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Plataforma antifraude criada por mulheres evita prejuízos bilionários nos bancos

Tecnologia antifraude criada por mulheres já evitou R$ 4 bilhões em golpes bancários em 2025. Saiba mais sobre.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos5 min de leitura
datarudder plataforma antifraude

O aumento de crimes cibernéticos no setor bancário tem exigido soluções cada vez mais sofisticadas. Em 2025, uma tecnologia antifraude desenvolvida por duas brasileiras já impediu mais de R$ 4 bilhões em prejuízos relacionados a golpes financeiros, especialmente com o Pix, principal meio de pagamento no país. Criada por Rafaela Helbing e Thais Nolasco, a plataforma DeLorean, da startup Data Rudder, tornou-se uma aliada estratégica de mais de 150 instituições financeiras na luta contra golpes digitais.

A inovação se destaca não apenas pela sua eficácia, mas também por representar o protagonismo feminino no universo da ciência de dados e da segurança digital. A iniciativa já bloqueou mais de 400 mil tentativas de fraudes em 2025, superando os números de anos anteriores, e 95% dessas tentativas envolviam transações via Pix.

Leia mais: Pix: BC fortalece devolução para vítimas de golpes

Inteligência artificial a serviço da proteção bancária

mão segurando o ícone de um cérebro que representa a Inteligencia Artificial (IA)/geração beta
Imagem: Wirestock Creators / shutterstock

A DeLorean é uma plataforma antifraude transacional que acompanha todas as etapas das operações financeiras, desde o envio até a liquidação. Utilizando algoritmos próprios e inteligência artificial, o sistema identifica comportamentos fora do padrão e constrói redes de relacionamento entre contas suspeitas, prática essencial para detectar movimentações ilícitas.

A ferramenta é utilizada por bancos, fintechs, cooperativas e plataformas de serviços financeiros, oferecendo uma cobertura ampla e precisa. O foco está nas chamadas “contas de passagem”, também conhecidas como contas laranja, utilizadas para mascarar a origem e o destino de valores obtidos por meios fraudulentos.

Contas laranja: o elo frágil no sistema financeiro

Segundo Rafaela Helbing, CEO da Data Rudder, contas laranja seguem padrões bem definidos. “Algumas das principais características observadas por nós nessas contas incluem alta volumetria de transações em curtos períodos, especialmente via Pix, mas com saldo médio próximo de zero”, explica.

Essas contas são geralmente vinculadas a pessoas jovens, de baixa renda ou em situação vulnerável, que são aliciadas por criminosos para ceder suas contas em troca de dinheiro. O uso de descrições em transações como forma de comunicação entre os golpistas também é comum. Outro sinal de alerta está nos horários incomuns em que essas movimentações ocorrem, muitas vezes durante a madrugada, e no uso de múltiplas contas conectadas entre si para dificultar o rastreamento.

Banco Central entra em ação

Em resposta ao aumento das fraudes, o Banco Central implementará, a partir de dezembro de 2025, um novo sistema que permitirá aos cidadãos sinalizar ao Sistema Financeiro Nacional que não desejam abrir novas contas bancárias. Essa medida é voluntária, mas visa prevenir aberturas indevidas com identidades falsas.

Além disso, a Resolução Conjunta nº 6 de 2023 autoriza o compartilhamento de informações sobre indícios de fraude entre instituições financeiras. A colaboração entre os órgãos reguladores e o setor privado é vista como essencial para ampliar a proteção do consumidor e fortalecer o combate às fraudes.

O impacto das deepfakes e dos malwares de celular

Embora os sistemas de segurança estejam mais robustos, os criminosos também evoluíram. Helbing alerta que, apesar do avanço tecnológico, os golpes continuam explorando a psicologia humana por meio da engenharia social.

“Os criminosos exploram emoções como medo, urgência ou confiança para convencer as vítimas a compartilhar informações sensíveis”, afirma. Além disso, a utilização de deepfakes, vídeos e áudios manipulados com inteligência artificial, tem se tornado cada vez mais comum, ampliando o poder de convencimento dos fraudadores.

Outro tipo de ameaça crescente são os malwares de celular, instalados a partir de aplicativos falsos, que conseguem interferir diretamente nas transações, trocando, por exemplo, a chave Pix sem que o usuário perceba.

Dados revelam a dimensão do problema

antifraude
Imagem: panitanphoto e DG-Studio / shutterstock – Edição: Seu Crédito Digital

Dados divulgados pela Febraban mostram que o uso indevido do Pix como canal de escoamento de recursos oriundos de fraudes aumentou 43% em dois anos. Em 2023, isso representou perdas de R$ 2,7 bilhões, e a entidade classifica o fenômeno como um problema de segurança pública.

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Segundo a Febraban, mesmo com grandes investimentos em cibersegurança — cerca de R$ 5 bilhões anuais —, a engenharia social continua sendo o ponto mais frágil do sistema. A tecnologia, portanto, precisa ir além do código e compreender o comportamento humano.

Precisão e desafios no combate à fraude

Um dos maiores obstáculos na detecção de fraudes em tempo real é o risco de falsos positivos. Quando uma transação legítima é interpretada como suspeita, o usuário pode enfrentar transtornos. Para evitar esse tipo de falha, a DeLorean adota uma calibragem específica para cada instituição.

O modelo combina dados transacionais, perfil do titular e padrões de rede, o que aumenta a assertividade e reduz os falsos alertas. Essa abordagem, segundo Helbing, tem sido eficaz para interromper o ciclo de fraudes envolvendo contas laranja.

Crescimento e investimento

Em 2023, a Data Rudder recebeu um aporte de R$ 10 milhões em uma rodada de investimentos Série A liderada pela LA Venture Builder, fundo criado pela B3. A confiança do mercado na solução reflete seu potencial transformador em um setor cada vez mais pressionado por desafios digitais.

Além de Rafaela Helbing, a startup também foi fundada por Thais Nolasco, reforçando a importância da liderança feminina em áreas estratégicas como ciência de dados e fintechs.

Com informações de: Valor Investe

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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