a extensão da invasão hacker e os riscos potenciais para o sistema como um todo.
Com informações de: EXTRA
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