O avanço do Pix está transformando a forma como os brasileiros realizam pagamentos e movimentam dinheiro. Dados do Banco Central mostram que a emissão de novas cédulas de real caiu significativamente nos últimos anos, refletindo uma mudança de comportamento impulsionada pelos meios digitais.
Emissão de dinheiro físico cai 31% com crescimento do Pix
Avanço do Pix diminui uso de dinheiro em espécie e contribui para queda na emissão de cédulas, segundo o Banco Central.
Entre 2020 e 2025, a quantidade de cédulas emitidas no país recuou cerca de 31%. Embora a substituição de notas desgastadas continue sendo um dos principais fatores considerados pelo Banco Central para a produção de dinheiro físico, a crescente preferência pelos pagamentos eletrônicos, especialmente pelo Pix, também exerce influência direta nesse cenário.
A mudança evidencia uma nova realidade econômica no Brasil, onde as transações digitais ganham cada vez mais espaço tanto entre consumidores quanto entre empresas.
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Queda na emissão de cédulas acompanha crescimento do Pix

Segundo informações do Banco Central, a produção de novas cédulas depende basicamente de dois fatores: a necessidade de reposição de notas danificadas e a demanda da população por dinheiro em espécie.
Com a popularização dos pagamentos digitais, especialmente após a criação do Pix em 2020, o uso do papel-moeda passou a perder relevância em diversas situações do cotidiano.
O Banco Central destaca que a redução da procura por dinheiro físico contribui para uma menor necessidade de emissão de novas cédulas. No entanto, o órgão ressalta que a reposição das notas que saem de circulação por desgaste continua sendo o principal elemento para manter os volumes de produção relativamente estáveis nos últimos anos.
Números mostram mudança expressiva
Os dados de emissão de cédulas evidenciam a transformação no comportamento financeiro dos brasileiros.
Quantidade de cédulas emitidas por ano
- 2020: 1.948.017.420 cédulas
- 2021: 438.326.642
- 2022: 781.746.732
- 2023: 1.328.506.590
- 2024: 1.345.787.384
- 2025: 1.352.468.181
- 2026: 620.119.851 cédulas até maio
Os números mostram uma forte redução em relação ao período anterior à consolidação dos pagamentos instantâneos. Embora tenha ocorrido recuperação após os anos mais críticos da pandemia, os volumes permanecem abaixo do registrado em 2020.
Pandemia também influenciou o comportamento financeiro
Além da expansão do Pix, o contexto da pandemia de Covid-19 teve impacto importante na circulação de dinheiro físico.
Durante os anos de 2021 e 2022, considerados os períodos de menor emissão de cédulas da série apresentada, o país vivenciou mudanças aceleradas nos hábitos de consumo. O aumento das compras online, dos aplicativos de entrega e das operações bancárias digitais contribuiu para reduzir a necessidade de utilização de dinheiro em espécie.
Muitos consumidores passaram a utilizar transferências instantâneas e pagamentos por aproximação como alternativas mais práticas e seguras, comportamento que permaneceu mesmo após o fim das restrições sanitárias.
Pesquisa mostra preferência crescente pelos pagamentos digitais
A mudança de hábito foi confirmada pelo próprio Banco Central por meio da pesquisa “O Brasileiro e sua Relação com o Dinheiro”, divulgada em 2024.
O levantamento revelou que o Pix se tornou o meio de pagamento mais utilizado por 46% dos brasileiros. Em 2021, esse percentual era de apenas 17%.
Ao mesmo tempo, o dinheiro em espécie perdeu espaço de forma significativa. A participação do papel-moeda como principal forma de pagamento caiu de 42% para 22% no mesmo período.
Comércio também aderiu ao Pix
A transformação não ocorreu apenas entre os consumidores.
Nos estabelecimentos comerciais, a presença do dinheiro físico diminuiu drasticamente. Em 2018, o dinheiro era o meio de pagamento mais frequente em 52% dos comércios pesquisados. Em 2024, esse índice caiu para apenas 7%.
O resultado reflete a ampla aceitação do Pix entre pequenos negócios, grandes varejistas, prestadores de serviço e trabalhadores autônomos.
Por que o Pix conquistou os brasileiros?

O sucesso do sistema está relacionado a uma combinação de fatores que facilitaram o acesso aos serviços financeiros.
Transferências instantâneas
Diferentemente de TEDs e DOCs, o Pix permite transferências em poucos segundos, independentemente do dia ou horário.
Gratuidade para pessoas físicas
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+311 mil seguidores
A maioria das operações realizadas por pessoas físicas é gratuita, eliminando custos que antes existiam em diversas modalidades bancárias.
Facilidade de uso
O sistema pode ser utilizado por meio de chaves vinculadas ao CPF, número de celular, e-mail ou por QR Code, simplificando o processo de pagamento.
Inclusão financeira
O Pix também ampliou o acesso de milhões de brasileiros aos serviços financeiros digitais, favorecendo a formalização de pequenos negócios e a bancarização de parcelas da população que utilizavam predominantemente dinheiro em espécie.
Como surgiu o Pix
A criação do Pix foi resultado de um projeto de modernização do sistema financeiro brasileiro conduzido pelo Banco Central.
As primeiras discussões sobre um sistema nacional de pagamentos instantâneos começaram a ganhar força em 2014. Na época, o objetivo era desenvolver uma infraestrutura capaz de tornar as transferências financeiras mais rápidas, acessíveis e eficientes.
O projeto avançou em 2018, quando o Banco Central instituiu um grupo de trabalho responsável por desenvolver a estrutura tecnológica e regulatória necessária para a implementação do sistema.
Nos anos seguintes, foram definidos protocolos de segurança, regras operacionais e mecanismos de integração entre bancos, fintechs e demais instituições financeiras.
Em novembro de 2020, o Pix foi oficialmente lançado para a população e rapidamente se consolidou como uma das maiores plataformas de pagamentos instantâneos do mundo.
O dinheiro físico vai acabar?
Apesar da redução no uso das cédulas, especialistas e autoridades monetárias não trabalham com a perspectiva de extinção do dinheiro físico no curto prazo.
O papel-moeda continua sendo importante para determinados grupos da população, especialmente em regiões com menor acesso à internet, para pessoas que não utilizam serviços bancários digitais e em situações de contingência tecnológica.
Além disso, o dinheiro em espécie ainda desempenha papel relevante em diversas atividades econômicas, principalmente em áreas rurais e localidades mais afastadas dos grandes centros urbanos.
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