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Recupere seu dinheiro: o Pix agora devolve valores em casos de fraude

Nova regra do Pix permite rastrear e devolver valores mesmo após transferência para outras contas.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O Pix, sistema de pagamentos instantâneos que revolucionou as transações bancárias no Brasil, acaba de dar mais um passo em direção à segurança digital e à proteção dos usuários. Desde outubro de 2025, uma nova funcionalidade do Mecanismo Especial de Devolução (MED) entrou em vigor, permitindo que o dinheiro desviado em fraudes seja rastreado e devolvido mesmo após ser transferido para outras contas.

A medida, implementada pelo Banco Central (BC), é um avanço importante no combate a crimes cibernéticos envolvendo o Pix. Antes da atualização, os recursos só podiam ser recuperados se ainda estivessem disponíveis na conta de destino inicial. Agora, o sistema identifica e bloqueia valores que tenham sido repassados a outras contas, dificultando a ação de golpistas.

Segundo o BC, a funcionalidade estará disponível de forma opcional até fevereiro de 2026, quando se tornará obrigatória para todas as instituições financeiras participantes do sistema Pix.

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Como funciona o novo mecanismo de devolução do Pix

Do que se trata o MED?

O Mecanismo Especial de Devolução (MED) foi criado em 2021 para permitir que valores transferidos por Pix em situações de fraude comprovada ou erro operacional fossem devolvidos ao cliente que sofreu o prejuízo. No entanto, a primeira versão apresentava limitações: a devolução só era possível se o valor ainda estivesse na conta de quem recebeu originalmente.

Com a evolução dos golpes, os criminosos passaram a esvaziar essas contas quase que imediatamente após o recebimento, enviando os valores para outras contas — muitas vezes de terceiros (conhecidos como “laranjas”) — o que inviabilizava o rastreio e a recuperação.

O que muda com a nova regra?

A nova versão do MED amplia o rastreamento. Agora, as instituições participantes podem buscar os valores desviados mesmo após repasses intermediários, ou seja, mesmo se o valor já tiver sido transferido para uma segunda ou terceira conta.

O compartilhamento de informações entre os bancos também foi aprimorado. O BC afirma que isso “ajudará a impedir que essas contas sejam usadas em novas fraudes”, além de aumentar as chances de devolução dos valores perdidos.

Além disso, há um novo canal de autoatendimento que possibilita a contestação da transação diretamente no app do banco, sem precisar falar com um atendente.

Autoatendimento: contestar um Pix fraudulento ficou mais simples

Novo canal nos apps bancários

Desde 1º de outubro de 2025, todos os bancos e instituições financeiras foram obrigados a incluir em seus aplicativos uma opção específica dentro do ambiente Pix para contestação de transações.

Esse canal de autoatendimento foi criado para:

  • Agilizar o processo de devolução;
  • Diminuir o tempo de resposta entre a contestação e o bloqueio dos valores;
  • Facilitar o acesso do cliente sem a necessidade de atendimento humano imediato.

Etapas do processo automatizado

  1. O usuário identifica que sofreu um golpe ou erro;
  2. Acessa o app do banco, na área Pix, e clica em “Contestar transação”;
  3. O sistema inicia o processo de verificação automática;
  4. Havendo indícios de fraude, os valores podem ser bloqueados preventivamente;
  5. Se confirmada a irregularidade, a devolução é feita em até 11 dias.

Por que essa mudança é importante?

Golpes com Pix: um problema crescente

Nos últimos anos, fraudes com Pix se tornaram um dos crimes cibernéticos mais comuns no Brasil, aproveitando a agilidade das transferências para aplicar golpes antes que as vítimas percebam.

Entre os principais tipos de fraudes, estão:

  • Falsas centrais de atendimento;
  • Perfis falsos em redes sociais;
  • QR codes adulterados;
  • Golpes do falso empréstimo ou pagamento antecipado.

Segundo dados recentes do próprio Banco Central, o número de registros de tentativas de fraude com Pix subiu mais de 60% entre 2023 e 2024, tornando urgente a revisão das ferramentas de proteção e devolução.

Ações mais rápidas significam mais devoluções

O tempo é um fator crucial para o sucesso do pedido de devolução. Com o novo mecanismo e o canal de autoatendimento, a expectativa é que os valores ainda estejam nas contas receptoras ou nas contas intermediárias, aumentando as chances de recuperação.

A devolução agora pode ser feita mesmo que o dinheiro tenha saído da conta fraudulenta original, fechando uma das brechas mais exploradas por criminosos até aqui.

O que continua igual no MED?

Situações que permitem devolução

O MED só pode ser utilizado nos seguintes casos:

  • Fraude comprovada, como golpes eletrônicos, estelionato digital e acessos indevidos;
  • Erro operacional das instituições, como falhas no sistema que resultem em envios incorretos.

Casos que não se enquadram no MED

A devolução não será possível em casos como:

  • Erro de digitação da chave Pix por parte do pagador;
  • Conflitos comerciais entre comprador e vendedor;
  • Desacordos entre pessoas físicas de boa-fé, como empréstimos não formalizados.

Nestes casos, a solução depende de negociação direta ou recurso judicial, fora do escopo automático do MED.

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Quando a nova regra será obrigatória?

De acordo com o cronograma do Banco Central:

  • A nova funcionalidade do MED está disponível de forma opcional desde outubro de 2025;
  • A partir de 2 de fevereiro de 2026, o uso do novo modelo passa a ser obrigatório para todas as instituições financeiras que operam com Pix.

O prazo foi estabelecido para que as instituições realizem adaptações técnicas, ajustes operacionais e capacitação de suas equipes.

Como as instituições financeiras devem se preparar?

Ajustes obrigatórios

Bancos, fintechs e carteiras digitais devem implementar:

  • Sistemas de rastreabilidade aprimorada;
  • Integração com a base compartilhada de dados do BC;
  • Canal de autoatendimento no app com opção de contestação;
  • Políticas de monitoramento e resposta a fraudes.

Essas medidas visam garantir que todas as instituições estejam aptas a operar com a nova versão do MED dentro do prazo legal.

Orientações para o consumidor

O que fazer se cair em um golpe?

  1. Aja rápido: quanto antes o pedido for feito, maiores as chances de sucesso;
  2. Acesse o aplicativo do banco e vá até a área do Pix;
  3. Clique na opção de contestar transação;
  4. Acompanhe o processo pelo aplicativo e aguarde a resposta;
  5. Caso a devolução não ocorra, é possível buscar reparação judicial com ajuda de advogado ou defensor público.

Dicas para evitar fraudes com Pix

  • Nunca informe seus dados bancários ou senhas a terceiros;
  • Desconfie de pedidos de pagamento por WhatsApp ou redes sociais;
  • Verifique a autenticidade de links e QR codes antes de pagar;
  • Ative a verificação em duas etapas nos aplicativos bancários;
  • Use limites de valor por horário disponíveis no próprio app.

Expectativas do Banco Central

O Banco Central espera reduzir drasticamente o uso do Pix em fraudes, principalmente aquelas que envolvem redes de contas laranjas. Com a nova possibilidade de rastrear e bloquear valores mesmo após repasses, o Pix se torna um sistema ainda mais seguro e confiável.

Além disso, a medida fortalece a relação de confiança entre usuário e instituições financeiras, mantendo a credibilidade do Pix como o principal meio de pagamento digital do país.

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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