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Nova regra do Pix entra em vigor em 1º de setembro; entenda o prazo de 80 dias

Pix ganha reforços contra golpes em 2026. Veja como funciona o MED, o rastreamento de valores e o que muda para os usuários.

Melissa BarbosaPor Melissa Barbosa··8 min de leitura
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O Pix terá novas medidas de segurança a partir de setembro de 2026, com mudanças voltadas principalmente ao combate a golpes, fraudes e falhas operacionais. As atualizações determinadas pelo Banco Central (BC) ampliam o rastreamento de transações contestadas e podem facilitar a localização de valores depois que o dinheiro passa por diferentes contas.

A principal novidade envolve o aperfeiçoamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta criada para permitir o bloqueio e a tentativa de recuperação de recursos enviados em situações de fraude. Com as mudanças, será possível acompanhar com mais precisão o caminho percorrido pelo dinheiro.

A estratégia busca atingir uma prática comum em golpes: transferir rapidamente os valores recebidos para outras contas, dificultando a localização e o bloqueio do dinheiro.

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O que muda no Pix a partir de setembro?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

Uma das principais alterações está relacionada às informações disponíveis durante a abertura de uma Notificação de Infração, procedimento utilizado para comunicar uma suspeita de fraude ao sistema.

Entre os novos dados está a posição de determinada transação dentro da cadeia de movimentações. Isso permite que as instituições tenham uma visão mais ampla sobre o percurso dos recursos envolvidos na ocorrência.

Na prática, se uma vítima transfere R$ 3 mil para uma conta utilizada por criminosos e o dinheiro é imediatamente dividido entre outras contas, o rastreamento poderá considerar essas movimentações posteriores.

O objetivo é evitar que uma transferência rápida entre diferentes instituições seja suficiente para esconder a origem dos recursos.

Como funciona o novo MED?

O Mecanismo Especial de Devolução foi criado pelo Banco Central para situações em que o Pix está relacionado a fraude, golpe ou crime.

Quando a vítima identifica uma operação fraudulenta, deve comunicar imediatamente a instituição financeira responsável pela transação. O banco pode então abrir o procedimento de contestação e comunicar a instituição que recebeu os recursos.

Com o aprimoramento do mecanismo, o rastreamento passa a ser mais abrangente, permitindo acompanhar movimentações realizadas depois do recebimento inicial.

Isso não significa, porém, que o dinheiro será automaticamente devolvido.

A recuperação depende de ainda existirem recursos disponíveis nas contas alcançadas pelo procedimento. Caso o dinheiro já tenha sido sacado, gasto ou transferido para locais que não possam ser recuperados, o ressarcimento poderá ser parcial ou não ocorrer.

Quem cair em um golpe deve agir rapidamente

O tempo é um dos fatores mais importantes depois de uma fraude envolvendo Pix.

Ao perceber que foi enganado, o consumidor deve entrar em contato imediatamente com o banco ou instituição de pagamento utilizada para realizar a transferência e solicitar a contestação.

Também é recomendável guardar o comprovante do Pix, conversas com o golpista, números de telefone, anúncios, links, dados da conta de destino e qualquer outra evidência relacionada à ocorrência.

Essas informações podem auxiliar a instituição financeira e as autoridades na investigação.

O pedido de devolução pelo MED pode ser realizado em até 80 dias após a transação, nos casos enquadrados nas regras do mecanismo. Mesmo com esse prazo, esperar pode reduzir as chances de recuperar os valores.

O MED não serve para qualquer Pix enviado por engano

Um ponto que costuma gerar dúvidas é a diferença entre fraude e erro cometido pelo próprio usuário.

Se uma pessoa digitar uma chave Pix incorreta e enviar dinheiro para outra conta, por exemplo, isso não significa automaticamente que poderá utilizar o MED para recuperar o valor.

O mecanismo é destinado principalmente a situações de fraude, golpe e determinadas falhas operacionais.

Por isso, quem fizer um Pix por engano deve procurar a instituição financeira e tentar resolver a situação diretamente com o banco e o destinatário.

Banco Central também prepara indicador de probabilidade de fraude

O MED não é a única iniciativa em andamento.

O Banco Central também trabalha em um indicador de probabilidade de fraude, que poderá utilizar inteligência artificial e técnicas de machine learning, ou aprendizado de máquina, para identificar características suspeitas em determinadas operações.

A proposta é criar uma ferramenta capaz de avaliar uma transação em tempo real e fornecer informações adicionais aos mecanismos antifraude das instituições.

Uma operação considerada fora do padrão, por exemplo, poderia receber uma análise mais rigorosa antes de ser concluída.

O projeto ainda está em desenvolvimento. Por isso, não significa que todos os bancos já tenham acesso a um novo sistema de pontuação de fraude criado pelo BC.

