O Pix terá novos reforços de segurança a partir de setembro de 2026. As mudanças fazem parte da agenda do Banco Central (BC) para ampliar o combate a golpes e dificultar a movimentação de valores obtidos por criminosos.
O principal avanço está relacionado ao Mecanismo Especial de Devolução (MED), utilizado quando uma transferência está ligada a fraude, golpe ou crime. A atualização busca melhorar o rastreamento do dinheiro mesmo depois que os valores deixam a primeira conta utilizada pelos criminosos.
A mudança é importante porque um dos principais obstáculos para recuperar recursos é justamente a velocidade das transferências. Após receber um Pix de uma vítima, golpistas podem tentar movimentar o dinheiro rapidamente entre várias contas, dificultando sua localização.
O Banco Central já prevê, em sua agenda de segurança de 2026, ações como a evolução do MED, a elaboração de um indicador de probabilidade de fraude e melhorias em mecanismos de bloqueio cautelar.
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MED terá reforço no rastreamento de transferências
A partir das mudanças previstas para setembro, as instituições financeiras poderão contar com informações mais detalhadas sobre a posição de uma operação contestada dentro da cadeia de movimentações.
Em termos práticos, isso significa que a análise poderá acompanhar o caminho percorrido pelos valores após uma fraude. Se um golpista receber R$ 3 mil e transferir o dinheiro para outra conta, que depois envia parte dos recursos para novos destinos, o sistema poderá oferecer elementos adicionais para identificar essa sequência.
A atualização do Manual Operacional do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), que integra a estrutura do Pix, inclui ajustes nas notificações de infração, no MED e na recuperação de valores. Parte das alterações passa a valer em 1º de setembro de 2026.
Como funciona o MED em caso de golpe?
O MED é um mecanismo exclusivo do Pix para facilitar a devolução de valores em situações de fraude, golpe ou crime. A vítima deve comunicar a ocorrência à instituição financeira utilizada para fazer a transferência.
Segundo as orientações do Banco Central, o pedido pode ser feito em até 80 dias após a realização do Pix. No entanto, agir rapidamente continua sendo fundamental, pois a possibilidade de recuperação depende, entre outros fatores, de haver recursos disponíveis para bloqueio.
É importante destacar que o MED não serve para qualquer situação. O mecanismo não é destinado, por exemplo, a casos em que o consumidor se arrepende de uma compra, envia um Pix por engano ou enfrenta um desacordo comercial.
Dinheiro poderá ser rastreado além da primeira conta
A melhoria no rastreamento busca enfrentar a chamada pulverização de recursos. Essa estratégia consiste em dividir e transferir rapidamente o dinheiro para diferentes contas, tornando mais difícil encontrar o valor na conta inicialmente utilizada para receber a transferência.
Com mais informações sobre a cadeia de movimentações, os participantes do sistema poderão analisar melhor o trajeto dos recursos contestados. Isso não significa, porém, garantia de devolução integral: cada caso depende dos procedimentos de análise e da existência de valores que possam ser bloqueados e recuperados.
Banco Central estuda inteligência artificial contra fraudes
Outra iniciativa em desenvolvimento é a criação de um indicador de probabilidade de fraude no Pix. O tema aparece na agenda de segurança discutida no Fórum Pix, espaço coordenado pelo Banco Central para debates técnicos sobre a evolução do sistema.
A proposta é utilizar dados e mecanismos tecnológicos para ajudar na identificação de operações que apresentem sinais de maior risco. Uma ferramenta desse tipo poderá auxiliar os sistemas antifraude das instituições na análise de transferências em tempo real.
O desenvolvimento e a implementação de novas soluções, no entanto, dependem de definições técnicas, operacionais e regulatórias. Por isso, medidas que ainda estão em estudo não devem ser confundidas com regras já obrigatórias para todos os usuários do Pix.
Regras de segurança também exigem atenção das instituições
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As mudanças não são direcionadas apenas ao consumidor. O Banco Central também estabelece exigências de segurança para bancos e demais participantes do Pix.
Em junho de 2026, o BC publicou uma nova versão do Manual de Segurança do Sistema Financeiro Nacional, incluindo um volume específico dedicado à segurança do Pix. Alguns requisitos tiveram cronograma de adequação com prazo até 6 de setembro de 2026 para o ambiente de produção.
O objetivo é reforçar a capacidade das instituições de prevenir incidentes e identificar riscos antes que eles provoquem prejuízos aos clientes e ao sistema.
Alertas e bloqueios podem ajudar a evitar novos golpes
O Pix já possui mecanismos que permitem às instituições usar informações relacionadas a suspeitas de fraude em seus processos de análise. As notificações de infração podem gerar marcações associadas a chaves Pix, CPF, CNPJ ou contas, fornecendo subsídios para decisões de autorização, retenção ou bloqueio de transações.
Esses recursos são importantes porque o combate às fraudes não depende apenas de recuperar o dinheiro depois do golpe. A prevenção também busca identificar padrões suspeitos antes que uma nova transferência seja concluída.
E os Pix de R$ 0,01?

Operações de valor muito baixo também são objeto de discussões técnicas dentro da evolução do Pix. O uso de transferências de centavos para testar contas ou tentar enviar mensagens pode ser analisado pelo sistema regulatório e pelos participantes quando houver risco de utilização abusiva.
A intenção das discussões é encontrar soluções que reduzam usos indevidos sem prejudicar a praticidade das transferências legítimas. Até o momento, isso não significa que o usuário comum ficará impedido de realizar normalmente um Pix de baixo valor.
Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital



