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Plano de saúde fica mais caro de novo e já ameaça o bolso de trabalhadores em 2026

Plano de saúde coletivo teve reajuste médio de 15,57% em 2025 e setor vive fase de ajustes, segundo balanço da Anahp.

Bruna MachadoPor Bruna Machado8 min de leitura
plano de saúde

O mercado brasileiro de saúde suplementar atravessa um período de transição e reorganização estrutural. É o que revela a 8ª edição do Balanço Observatório Anahp, estudo elaborado com base em dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e informações consolidadas pela própria Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp).

O levantamento aponta que, apesar de sinais de maior equilíbrio operacional, o setor ainda convive com desafios relevantes, como reajustes elevados, mudanças no perfil das receitas e aumento do prazo médio de recebimento.

Em 2025, os planos coletivos empresariais registraram reajuste médio de 15,57%, percentual que segue acima da inflação oficial do país. Ao mesmo tempo, a sinistralidade permanece abaixo dos níveis observados antes da pandemia, indicando um controle maior das despesas assistenciais.

No entanto, a dinâmica financeira das operadoras e dos prestadores de serviço revela um cenário mais complexo, marcado por pressão de custos, margens ajustadas e necessidade de adaptação do modelo de negócios.

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Reajustes elevados seguem pressionando empresas e beneficiários

Planos coletivos lideram os aumentos em 2025

Os dados do Balanço Observatório Anahp mostram que os planos coletivos empresariais continuam sendo o principal vetor de reajustes no setor de saúde suplementar. O aumento médio de 15,57% aplicado em 2025 reflete uma combinação de fatores, como inflação médica, aumento do custo de tecnologias em saúde, reajustes salariais de profissionais e maior utilização de serviços.

Embora os planos individuais tenham seus reajustes regulados pela ANS, os contratos coletivos seguem livres de um teto oficial, o que amplia a margem para aumentos mais expressivos. Esse cenário tem impacto direto sobre empresas contratantes, especialmente pequenas e médias, que enfrentam dificuldades para absorver os custos adicionais.

Impactos no orçamento corporativo

Para muitas empresas, o plano de saúde representa um dos principais benefícios oferecidos aos funcionários e, ao mesmo tempo, um dos maiores custos da folha indireta. O reajuste acima da inflação pressiona o orçamento corporativo e leva empregadores a renegociar contratos, reduzir coberturas ou buscar alternativas mais enxutas.

Essa realidade também se reflete no ambiente de trabalho, já que mudanças nos planos podem gerar insatisfação entre colaboradores e afetar estratégias de retenção de talentos.

Sinistralidade permanece abaixo do nível pré-pandemia

Controle das despesas assistenciais

Um dos pontos positivos destacados pelo estudo da Anahp é a manutenção da sinistralidade em patamar inferior ao observado antes da pandemia. Em 2019, o índice girava em torno de 83%, enquanto nos últimos levantamentos permanece abaixo desse percentual.

A sinistralidade mede a relação entre o que as operadoras arrecadam com mensalidades e o que gastam com atendimentos, exames, internações e procedimentos. Quando esse índice é muito elevado, indica maior pressão financeira sobre os planos.

Mudança no comportamento dos usuários

Especialistas apontam que parte desse controle está relacionada a mudanças no comportamento dos beneficiários após a pandemia. O uso mais consciente dos serviços, a ampliação da telemedicina e a adoção de programas de prevenção e atenção primária contribuíram para reduzir atendimentos desnecessários e otimizar recursos.

Além disso, operadoras investiram em gestão de saúde populacional, monitorando pacientes crônicos e estimulando o acompanhamento preventivo, o que ajuda a conter custos no médio e longo prazo.

Resultados financeiros se aproximam do período pré-crise sanitária

Retorno ao patamar de 2018 e 2019

De acordo com o Balanço Observatório Anahp, as principais operadoras de saúde do país registraram, em 2025, resultados financeiros próximos aos observados em 2018 e 2019, antes da crise sanitária global. Esse dado indica uma recuperação gradual do setor, após anos de instabilidade provocada pelo aumento abrupto de custos durante a pandemia.

A retomada não significa expansão acelerada, mas sim um movimento de estabilização, no qual receitas e despesas passam a caminhar de forma mais equilibrada.

Margens mais apertadas

Apesar da recuperação, o estudo aponta que as margens operacionais permanecem pressionadas. O aumento dos custos médicos e administrativos limita a capacidade de geração de lucro, exigindo maior eficiência operacional e revisão constante dos processos internos.

Esse contexto reforça a tendência de consolidação do setor, com fusões, aquisições e parcerias estratégicas entre operadoras, hospitais e redes de diagnóstico.

Aumento do prazo médio de recebimento preocupa o setor

Prazo chega a 78,5 dias em 2025

Um dos dados que mais chama atenção no levantamento da Anahp é o aumento do prazo médio de recebimento, que alcançou 78,5 dias no terceiro trimestre de 2025. Esse indicador reflete o tempo que hospitais e prestadores levam para receber os valores devidos pelas operadoras após a realização dos atendimentos.

O crescimento desse prazo impacta diretamente o fluxo de caixa das instituições de saúde, especialmente hospitais privados, que precisam manter investimentos constantes em infraestrutura, tecnologia e pessoal.

Riscos para a sustentabilidade financeira

O alongamento do prazo de recebimento pode gerar dificuldades financeiras, sobretudo para prestadores de menor porte, que têm menor capacidade de absorver atrasos. Em alguns casos, isso pode levar à redução de investimentos, postergação de projetos de modernização e até dificuldades para cumprir obrigações operacionais.

Esse cenário reforça a importância de uma relação mais equilibrada entre operadoras e prestadores, com contratos mais transparentes e previsibilidade nos pagamentos.

Receitas de convênios perdem participação no faturamento

Queda gradual desde 2022

Outro ponto relevante do estudo é a redução da participação das receitas provenientes de convênios no faturamento total dos hospitais associados à Anahp. Em 2022, essas receitas representavam 83,3%, percentual que caiu para 76% em 2025.

A queda indica uma diversificação das fontes de receita, mas também reflete mudanças no perfil de contratação e na dinâmica do mercado de saúde suplementar.

Crescimento de outras fontes de receita

Com a perda de participação dos convênios tradicionais, hospitais e redes privadas passaram a investir em outras frentes, como atendimentos particulares, serviços premium, procedimentos eletivos e parcerias com empresas de saúde digital.

Essa estratégia busca reduzir a dependência excessiva dos planos de saúde e ampliar a previsibilidade financeira, especialmente em um cenário de reajustes controlados e margens apertadas.

Transformações estruturais no mercado de saúde privada

Digitalização e eficiência operacional

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O período pós-pandemia acelerou a digitalização no setor de saúde. Ferramentas de gestão hospitalar, prontuários eletrônicos, inteligência artificial aplicada ao diagnóstico e telemedicina passaram a fazer parte da rotina das operadoras e prestadores.

Essas inovações contribuem para ganhos de eficiência, redução de desperdícios e melhor gestão dos recursos, fatores essenciais em um contexto de custos elevados e necessidade de ajustes constantes.

Novos modelos de cuidado

Além da tecnologia, o setor avança na adoção de novos modelos de cuidado, com foco na atenção primária, coordenação do cuidado e acompanhamento contínuo dos pacientes. Esse movimento tende a reduzir internações desnecessárias e melhorar os desfechos clínicos, beneficiando tanto usuários quanto operadoras.

O papel da Anahp no monitoramento do setor

Produção de dados estratégicos

A Associação Nacional de Hospitais Privados desempenha papel central na análise do desempenho do setor de saúde suplementar. O Balanço Observatório Anahp se consolidou como uma das principais fontes de dados para gestores, investidores e formuladores de políticas públicas.

Ao reunir informações da ANS e dos próprios associados, o estudo oferece uma visão abrangente das tendências, desafios e oportunidades do mercado.

Subsídio para decisões estratégicas

Os dados apresentados auxiliam hospitais e operadoras na tomada de decisões estratégicas, como renegociação de contratos, planejamento de investimentos e definição de políticas de gestão de custos.

Para o poder público, o levantamento também contribui para o acompanhamento da sustentabilidade do setor e para o debate sobre regulação e equilíbrio econômico-financeiro.

Perspectivas para o setor de saúde suplementar

Ajustes devem continuar nos próximos anos

A análise da Anahp indica que o movimento de ajustes deve continuar nos próximos anos. O equilíbrio entre reajustes, controle de sinistralidade e sustentabilidade financeira seguirá como um dos principais desafios do setor.

Operadoras e prestadores precisarão manter foco em eficiência, inovação e integração de serviços para enfrentar um cenário econômico ainda incerto.

Consumidor mais atento aos custos

Do lado dos beneficiários, cresce a atenção aos custos e às condições contratuais dos planos de saúde. Empresas e consumidores tendem a buscar opções mais adequadas ao perfil de uso, com maior transparência e foco em prevenção.

Esse comportamento pode acelerar mudanças no mercado e impulsionar modelos mais sustentáveis de assistência à saúde.

Considerações finais

O Balanço Observatório Anahp revela que o setor de saúde suplementar vive um momento de equilíbrio delicado. Enquanto os reajustes elevados e o aumento do prazo de recebimento impõem desafios relevantes, a manutenção da sinistralidade em níveis controlados e a recuperação dos resultados financeiros indicam maior estabilidade em relação ao período pandêmico.

A redução da participação das receitas de convênios e a busca por diversificação mostram que hospitais e operadoras estão se adaptando a um novo cenário, marcado por pressão de custos, transformação digital e mudança no comportamento dos usuários. O futuro do setor dependerá da capacidade de promover ajustes contínuos, fortalecer relações institucionais e garantir sustentabilidade econômica sem comprometer o acesso e a qualidade dos serviços.

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INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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