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Pix parcelado: o que muda para consumidores e empresas com a nova funcionalidade

Banco Central regulamenta o Pix parcelado em setembro, ampliando opções de pagamento e aumentando concorrência com cartões de crédito.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
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O Pix, sistema de pagamentos instantâneos que revolucionou a forma como os brasileiros transferem e recebem dinheiro, está prestes a passar por mais uma transformação significativa. Prevista para setembro, a regulamentação do Pix parcelado pelo Banco Central (BC) adicionará ao sistema a possibilidade de realizar compras e pagamentos em prestações, funcionalidade antes dominada pelos cartões de crédito.

Com a novidade, o Brasil não apenas amplia as opções de pagamento para a população, mas também mexe em um setor bilionário, dominado por gigantes como Visa e Mastercard. E o impacto não para nas fronteiras nacionais: em julho, os Estados Unidos incluíram o Pix parcelado em uma investigação sobre práticas comerciais desleais, gerando reações e debates sobre concorrência global.

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Imagem: Freepik e Canva

O que muda com a regulamentação

Hoje, o Pix parcelado já é oferecido de forma isolada por alguns bancos e fintechs, mas sem regras uniformes. O pioneiro, Banco do Brasil, movimentou cerca de R$ 1,5 bilhão desde dezembro de 2022 com a modalidade, valor pequeno diante dos mais de R$ 5 trilhões transacionados anualmente no Pix à vista pela instituição.

Com a regulamentação, o produto passará a ter diretrizes claras e funcionamento padronizado em todo o mercado. O parcelamento estará vinculado à análise de crédito pessoal do cliente, e as taxas de juros serão definidas por cada banco, de acordo com o perfil de risco do pagador. Não haverá cobrança de tarifas adicionais, nem intermediação de operadoras de cartão.

Principais mudanças

  • Padronização da modalidade pelo Banco Central.
  • Análise de crédito obrigatória antes da aprovação do parcelamento.
  • Taxas de juros definidas individualmente por cada instituição financeira.
  • Ausência de tarifas extras além dos juros.
  • Pagamento instantâneo para o comerciante.

Potencial de concorrência com cartões

O cartão de crédito sempre teve como grande atrativo o parcelamento sem juros. Agora, o Pix se aproxima dessa vantagem, com a promessa de custos menores para o comércio e, possivelmente, preços mais competitivos para o consumidor.

Segundo Breno Lobo, chefe adjunto do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro do BC, “o objetivo não é eliminar nenhum meio de pagamento, mas ampliar as opções disponíveis para a população”. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) vê a medida como um passo para aumentar ainda mais a adesão ao Pix, que já é utilizado por 168 milhões de brasileiros.

Dados de adesão

  • 46% da população usa o Pix como principal forma de transação.
  • Cartão de débito é preferido por 17%.
  • Cartão de crédito por apenas 11%.

Esses números, divulgados até junho de 2025, mostram que o Pix já superou os cartões em popularidade em menos de cinco anos de existência.

Impacto no comércio

O BC acredita que as compras feitas via Pix parcelado poderão ter preços iguais ou inferiores aos do cartão de crédito. A razão está no fim de custos como as taxas de maquininhas, que podem chegar a 5% por transação, e no pagamento instantâneo ao comerciante.

Para Ana Paula Tozzi, diretora-executiva da AGR Consultores, “varejistas pagam caro para aceitar cartões de crédito. A entrada do Pix parcelado promete aquecer a concorrência e obrigar as bandeiras a melhorarem suas condições”.

Reações das bandeiras

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Imagem: Canva e Freepik

Apesar da ameaça, a Mastercard se mostra confiante: “Assim como o mercado de pagamentos evolui rapidamente, o cartão de crédito acompanha essas mudanças”, declarou em nota. A Visa optou por não se manifestar.

A estratégia das bandeiras pode incluir:

  • Redução das taxas cobradas aos lojistas.
  • Criação de novos benefícios e programas de fidelidade.
  • Expansão de parcerias com fintechs e bancos digitais.

A preocupação internacional

A investigação dos Estados Unidos sobre o Pix parcelado, aberta em julho, analisa se a modalidade constitui uma prática comercial desleal que possa prejudicar empresas norte-americanas. Um ex-diretor do BC, hoje na iniciativa privada, alerta que “os americanos podem concluir que as empresas do país são incapazes de competir com o Pix e que a ferramenta estaria distorcendo o mercado”.

Possíveis desdobramentos

  • Imposição de barreiras comerciais contra o Brasil.
  • Pressão para limitar a expansão do Pix em outros países.
  • Intensificação do lobby das bandeiras internacionais.

Os bancos brasileiros defendem que o Pix é um sistema público de pagamentos, acessível a todas as instituições financeiras, diferentemente dos cartões, que são produtos privados.

Reconhecimento internacional

Apesar da tensão com os EUA, o Pix é elogiado globalmente. O Nobel de Economia Paul Krugman afirmou recentemente que “o Brasil pode ter inventado o futuro do dinheiro”. Para ele, outros países podem aprender com o sucesso brasileiro na implementação de um sistema de pagamentos digital de baixo custo e ampla aceitação.

Como funcionará o Pix parcelado para o consumidor

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O uso será simples e semelhante ao Pix tradicional:

  1. Na hora de pagar, o cliente escolherá a opção “Pix parcelado” no aplicativo do banco.
  2. Informará o número de parcelas.
  3. A instituição fará a análise de crédito instantânea.
  4. Se aprovado, o comerciante recebe o valor total na hora, e o cliente paga em prestações, com juros definidos pelo banco.

Vantagens para o consumidor

  • Alternativa ao cartão de crédito.
  • Possibilidade de obter preços melhores.
  • Processo rápido e sem intermediação de bandeiras.

Vantagens para o comércio

  • Recebimento instantâneo.
  • Redução ou eliminação das taxas de maquininhas.
  • Mais opções de pagamento para clientes.

Desafios e riscos

O sucesso do Pix parcelado dependerá de alguns fatores:

  • Definição competitiva das taxas de juros.
  • Educação financeira para evitar endividamento excessivo.
  • Segurança cibernética, já que o volume de transações tende a aumentar.

Além disso, será preciso acompanhar como o mercado reagirá à padronização e se os lojistas adotarão descontos para pagamentos via Pix parcelado.

Expectativas para o lançamento

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Imagem: Brenda Rocha – Blossom /Shutterstock.com

O Banco Central aposta em uma rápida adesão à modalidade, assim como ocorreu com o Pix à vista. A experiência com bancos pioneiros indica que, com regras claras e alcance nacional, o produto poderá movimentar bilhões já nos primeiros meses.

A previsão é que, até o fim de 2026:

  • O Pix parcelado represente até 15% das compras parceladas no país.
  • Cartões de crédito percam participação no mercado.
  • O custo médio para o comércio diminua.

Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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