A partir do dia 25 de agosto, os trabalhadores formais do setor privado poderão realizar a portabilidade do crédito consignado diretamente pela Carteira de Trabalho Digital, anunciou o Ministério do Trabalho. Até o momento, para transferir a dívida de um banco para outro, o trabalhador precisava procurar pessoalmente as instituições financeiras.
Com a mudança, a expectativa é que o processo se torne mais rápido e acessível, permitindo que os trabalhadores encontrem ofertas mais vantajosas sem a burocracia antiga. A Dataprev, responsável pela gestão da plataforma, não confirmou se a Carteira Digital estará pronta para uso no lançamento, mas garantiu que cumprirá os prazos acordados com o Ministério do Trabalho.
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Objetivos do governo com a portabilidade

O principal objetivo do governo é beneficiar os trabalhadores que possuem contratos antigos de empréstimos consignados, fechados antes da autorização para oferecer o FGTS como garantia, cujos juros, em geral, são mais altos.
O Ministério do Trabalho informou que o banco original poderá cobrir a oferta de uma nova instituição financeira em um sistema semelhante a um leilão, oferecendo juros ainda mais baixos do que a proposta da nova instituição. Atualmente, 70 instituições financeiras estão habilitadas para operar a modalidade.
Impacto da portabilidade sobre juros
Segundo Eduardo Lopes, presidente da Zetta, associação criada por empresas de tecnologia para promover inovação e competitividade no setor financeiro, a portabilidade pela Carteira Digital contribuirá para a redução das taxas de juros.
“O marco da portabilidade pela plataforma é uma etapa muito importante. Outras medidas ainda devem ser implementadas até que se observe uma queda mais significativa das taxas de juros”, afirmou Lopes.
Volume do consignado e taxas de juros
O crédito consignado para o setor privado, fechado após 21 de março, já soma um volume superior a R$ 27 bilhões, atendendo a 3,8 milhões de trabalhadores. De acordo com dados do Banco Central, a taxa média de juros para o setor privado chegou a 3,79% ao mês em junho, valor quase o dobro do registrado para aposentados (1,83%) e servidores públicos (1,84%).
Outras taxas de juros
- Crédito pessoal não consignado: 6,32% ao mês
- Cheque especial: 7,47% ao mês
- Cartão de crédito rotativo: 15,11% ao mês
A modalidade possui garantia do FGTS, que ainda não foi regulamentada, mas a expectativa é que a regulamentação aconteça em 10 de setembro, durante reunião do Conselho Curador do FGTS.
Garantia do FGTS e regulamentação
A regulamentação permitirá que, caso necessário, o FGTS seja utilizado como garantia para execução do crédito. Eduardo Lopes avalia que isso deve reduzir o risco das operações e, consequentemente, contribuir para a diminuição das taxas de juros.
Simulação e ranking de taxas

O Banco Central divulgou, entre os dias 24 e 30 de julho, taxas de juros que variam de 1,47% a 6,1% ao mês. Contudo, as taxas efetivas dependerão da análise de risco individual feita pelas instituições financeiras, considerando fatores como garantia oferecida, tempo de trabalho e histórico de crédito.
Recomendações para pesquisa
Especialistas recomendam que os trabalhadores realizem ampla pesquisa no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital, promovendo concorrência entre os bancos antes de contratar o empréstimo.
Sem teto para o consignado do setor privado
No momento, não há teto definido para os juros da nova linha de crédito. As instituições financeiras têm liberdade para definir as taxas de acordo com o perfil de cada cliente. A Febraban argumenta que os juros tendem a ser mais baixos devido à garantia do FGTS.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que o governo poderá estabelecer um teto caso observe abuso do sistema financeiro. Em março, um decreto presidencial determinou que o Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado definirá os parâmetros e condições dos contratos de empréstimos com FGTS, abrindo a possibilidade de criação de teto de juros no futuro.
Nova linha de crédito com FGTS
A nova modalidade foi lançada em 21 de março e permite o uso de até 10% do saldo do FGTS como garantia, além de 100% da multa rescisória na demissão sem justa causa (40% do saldo). As parcelas do consignado são descontadas diretamente do contracheque.
Vantagens da nova modalidade
- Não exige acordo com o empregador
- Pode ser contratada pelo aplicativo da Carteira Digital
- Desde 25 de abril, também disponível nos canais eletrônicos dos bancos
- Portabilidade disponível desde 16 de maio, mas agora será totalmente digital a partir de 25 de agosto
Recomendações para trabalhadores

Para aproveitar as vantagens da portabilidade e da nova modalidade:
- Compare taxas no aplicativo da Carteira Digital
- Verifique as condições de juros e garantias oferecidas
- Avalie o histórico de crédito e a análise de risco feita pelos bancos
- Utilize o FGTS como forma de reduzir os juros, quando regulamentado
Conclusão
A portabilidade do crédito consignado via Carteira de Trabalho Digital representa um avanço significativo para os trabalhadores do setor privado, trazendo maior facilidade, transparência e potencial redução de juros. Com a regulamentação da garantia do FGTS, a tendência é que o mercado de crédito se torne mais competitivo e acessível, beneficiando milhões de brasileiros.
