O avanço do sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix, atingiu um novo patamar em julho de 2025. Pela primeira vez, brasileiros que viajam ou vivem nos Estados Unidos já podem realizar pagamentos em reais em território norte-americano, graças à integração internacional do sistema com redes de pagamento estrangeiras. A novidade se dá em um contexto de tensão comercial entre Brasil e EUA, impulsionado por declarações do presidente Donald Trump sobre tarifas e acordos bilaterais.
Pix internacional: brasileiros já podem pagar em reais nos EUA
Pix já permite pagamentos em reais nos EUA em 2025. Tecnologia avança mesmo com tensões políticas e tarifas comerciais impostas pelo governo Trump.
Apesar do ambiente político conturbado, o sistema financeiro brasileiro mostra força ao exportar sua inovação para fora do país. A possibilidade de pagar em reais nos EUA representa não apenas um avanço tecnológico, mas também um movimento estratégico para a soberania digital do Brasil em meio ao protecionismo crescente no cenário global.
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A chegada do Pix aos Estados Unidos
Em julho de 2025, brasileiros começaram a testar oficialmente o uso do Pix em redes de estabelecimentos nos EUA, especialmente em cidades com grande fluxo de turistas brasileiros, como Orlando, Miami e Nova York. A operação é possível graças à parceria entre bancos nacionais, fintechs e instituições financeiras internacionais que atuam como intermediárias de câmbio em tempo real.
Na prática, o consumidor realiza o pagamento com a chave Pix ou QR Code, e o valor é automaticamente convertido em dólares para o recebedor norte-americano. O comprador, no entanto, visualiza e paga em reais, com cotação transparente e sem taxas abusivas de IOF ou spreads bancários elevados.
Como funciona a conversão?
A conversão ocorre instantaneamente por meio de redes de compensação integradas ao sistema brasileiro de pagamentos e a plataformas como Visa Direct e MasterCard Send, que funcionam como pontes de liquidação entre moedas diferentes.
Esse modelo permite que o brasileiro pague em reais com seu saldo em conta no Brasil e o comerciante nos EUA receba o valor correspondente em dólares americanos, com liquidação em poucos segundos.
Tecnologia brasileira se expande
O Pix, criado em 2020 pelo Banco Central do Brasil, tornou-se um case de sucesso internacional. Até 2025, já havia sido exportado como modelo para países da América Latina e discutido em fóruns globais como o G20. Com mais de 160 milhões de chaves cadastradas no Brasil e bilhões de transações mensais, o sistema é considerado uma das ferramentas mais eficientes de inclusão financeira do mundo.
Agora, com sua expansão para pagamentos transnacionais, o Pix entra em um novo estágio de maturidade. Além de pagamentos em viagens, a tecnologia também está sendo adaptada para remessas internacionais, serviços de e-commerce e até recebimento de benefícios por brasileiros no exterior.
Open Finance como base
A estrutura do Open Finance no Brasil contribuiu para essa integração internacional. Como o sistema bancário brasileiro já compartilha dados de clientes de forma segura entre instituições autorizadas, as fintechs podem operar de maneira coordenada com bancos e reguladores internacionais.
A combinação de Pix e Open Finance tornou o ambiente financeiro brasileiro um dos mais inovadores do mundo, permitindo que soluções como pagamentos em reais no exterior se tornem realidade antes mesmo de países desenvolvidos.
Tensão política não impede avanços
O lançamento da funcionalidade ocorre no mesmo período em que o governo dos Estados Unidos, liderado novamente por Donald Trump, eleva o tom contra o Brasil em questões comerciais. Em julho de 2025, o presidente norte-americano ameaçou impor tarifas de até 50% sobre produtos brasileiros, incluindo itens do agronegócio e componentes industriais.
Mesmo assim, o sistema Pix avança nos EUA com apoio de empresas privadas e bancos que vislumbram vantagens operacionais e comerciais com a adoção da tecnologia brasileira. A resistência política não foi suficiente para barrar o interesse do mercado em soluções mais baratas, rápidas e eficientes.
Estratégia econômica
Especialistas interpretam o avanço do Pix nos EUA como uma estratégia silenciosa de projeção internacional do Brasil, num momento em que grandes potências disputam espaço na economia digital. Ao permitir que brasileiros paguem em sua própria moeda fora do país, o Banco Central reduz a dependência cambial e fortalece a posição da moeda nacional em transações globais.
Vantagens para o consumidor
Para o consumidor brasileiro, os benefícios são claros:
- Pagamentos sem IOF: ao pagar em reais, não há cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o que gera economia significativa.
- Câmbio transparente: a cotação é exibida antes da confirmação do pagamento, com taxas mais competitivas do que cartões de crédito tradicionais.
- Liquidação instantânea: o pagamento é compensado em segundos, sem necessidade de esperar fechamento de fatura ou autorizações internacionais.
- Integração com conta brasileira: não é necessário abrir conta nos EUA ou adquirir cartão internacional.
Impacto no turismo e no comércio
A possibilidade de pagar em reais em solo norte-americano tende a impulsionar o turismo de brasileiros nos EUA, além de beneficiar lojistas locais que atendem esse público com frequência. Hotéis, parques, restaurantes, outlets e agências de viagens já começaram a se adaptar ao novo sistema.
Além do turismo, plataformas de comércio eletrônico também estudam aceitar Pix como forma de pagamento internacional, aproveitando a liquidação instantânea e o baixo custo da operação.
Efeito nas remessas internacionais
Outro setor que deve ser impactado é o de remessas. Muitos brasileiros residentes nos EUA enviam dinheiro a familiares no Brasil, ou vice-versa. O uso do Pix internacional como canal de remessa poderá reduzir significativamente os custos, além de acelerar o envio, eliminando intermediários como Western Union e MoneyGram.
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Bancos e fintechs participantes
As operações de Pix nos EUA estão sendo conduzidas, em sua maioria, por:
- Bancos digitais com presença internacional
- Fintechs com licença de câmbio no Brasil e nos EUA
- Cooperativas de crédito binacionais
- Startups especializadas em pagamentos e câmbio
O Banco Central do Brasil supervisiona essas transações por meio de convênios com o Federal Reserve e autoridades de regulação financeira americanas.
Críticas e preocupações
Embora o avanço tecnológico seja amplamente elogiado, há preocupações relacionadas à segurança cibernética e à regulação. Com a internacionalização do Pix, aumenta o risco de fraudes, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Para mitigar esses riscos, o Banco Central anunciou que novas camadas de autenticação e rastreabilidade serão implementadas, inclusive com a exigência de reconhecimento facial em transações acima de determinados valores.
Próximos passos do Pix global

A intenção do Banco Central é ampliar ainda mais a presença internacional do Pix. Países como Portugal, Japão e Argentina estão em negociações avançadas para integrar o sistema, especialmente em áreas com grande concentração de brasileiros.
Além disso, novas funcionalidades estão previstas para 2025 e 2026, como:
- Pix por aproximação internacional
- Pix parcelado em moeda estrangeira
- Integração com carteiras digitais globais
- Conversão automática de cashback
O Pix se consolida como o principal produto de exportação tecnológica do Brasil e símbolo da transformação digital no setor público.
Conclusão
Mesmo em um ambiente geopolítico turbulento, o Pix segue rompendo barreiras e se internacionalizando. O início da operação nos Estados Unidos marca um momento histórico para o sistema financeiro brasileiro, permitindo que cidadãos realizem pagamentos em reais fora do país com segurança, agilidade e economia.
A expectativa é que, nos próximos meses, o uso do Pix internacional se torne comum entre turistas, empresários, expatriados e estudantes, criando uma nova realidade para o uso da moeda brasileira no exterior. Ao democratizar o acesso ao sistema financeiro global, o Pix reafirma seu papel como um dos pilares da soberania digital brasileira.
