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Pagamentos instantâneos viram tendência global — tudo começou com o Pix brasileiro

Pix inspira mundo e vira tendência global em pagamentos instantâneos, da Colômbia aos EUA, com novas funções em teste.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
pagamentos instantâneos

Uma transação via Pix leva, no máximo, 10 segundos. O dado, que já virou rotina para os brasileiros, impressiona ainda mais quando comparado ao sistema Swift (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication), rede global usada há décadas para transferências internacionais entre bancos.

No Swift, as operações são caras, burocráticas e podem levar dias para serem concluídas. Esse contraste ajuda a explicar o crescente interesse de outros países em estudar e adotar o modelo brasileiro de pagamentos instantâneos, criado pelo Banco Central em 2020.

Leia mais: Cartão de crédito ou Pix parcelado: qual escolher?

Pix como inspiração global

pix
Imagem: rafapress/shutterstock.com

Um dos exemplos mais recentes vem da Colômbia, que testa o Bre-B, apelidado de “Pix local”. A proposta é ampliar a inclusão financeira, reduzir a dependência do dinheiro em espécie e oferecer uma ferramenta ágil e acessível à população.

Para Sebastian Fantini, diretor de produtos do Ebanx, trata-se de um marco.

“Esse é o ponto de partida para uma tendência global”, afirmou em entrevista ao Deu Tilt, podcast do UOL.

Fantini lembra que a inovação brasileira não se restringe à instantaneidade. A própria cultura de pagamentos parcelados, comum no Brasil desde os anos 1980 e 1990, começa agora a ser exportada e testada em países como os Estados Unidos, sob o nome de “buy now, pay later” (compre agora, pague depois).

O impacto cultural do Pix

Segundo Fantini, o hábito de parcelar nasceu em meio à inflação alta no Brasil, como forma de manter o poder de compra da população. Essa tradição moldou a relação dos consumidores com o crédito e agora influencia modelos globais de pagamento.

“O brasileiro está acostumado com parcelas. Lá fora não é algo comum. Isso nasceu historicamente nos anos 1980, 1990 por conta da inflação muito alta, e foi um dos mecanismos para aumentar o poder de compra da população”, explica.

O Pix, portanto, é mais do que uma ferramenta tecnológica: tornou-se símbolo de inclusão financeira, acessível a diferentes faixas de renda e idades, já presente em 93% da população adulta do Brasil.

Evolução constante: Pix automático, agendado e internacional

Desde seu lançamento, o Pix não parou de evoluir. Recentemente, ganhou uma nova função: o Pix automático, criado para facilitar o pagamento de contas recorrentes como água, luz, mensalidades escolares, assinaturas e outros serviços.

Diferente do débito automático, que depende de acordos entre bancos, o Pix automático é mais transparente e flexível.

Fantini detalha:

“A concepção do produto coloca o usuário no controle. A empresa envia um pedido de autorização e fica claro o valor cobrado, a frequência, os limites. E o usuário consegue cancelar a qualquer momento.”

Além do Pix automático, o Banco Central já trabalha em novas modalidades:

  • Pix agendado: programar transferências para datas futuras.
  • Pix por voz: com comandos simples, integrados a assistentes digitais.
  • Pix internacional: objetivo de facilitar transferências globais, eliminando parte da burocracia do Swift.

O contraponto do sistema Swift

O Swift é hoje o padrão internacional para transferências entre bancos. No entanto, enfrenta críticas pelo alto custo e lentidão.

Enquanto o Pix realiza pagamentos instantâneos sem tarifas diretas para o usuário, o Swift pode demorar até 3 dias úteis e cobrar taxas de US$ 20 a US$ 50 por transação.

Essa discrepância aumenta a pressão para que bancos centrais e fintechs adotem sistemas de liquidação mais ágeis. Segundo analistas, a ascensão de alternativas como o Pix pode forçar uma modernização do próprio Swift, que já trabalha em atualizações para não perder relevância.

Inclusão financeira e impacto social

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O avanço do Pix também deve ser analisado sob a ótica social. No Brasil, milhões de pessoas passaram a ter acesso a transações digitais sem precisar de cartões de crédito ou contas bancárias tradicionais.

Essa inclusão reduziu custos, simplificou o acesso ao dinheiro e impulsionou pequenos empreendedores e autônomos, que podem receber pagamentos imediatos.

O exemplo brasileiro está sendo observado por países emergentes, onde a bancarização ainda é baixa. Para economistas, a adoção de sistemas semelhantes pode reduzir desigualdades e aumentar a participação da população em atividades formais da economia.

A disputa global por inovação financeira

Nova plataforma digital da Copasa simplifica pagamento das contas de água pagamentos instantâneos
Imagem: yanalya/Freepik

O sucesso do Pix acendeu um sinal de alerta no setor bancário internacional. Países como Índia, México e Colômbia já implementam ou estudam versões locais. Paralelamente, gigantes de tecnologia e fintechs buscam lançar soluções privadas inspiradas no modelo brasileiro.

Especialistas apontam que o futuro será marcado por interoperabilidade: sistemas nacionais capazes de se comunicar entre si, permitindo que um Pix feito no Brasil chegue de forma instantânea a contas no exterior.

Esse movimento pode remodelar não apenas o mercado de pagamentos, mas também o comércio internacional e o turismo.

Conclusão: do Brasil para o mundo

O Pix nasceu como uma solução brasileira para agilizar transações, mas rapidamente se transformou em referência mundial. Com adesão maciça da população, constante evolução tecnológica e impacto na cultura de consumo, o sistema se consolidou como um modelo de eficiência e inclusão financeira.

Enquanto países desenvolvidos ainda testam funcionalidades já familiares aos brasileiros, como parcelamento e transferências instantâneas, o Pix avança para novas fronteiras, incluindo sua versão internacional.

O que começou como uma resposta a problemas locais hoje inspira uma tendência global em pagamentos digitais.

Com informações de: UOL

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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