Instituições consideradas de risco podem enfrentar restrições

O Banco Central também avalia medidas mais rigorosas para instituições que apresentem problemas relacionados à segurança do Pix.

Entre as possibilidades estão restrições para cadastrar novas chaves, limitações de valores, restrições de horários para determinadas operações e até impedimentos relacionados ao acesso à infraestrutura do sistema.

Essas medidas fazem parte de uma estratégia mais ampla para reduzir vulnerabilidades dentro do ecossistema financeiro.

O regulador também trabalha na padronização de alertas para clientes quando uma transação apresentar indícios de fraude. A intenção é fazer com que as instituições ofereçam informações mais claras e uniformes aos usuários.

Chaves Pix também entram nas mudanças

A segurança das chaves Pix continua sendo acompanhada pelo Banco Central.

As instituições financeiras precisam verificar a compatibilidade dos dados dos titulares das chaves com as informações disponíveis na Receita Federal.

Quando existem indícios de fraude, uma chave, CPF ou CNPJ pode receber uma marcação de fraude. Essa informação pode ser compartilhada entre instituições participantes para ajudar a impedir novas operações suspeitas.

A medida dificulta que uma conta associada a atividades fraudulentas continue sendo utilizada normalmente para receber novos pagamentos.

Pix de R$ 0,01 será proibido?

Não.

As discussões envolvendo transferências de R$ 0,01 estão relacionadas principalmente ao uso indevido de determinadas funcionalidades do Pix.

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Operações de valor muito baixo podem ser utilizadas, por exemplo, para testar se uma conta está ativa ou iniciar contato com outra pessoa por meio do campo de mensagem da transferência.

O Banco Central acompanha esse tipo de comportamento e discute alternativas para aumentar a segurança sem comprometer a utilização normal do sistema.

Portanto, não há uma regra geral determinando que Pix de R$ 0,01 será proibido.

O que muda para quem usa Pix todos os dias?

Para a maioria dos usuários, as mudanças ocorrerão principalmente nos bastidores.

Não será necessário alterar a forma habitual de fazer um Pix. O usuário continuará podendo realizar transferências normalmente, respeitando os limites e mecanismos de segurança definidos pela instituição financeira.

A principal diferença estará na estrutura utilizada pelos bancos para identificar operações suspeitas, rastrear recursos e agir diante de uma fraude.

Mesmo assim, alguns cuidados continuam indispensáveis.

Antes de confirmar uma transferência, confira o nome do destinatário, o banco e o valor. Desconfie de pedidos urgentes, principalmente quando alguém solicitar que você ignore alertas de segurança ou faça uma transferência para uma conta diferente da habitual.

Como aumentar a segurança do Pix?

Alguns cuidados simples podem reduzir consideravelmente o risco de cair em golpes:

  • confira os dados do destinatário antes de confirmar a operação;
  • não compartilhe senhas ou códigos de autenticação;
  • evite clicar em links recebidos de remetentes desconhecidos;
  • desconfie de pedidos urgentes de transferência;
  • mantenha o aplicativo do banco atualizado;
  • utilize limites de Pix compatíveis com sua rotina;
  • em caso de fraude, comunique o banco imediatamente;
  • guarde comprovantes e conversas relacionadas ao golpe.

A rapidez também é fundamental. Quanto antes a instituição for informada sobre uma fraude, maiores podem ser as possibilidades de bloquear recursos que ainda estejam disponíveis.

Pix vai ficar mais seguro com as novas regras?

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Imagem: Edição/ Seu Crédito Digital

As mudanças representam um avanço na estrutura de proteção do sistema, principalmente porque ampliam a capacidade de rastrear o dinheiro depois que ele sai da primeira conta.

O MED aprimorado pode dificultar uma das estratégias utilizadas por criminosos: pulverizar rapidamente os recursos entre diferentes contas para dificultar sua recuperação.

Ainda assim, nenhuma ferramenta elimina completamente os golpes.

A segurança depende de uma combinação entre mecanismos tecnológicos, fiscalização das instituições e comportamento dos próprios usuários. Por isso, mesmo com as novas regras, conferir cuidadosamente os dados antes de confirmar um Pix continua sendo fundamental.

Conclusão

As novas medidas do Banco Central reforçam a segurança do Pix e aumentam a capacidade das instituições de acompanhar recursos relacionados a golpes e fraudes.

O principal avanço está no aprimoramento do MED, que permite um rastreamento mais amplo do dinheiro e pode aumentar as chances de recuperação quando os recursos ainda estiverem disponíveis.

Outras iniciativas, como o indicador de probabilidade de fraude, melhorias na gestão das chaves e novas exigências para instituições financeiras, também fazem parte da estratégia de proteção do sistema.

Para o consumidor, a orientação é simples: conferir os dados antes de transferir, desconfiar de solicitações suspeitas e, caso caia em um golpe, procurar o banco imediatamente para contestar a operação.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

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