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Galípolo: Pix deve continuar sob controle do BC

Presidente do BC reforça que o Pix é estratégico e deve seguir sob controle público contra pressões externas.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Pix Parcelado estreia em setembro com regras definidas pelo Banco Central

Presidente do BC defende que a infraestrutura digital do Pix é estratégica para o país e deve permanecer sob administração pública

Em meio a discussões internacionais e fake news sobre o futuro do Pix, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, foi enfático ao declarar que o sistema de transferências instantâneas seguirá sendo gerido pelo próprio BC. Durante evento sobre criptoativos realizado no Rio de Janeiro nesta quarta-feira (6), Galípolo reforçou que o Pix é uma ferramenta estratégica e essencial para o Brasil.

“O Pix se revela uma infraestrutura estratégica e crítica para o país. É uma segurança para o país que ele possa ser gerenciado e administrado pelo Banco Central”, declarou Galípolo.

A fala do presidente ocorre em um momento de intensificação de pressões externas, especialmente por parte dos Estados Unidos, que colocaram o sistema brasileiro no centro de uma investigação comercial.

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Gestão pública como escudo contra conflitos de interesse

imagem de Gabriel Galípolo, novo secretário-executivo da Fazenda
Imagem: Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

Ao comentar sobre a importância de manter o Pix sob controle estatal, Galípolo afirmou que a transferência da gestão para empresas privadas poderia gerar sérios conflitos de interesse. Segundo ele, um modelo privado poderia comprometer decisões estratégicas sobre inclusão e participação de novos agentes no sistema.

“É muito importante que o Pix permaneça e vai permanecer como uma infraestrutura pública digital que foi desenvolvida pelo Banco Central. Se a gente tivesse qualquer tipo de incumbente sendo gestor do Pix, vocês imaginam os conflitos de interesse que a gente poderia ter a cada decisão de se incluir ou retirar um novo participante do sistema?”, pontuou.

Fake news e desinformação afetam a credibilidade do sistema

O presidente do BC também demonstrou preocupação com as fake news que cercam o Pix. Galípolo destacou que o ambiente de desinformação torna difícil o entendimento técnico e favorece a propagação de narrativas distorcidas.

“Infelizmente, a gente está num momento onde, muitas vezes, as coisas são complexas de compreender e elas são capturadas por algum tipo de debate onde as versões podem ser muitas vezes mais interessantes do que os fatos”, afirmou.

Inclusão financeira e ampliação do acesso

Além de sua relevância estratégica, o Pix também foi destacado como uma ferramenta de inclusão. Para Galípolo, o sistema tem um papel social ao permitir que mais brasileiros tenham acesso ao sistema bancário, inclusive em regiões menos assistidas por instituições financeiras.

Atualmente, o Pix contabiliza 858 milhões de chaves cadastradas e movimenta, em média, 250 milhões de transações por dia. Esses números refletem a popularidade da ferramenta e o seu impacto direto na vida da população.

Pix não prejudica os cartões, afirma Galípolo

Pix
Imagem: rafapress/shutterstock.com

Respondendo a críticas sobre a suposta rivalidade entre o Pix e os cartões de débito e crédito, Galípolo negou qualquer tipo de competição predatória entre os meios de pagamento. Pelo contrário, segundo dados apresentados, o uso dos cartões cresceu após a implantação do Pix.

“Os cartões de débito, pré-pago e, em especial, os de crédito, apresentam uma taxa de crescimento maior do que antes do advento do Pix. O que elimina qualquer ideia de rivalidade ou de que um estaria canibalizando o outro”, argumentou.

Dados do Banco Central apontam que entre 2020 e 2024 o uso de cartões de crédito cresceu 20,9%, enquanto entre 2009 e 2019 o crescimento foi de apenas 13,1%.

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Investigações dos EUA preocupam o governo brasileiro

Apesar do sucesso nacional, o Pix entrou na mira do governo norte-americano. O sistema foi incluído em uma investigação comercial aberta pelos Estados Unidos, que busca apurar se a infraestrutura brasileira impõe barreiras ao comércio internacional, especialmente às empresas de pagamento dos EUA.

A ação é conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o mesmo que atuou ativamente em disputas comerciais durante a gestão de Donald Trump. O órgão quer entender se o modelo do Pix seria “irracional ou discriminatório”, podendo afetar a competitividade de empresas norte-americanas no Brasil.

Segundo o relatório preliminar, o Brasil pode estar criando obstáculos para empresas de pagamento e comércio digital dos EUA, o que levantaria suspeitas sobre violações em acordos comerciais internacionais.

Defesa da soberania digital brasileira

Diante do cenário internacional, Galípolo deixou claro que o Pix é parte da soberania digital do Brasil. O sistema, desenvolvido inteiramente pelo Banco Central, é um dos primeiros no mundo com tal abrangência sob gestão estatal. Isso, segundo ele, deve ser motivo de orgulho e não de questionamento.

O presidente do BC enfatizou que manter o controle público sobre essa infraestrutura digital garante neutralidade, segurança e capacidade de inovação. A afirmação foi vista como um recado direto a investidores e governos que buscam interferir na condução do modelo brasileiro.

Com informações de: Agência Brasil

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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