O cartão de crédito e o Pix são hoje os principais meios de pagamento do comércio eletrônico no Brasil. É o que mostra levantamento da Visa Conecta, empresa criada pela Visa, divulgado nesta quinta-feira (26), ao celebrar os 30 anos do e-commerce no País.
Pix pressiona cartão de crédito nas compras online
Pesquisa da Visa Conecta mostra cartão e Pix como líderes no e-commerce, com dados sobre fraude, parcelamento e abandono de carrinho.
O estudo traça um panorama atualizado sobre hábitos de consumo digital, satisfação, desafios operacionais e comportamento no checkout — etapa considerada crítica para conversão de vendas.
A seguir, você confere uma análise aprofundada dos dados e o que eles revelam para consumidores, lojistas e para o futuro dos meios de pagamento no Brasil.
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Cartão de crédito lidera por pouco, mas Pix encosta
Segundo a pesquisa, 47% dos consumidores utilizaram cartão de crédito na última compra online, enquanto 45% optaram pelo Pix. A diferença é mínima, mostrando que o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil consolidou-se como protagonista no ambiente digital.
Por que o cartão ainda é preferência?
Entre os que escolheram o cartão:
- 53% citaram o parcelamento como principal motivo
- 40% mencionaram hábito de uso
- 38% destacaram melhor controle financeiro
O parcelamento continua sendo um diferencial competitivo no Brasil. Em um cenário de juros elevados e orçamento apertado, dividir compras em 3, 6 ou 12 vezes sem juros é um fator decisivo — especialmente em categorias como eletrônicos, eletrodomésticos e passagens aéreas.
Além disso, o cartão oferece benefícios como programas de pontos, milhas e seguros, reforçando sua atratividade.
Pix já é quase universal
A pesquisa revela que 95% dos brasileiros já utilizaram o Pix em compras digitais. O índice de satisfação é alto: 78%, ligeiramente superior ao cartão, que registrou 74%.
O dado reforça o sucesso da política pública implementada pelo Banco Central, que transformou o Pix no principal meio de transferência do país em poucos anos.
Contudo, há desafios importantes.
Fraudes e reembolso preocupam consumidores
Um dos pontos mais sensíveis do estudo envolve segurança.
- 62% dos entrevistados relataram problemas de fraude com o Pix
- No cartão, o índice foi de 36%
A diferença é significativa. O cartão opera com mecanismos consolidados de contestação e chargeback, o que gera maior sensação de proteção. No Pix, embora existam ferramentas como o Mecanismo Especial de Devolução (MED), muitos consumidores ainda percebem dificuldade no reembolso.
A satisfação com a possibilidade de reembolso ficou em 61%, índice inferior ao da satisfação geral.
O que isso significa na prática?
Para o consumidor, o cartão transmite maior segurança em compras de valor elevado ou em lojas menos conhecidas.
Já o Pix é visto como rápido e conveniente, mas ainda precisa evoluir na percepção de proteção contra golpes.
Para o varejista, isso exige:
- Investimento em antifraude
- Transparência nas políticas de devolução
- Comunicação clara sobre segurança
Desafios na jornada de pagamento com Pix
A pesquisa aponta um gargalo operacional importante: a necessidade de sair do ambiente da loja para concluir o pagamento no aplicativo bancário.
Essa etapa gera fricção e pode comprometer a conversão.
- 87% afirmam que concluir a transferência em poucos segundos dentro do próprio ambiente seria atrativo
- 70% estão abertos a vincular dados bancários ao estabelecimento para agilizar o processo
Esse dado mostra uma mudança cultural relevante: o consumidor brasileiro está disposto a priorizar conveniência, desde que haja segurança.
Com o avanço do Pix automático e da integração via APIs — já regulamentados pelo Banco Central — a tendência é que a experiência se torne cada vez mais fluida.
E-commerce já faz parte da rotina do brasileiro
O estudo também revela maturidade no comportamento de compra online.
- 34% compram ao menos uma vez por semana
- Entre os mais jovens, o índice sobe para 45%
- 52% realizam compras quinzenalmente ou mensalmente
O comércio eletrônico deixou de ser eventual e tornou-se rotina.
Quando os brasileiros compram online?
- 38% realizam compras à tarde
- 37% preferem a noite
Isso indica que o consumo digital está distribuído ao longo do dia, acompanhando jornadas híbridas de trabalho e estudo.
Para empresas, isso reforça a importância de:
- Sites responsivos
- Atendimento automatizado
- Processamento rápido de pagamentos
O maior problema: abandono no checkout
Um dos dados mais estratégicos do levantamento envolve abandono de carrinho.
58% dos consumidores que desistiram da compra abandonaram no momento do pagamento:
- 37% na escolha do meio
- 21% na inserção ou confirmação de dados
Isso mostra que a etapa final ainda é o maior gargalo de conversão do e-commerce brasileiro.
Por que o pagamento é o ponto crítico?
Entre os fatores mais comuns estão:
- Excesso de etapas
- Falta de opção de pagamento preferida
- Lentidão na aprovação
- Desconfiança na segurança
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Para lojistas, a mensagem é clara: simplificar o checkout pode aumentar significativamente as vendas.
Boas práticas incluem:
- Oferecer múltiplos meios (cartão, Pix, carteiras digitais)
- Salvar dados com segurança
- Reduzir cliques
- Informar prazo e política de devolução antes do pagamento
Tendências para os próximos anos
O cenário aponta para um ambiente híbrido, em que cartão e Pix coexistem e se complementam.
Algumas tendências já visíveis:
Integração do Pix no checkout
Com avanços tecnológicos, a finalização da compra deve ocorrer sem redirecionamentos, aumentando conversão.
Parcelamento via Pix
Estudos e soluções de mercado já testam modelos de crédito atrelados ao Pix, aproximando-o das vantagens do cartão.
Open Finance e personalização
O avanço do Open Finance no Brasil pode permitir ofertas mais personalizadas, baseadas no perfil financeiro do consumidor, ampliando aprovação e reduzindo risco.
O que o consumidor deve considerar ao escolher
A escolha entre cartão e Pix depende do contexto.
Vale optar pelo cartão quando:
- A compra é de alto valor
- O parcelamento é necessário
- O estabelecimento é desconhecido
O Pix é vantajoso quando:
- Há desconto para pagamento à vista
- A transação precisa ser imediata
- O consumidor busca evitar fatura futura
A tendência é que o brasileiro continue utilizando ambos, alternando conforme necessidade.
Conclusão
Três décadas após o início do comércio eletrônico no Brasil, o setor vive uma fase de consolidação e amadurecimento. O cartão de crédito mantém a liderança, sustentado pelo parcelamento e pela percepção de segurança. O Pix, por sua vez, encostou na preferência do consumidor e já é quase universal.
Os desafios agora não são de adesão, mas de experiência, segurança e integração tecnológica.
Para o varejo, investir em checkout eficiente é prioridade estratégica. Para o consumidor, entender as vantagens e riscos de cada meio é essencial para uma experiência mais segura.
O e-commerce brasileiro não apenas cresceu — ele se tornou parte do cotidiano.
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