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‘PIX da Índia’ e a ofensiva de Trump: entenda a conexão por trás dos ataques ao Brasil

Entenda como o PIX e o sistema UPI da Índia se tornaram alvos de disputa internacional e por que Trump mira o Brasil.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto5 min de leitura
pix

O sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o PIX, tornou-se um dos maiores cases de sucesso da inovação financeira no mundo, inspirando outros países e transformando hábitos de consumo. Porém, seu crescimento acelerado e modelo de operação colocaram o Brasil no centro de uma disputa comercial internacional, envolvendo diretamente interesses dos Estados Unidos. O caso ganhou contornos ainda mais complexos quando o ex-presidente americano Donald Trump incluiu o PIX em uma lista de supostas práticas comerciais “desleais” durante uma investigação contra o Brasil.

Enquanto isso, na Índia, um sistema semelhante — o Unified Payments Interface (UPI) — já operava com funcionalidades avançadas desde 2016 e segue imune a esse tipo de pressão política. A comparação entre os dois modelos ajuda a entender o pano de fundo da ofensiva norte-americana.

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UPI e PIX: semelhanças e diferenças estruturais

Pix
Imagem: Tirachard Kumtanom / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

O pioneirismo indiano

O UPI foi lançado pela Índia quatro anos antes do PIX, em 2016, como iniciativa do governo local, mas com operação a cargo do setor privado sob supervisão do Banco Central indiano. Desde então, tornou-se o principal meio de pagamento do país, responsável por 83% das transações digitais e com base de 500 milhões de usuários.

Além de transferências instantâneas gratuitas, o UPI incorporou rapidamente recursos como pagamentos automáticos, transações offline e comandos por voz. Também avançou na internacionalização, estabelecendo operação em países como Cingapura, França e Emirados Árabes. Para ampliar seu ecossistema, lançou ainda o cartão RuPay, que compete diretamente com gigantes como Visa e Mastercard.

O modelo brasileiro

O PIX, criado pelo Banco Central do Brasil em 2020, é operado e regulado pelo próprio órgão, com adesão obrigatória para grandes instituições financeiras. As transações ocorrem diretamente nos aplicativos de bancos e instituições de pagamento autorizadas, sem intermediação de plataformas privadas multinacionais.

Essa estrutura fortaleceu bancos digitais e fintechs brasileiras, mas limitou o espaço de empresas estrangeiras no processamento de pagamentos, o que, segundo analistas, incomoda big techs americanas.


O fator Trump e a pressão americana

Big techs de fora do jogo

Nos Estados Unidos, gigantes como Google e Walmart dominam mais de 80% das operações via UPI por meio de aplicativos como Google Pay e PhonePe. No Brasil, esse cenário é inviável: o WhatsApp Pay, do grupo Meta, nunca alcançou relevância expressiva no mercado nacional, que já estava consolidado pelo PIX.

Para empresas como o WhatsApp, que conta com o Brasil como um de seus maiores mercados mundiais, competir com um sistema rápido, gratuito e onipresente tornou-se quase impossível.

A ofensiva de Trump

É nesse contexto que especialistas situam a ação de Donald Trump. Ao incluir o PIX na lista de práticas supostamente “desleais” em sua investigação comercial contra o Brasil, o ex-presidente estaria defendendo interesses corporativos americanos que perderam espaço no setor de pagamentos digitais.

Analistas afirmam que o movimento é menos sobre proteger consumidores e mais sobre criar condições para que empresas dos EUA possam disputar mercado com modelos como o brasileiro, talvez impondo mudanças regulatórias.


Impactos para o Brasil e para o setor de pagamentos

bandeira da Índia
Imagem: Tatohra/ Shutterstock

O risco de mudanças regulatórias

Se a pressão americana ganhar força, o Brasil pode ser forçado a rever aspectos-chave do funcionamento do PIX, como a gratuidade das transferências, a interoperabilidade entre instituições e a exclusividade de operação pelos aplicativos de bancos nacionais. Isso poderia abrir espaço para plataformas estrangeiras, mas também encarecer ou limitar o serviço para usuários.

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Inclusão financeira em jogo

Tanto o PIX quanto o UPI tiveram impactos significativos na inclusão financeira. No Brasil, o acesso facilitado estimulou milhões de pessoas a entrarem no sistema bancário e aumentou a circulação digital de dinheiro.

Segundo dados oficiais, após o lançamento do PIX, o crescimento do setor de cartões quase triplicou, alcançando taxa anual de 31,7% entre 2020 e 2022. Isso mostra que, em vez de substituir outros meios, o PIX impulsionou o mercado como um todo.


A disputa que vai além da tecnologia

Mercado global de pagamentos

O embate entre o PIX e interesses norte-americanos é, na prática, parte de uma disputa global pelo mercado de pagamentos digitais, avaliado em trilhões de dólares. Quem controla as plataformas controla dados, fluxo financeiro e o acesso direto ao consumidor.

No caso indiano, o governo optou por abrir o sistema a players estrangeiros, enquanto o Brasil manteve a operação restrita a empresas autorizadas pelo Banco Central. Essa decisão política e regulatória pode explicar por que o UPI segue fora da mira de medidas como a ofensiva de Trump.

Internacionalização do PIX

Apesar do sucesso interno, a presença internacional do PIX ainda depende de iniciativas privadas, geralmente lideradas por fintechs que criam soluções para turistas e transações cross-border. Não há, até o momento, um acordo oficial para expandir o sistema como fez a Índia com o UPI.

Imagem: rafapress/shutterstock.com

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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