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Nova função do Pix permite parcelamento e pode revolucionar pagamentos e crédito

O Pix Parcelado chega para transformar o mercado de crédito e pagamentos. Entenda como funciona, quem pode usar e quais são os riscos.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos6 min de leitura
pix

O Pix, criado pelo Banco Central em 2020, se tornou o meio de pagamento mais popular do país. Agora, o sistema caminha para uma nova fase com o Pix Parcelado, que deve ser regulamentado oficialmente nos próximos dias.

A modalidade promete ampliar o acesso ao crédito e transformar a maneira como brasileiros compram e pagam. Continue lendo para entender o impacto dessa inovação.

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O que é o Pix Parcelado e como vai funcionar

Pix brasil
Imagem: Freepik e Canva

A nova função do Pix permitirá que consumidores parcelarem compras e transferências, mesmo sem possuir cartão de crédito. O valor será financiado por meio de uma linha de crédito pré-aprovada oferecida pelo banco ou fintech onde o cliente tem conta.

Na prática, o Pix deixa de ser apenas um meio de pagamento instantâneo para se tornar também um instrumento de crédito, o que pode mexer com toda a indústria financeira.

Segundo a agência de classificação Fitch Ratings, o Pix Parcelado deve ser “a maior disrupção financeira desde o lançamento do Pix original”. Isso porque ele atinge diretamente bancos e bandeiras de cartão, como Visa e Mastercard, que poderão perder espaço no mercado de crédito rotativo.

Vantagens do Pix Parcelado para consumidores e lojistas

Para consumidores, a principal vantagem é acessar crédito com menos burocracia e, em muitos casos, com juros menores do que os cobrados no rotativo do cartão.

De acordo com Ivo Mósca, diretor de Inovação da Febraban,

“A rolagem dessa dívida seria em cima da taxa do Pix Parcelado, e não da taxa de juro de rotativo de cartão, que é mais alta. Em um eventual gargalo financeiro, o impacto para o consumidor será menor.”

As taxas médias giram entre 2,9% e 3,9% ao mês, com parcelamentos de até quatro meses.

Para lojistas, o benefício está na redução de custos com maquininhas e taxas cobradas pelas bandeiras de cartão. Pequenos empreendedores poderão ampliar as vendas e oferecer parcelamento sem depender de operadoras tradicionais.

Pix Parcelado já existe em alguns bancos

Mesmo antes da regulamentação, grandes bancos e fintechs já oferecem versões do Pix Parcelado vinculadas à fatura do cartão de crédito.

Fontes do setor afirmam que o Banco Central deve criar regras específicas, exigindo que a modalidade funcione com linha de crédito separada, e não mais atrelada ao limite do cartão.

Isso pode gerar mudanças relevantes no mercado, já que muitos bancos hoje lucram com o modelo atual. A decisão do BC pode obrigar as instituições a reformular produtos e limites de crédito.

Atualmente, entre bancos e fintechs, o Pix Parcelado via fatura de cartão tem sido 15 a 20 vezes mais usado do que outras formas de parcelamento.

Risco de inadimplência preocupa especialistas

Entidades de defesa do consumidor alertam que o Pix Parcelado precisa de regulação rigorosa para evitar endividamento excessivo.

Segundo Viviane Fernandes, consultora do Idec,

“Nem todos os bancos seguem o mesmo padrão. Há casos em que uma ‘parcela’ é cobrada a cada dez dias, e não mensalmente. Isso confunde o consumidor e pode aumentar a inadimplência.”

Ela defende que o produto seja mais transparente e que os clientes sejam claramente informados sobre prazos, juros e encargos.

Enquanto o Idec manifesta preocupação, bancos e fintechs afirmam que o risco de inadimplência é baixo, já que o crédito é concedido com base em limites e históricos já existentes.

Pix versus cartões: o impacto no mercado de pagamentos

O crescimento do Pix já reduziu significativamente o uso de cartões no Brasil. Em 2020, quando o sistema começou, o Pix representava apenas 1,3% das transações.

Cinco anos depois, ele responde por mais de 50% de todos os pagamentos no país, enquanto o cartão de crédito caiu para 14,2% e o débito para 10,7%.

Essa mudança preocupa operadoras de cartão, que temem perder ainda mais espaço com o Pix Parcelado. Nos bastidores, empresas como Visa e Mastercard pressionam por regras mais equilibradas no setor.

Nos Estados Unidos, o USTR (Escritório do Representante Comercial) chegou a abrir investigação sobre o Pix, após reclamações de gigantes do setor.

Mesmo assim, Marcelo Tangioni, presidente da Mastercard no Brasil, vê o sistema com otimismo:

“A gente quer participar também do Pix oferecendo soluções ao Banco Central. Não vemos problema em concorrer, pelo contrário, queremos colaborar.”

Bancos apostam no Pix Parcelado como inovação

Bancos brasileiros enxergam o Pix Parcelado como uma grande oportunidade de expansão.

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No Santander, o produto tem atraído forte adesão desde setembro, quando passou a permitir transferências via Pix usando o limite do cartão de crédito.

Izabella Belisário, diretora de pagamentos pessoa física do banco, afirma:

“Uma das grandes vantagens é permitir ao cliente negociar descontos à vista e ainda parcelar o pagamento. Ele ganha poder de consumo sem precisar ter saldo imediato.”

As taxas, segundo ela, partem de 1,59% ao mês, sendo consideradas “muito atrativas”.

No Bradesco, o líder de produtos pessoa física, Marcos Cavagnoli, diz que o crédito vinculado ao Pix tem bom desempenho e baixa inadimplência:

“Para nós é igual a outros produtos de crédito. A análise é a mesma e o risco, semelhante.”

O papel do Open Finance e as taxas futuras

Com a integração ao Open Finance, o Pix Parcelado poderá usar informações compartilhadas entre bancos para oferecer taxas mais personalizadas.

Cavagnoli avalia que, à medida que o produto amadurecer, os juros devem cair, assim como aconteceu com o crédito consignado.

A expectativa é que, com o tempo, o Pix Parcelado se torne uma alternativa mais barata e segura que o crédito rotativo, com grande impacto sobre o comportamento financeiro do consumidor brasileiro.

Pix Parcelado: aceitação cresce entre brasileiros

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Imagem: rafapress/shutterstock.com

Levantamento da Matera mostra que 53% dos entrevistados já usaram o Pix Parcelado, mesmo antes da padronização oficial.

Os principais motivos de uso foram:

  • Imprevistos financeiros (28%)
  • Compras à vista com desconto (27%)
  • Despesas cotidianas (17%)

Apesar da popularidade, apenas 38% dos usuários sabem qual taxa é cobrada, o que reforça a necessidade de transparência na oferta do produto.

O Pix Parcelado tem potencial para democratizar o crédito, reduzir custos e desafiar os grandes players do setor financeiro. A nova função amplia a importância do Pix na economia e reforça o papel do Banco Central como agente de inovação no sistema de pagamentos brasileiro.

Com informações de: ISTOÉ DINHEIRO

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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