Pix domina pagamentos no Brasil: estudo do Google mostra queda do uso de dinheiro físico
O dinheiro físico está rapidamente deixando de ser protagonista nas transações cotidianas dos brasileiros. Em seu lugar, o Pix, sistema de pagamento instantâneo lançado em 2020 pelo Banco Central, consolida-se como o principal meio de pagamento do país, conforme mostra uma nova pesquisa realizada pelo Google.
Destaques:
Estudo do Google revela: Pix domina pagamentos e dinheiro físico cai. Descubra aqui os motivos e veja o impacto no Brasil. Leia agora!!
A edição 2025 do levantamento “Pagamentos em Transformação: Do Dinheiro ao Código” escancara essa transição: apenas 6% dos entrevistados ainda usam papel-moeda com frequência, enquanto 62% elegem o Pix como sua forma mais comum de pagamento. Essa mudança comportamental revela um Brasil cada vez mais conectado à era digital.
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Pix e o mercado de pagamentos: O avanço da era cashless
O estudo retrata um Brasil onde a “Era Cashless” se torna realidade. Em 2019, o uso de dinheiro em espécie ainda era dominante entre 43% da população. Cinco anos depois, esse número caiu drasticamente, com o Pix assumindo o protagonismo nas carteiras digitais e celulares de milhões de brasileiros.
O novo comportamento é reflexo direto da bancarização crescente e da aceleração digital no país. Segundo o estudo, o Pix está presente entre 93% da população adulta, atravessando fronteiras de idade, classe social e região.
A digitalização da vida financeira
A popularidade do Pix está diretamente relacionada a seu modelo gratuito, rápido e acessível. Como ferramenta digital sem tarifas para pessoas físicas, ele caiu no gosto da população e facilitou a inclusão bancária de milhões. Hoje, pagar um lanche, fazer um depósito ou quitar uma dívida pode ser feito com poucos cliques.
Outro fator de destaque é a integração do Pix com carteiras digitais e aplicativos bancários. Com o crescimento do uso de smartphones, transações se tornaram ainda mais práticas, refletindo uma nova realidade onde o tempo e a conveniência são moedas valiosas.
Perfil da pesquisa
A pesquisa foi encomendada pelo Google à empresa Offerwise e ouviu 3 mil pessoas com mais de 18 anos em todas as regiões do Brasil. A coleta dos dados foi feita entre o final de 2024 e o início de 2025, com metodologia digital e abrangente, garantindo representatividade nacional.
A margem de erro é mínima, e os dados refletem fielmente a adoção tecnológica e a transformação no comportamento de pagamento dos brasileiros.
Fatores que impulsionam o Pix
Entre os principais motivos para a escolha do Pix como meio de pagamento preferido, destacam-se três fatores centrais: segurança, praticidade e ausência de tarifas.
- Segurança: citada por 41% dos entrevistados
- Facilidade de uso: mencionada por 37%
- Isenção de taxas: relevante para 36%
Esse tripé explica por que o sistema criado pelo Banco Central se consolidou como a solução mais adequada para o dia a dia do brasileiro médio, inclusive em regiões antes excluídas do sistema bancário formal.
Um sistema em expansão
Mesmo sendo uma tecnologia recente, o Pix já responde por 47% de todas as transações financeiras realizadas no Brasil até o fim de 2024. A velocidade de adoção impressiona analistas e instituições financeiras ao redor do mundo.
Além de transferências entre pessoas físicas, o sistema também ganhou espaço no comércio, entre empreendedores informais, prestadores de serviço e até no pagamento de impostos.
A palavra do Google
Segundo Gustavo Pena, head de Indústria do Google Brasil, o mercado está vivenciando uma revolução centrada na experiência do usuário. Em nota, ele afirmou que o Pix “redefiniu a velocidade e a facilidade das transações”, colocando pressão sobre o setor para inovar em segurança, benefícios e conveniência.
A observação do executivo resume bem a lógica do consumidor moderno: busca por agilidade, confiança e custo zero. Nesse novo cenário, quem não se adapta, fica para trás.
Cartão de crédito resiste à queda
Apesar da ascensão do Pix, o cartão de crédito ainda mantém seu espaço como segundo meio de pagamento mais popular no país. Ele é especialmente valorizado em compras mais complexas ou de alto valor, como passagens aéreas, reservas de hotéis ou produtos eletrônicos.
A pesquisa aponta que, nos últimos cinco anos, 58% dos brasileiros aumentaram o uso de cartões. A emissão triplicou na última década, e isso se deve a três principais razões:
- Programas de recompensas: 20%
- Aumento do limite: 20%
- Hábito consolidado: 17%
Os consumidores valorizam especialmente os benefícios oferecidos, como a ausência de anuidade (81%) e os programas de fidelidade e milhas (57%).
A convivência entre Pix e cartões
Apesar da percepção de que o Pix poderia “substituir” os cartões, o que se observa é uma convivência complementar. O consumidor moderno utiliza ambos conforme o contexto da compra, aproveitando as vantagens específicas de cada um.
Enquanto o Pix reina na rapidez e no custo zero, o cartão ainda é a melhor escolha quando há parcelamentos, acúmulo de pontos ou compras online com garantia estendida.
Impactos no sistema bancário
A rápida adoção do Pix vem forçando bancos e fintechs a repensarem seus produtos. O modelo tradicional de tarifas, tão comum até poucos anos atrás, está em declínio. Hoje, oferecer soluções digitais competitivas se tornou uma exigência para manter a base de clientes.
O efeito colateral mais visível é a queda no uso de caixas eletrônicos, no número de agências físicas e até na emissão de cheques, que se tornaram quase obsoletos.
Inclusão digital e social
O impacto do Pix não se limita às transações financeiras. Ele tem atuado como um verdadeiro vetor de inclusão econômica. Muitos brasileiros que antes dependiam de dinheiro vivo passaram a ter controle digital sobre suas finanças.
Isso fortalece a economia informal e possibilita novos modelos de negócio, desde o pequeno vendedor de rua até empreendedores que antes operavam completamente fora do radar financeiro tradicional.
Os desafios da nova era
Mesmo com todos os avanços, a consolidação do Pix e da economia digital traz novos desafios. Entre eles, destacam-se:
- A necessidade de educação financeira digital
- A proteção contra golpes e fraudes online
- A garantia de acessibilidade tecnológica em regiões remotas
O Banco Central e instituições privadas precisam trabalhar em conjunto para que a transformação seja, de fato, inclusiva, segura e sustentável.
Tendências para o futuro
A tendência é que o Pix continue evoluindo. Novas funcionalidades, como o Pix Garantido (voltado para parcelamentos), e integrações com carteiras internacionais, já estão sendo discutidas.
Além disso, o avanço de open finance, inteligência artificial e identidade digital podem transformar ainda mais a experiência de pagamento nos próximos anos.
O Brasil vive uma revolução silenciosa, mas profunda, na forma como movimenta seu dinheiro. Em poucos anos, o Pix passou de novidade a protagonista, moldando o comportamento de milhões de brasileiros e empurrando o país para uma economia mais digital, ágil e democrática.
A redução no uso do dinheiro físico não é apenas um reflexo tecnológico, mas também social e econômico. O Pix se tornou um símbolo de modernidade e inclusão, e o estudo do Google é a prova viva dessa transformação.