A portaria que regula o funcionamento do comércio e serviços aos domingos e feriados teve sua implementação adiada novamente. Prevista inicialmente para 1º de janeiro de 2024, a medida agora entrará em vigor em 1º de julho de 2025. Esta é a quarta vez que a entrada em vigor do texto é postergada, demonstrando a complexidade do tema e a pressão exercida por setores da economia e parlamentares.
Governo adia decisão sobre medida que limita trabalho aos feriados; entenda
O Ministério do Trabalho adiou para 1º de julho de 2025 a portaria que limita o funcionamento do comércio em feriados.
A decisão foi anunciada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que argumenta ser necessário mais tempo para discussão e ajustes. A portaria exige que o funcionamento de atividades comerciais em domingos e feriados dependa de negociações com sindicatos ou autorização em lei municipal, alterando uma medida de 2021 que permitia o trabalho sem aprovação sindical.
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Entendendo a portaria
A portaria publicada pelo governo em 2023 busca regular o trabalho em dias tradicionalmente reservados ao descanso ou à convivência familiar. Seu principal objetivo é estabelecer condições mais equilibradas para os trabalhadores do comércio e serviços, garantindo negociações com sindicatos ou respaldo de leis municipais para funcionar em feriados.
Essa iniciativa surgiu como resposta à flexibilização feita em 2021, que retirou a obrigatoriedade de consulta aos sindicatos para abertura nesses dias, gerando insatisfação em entidades trabalhistas. A ideia é assegurar que trabalhadores tenham seus direitos protegidos, ao mesmo tempo em que cria uma base legal mais sólida para o funcionamento do comércio.
Motivações para os adiamentos

Os sucessivos adiamentos refletem a resistência de setores empresariais e de parlamentares, que alegam impactos negativos na economia. A principal crítica é que a limitação do trabalho em feriados poderia afetar empregos e a arrecadação de impostos.
O relator do projeto de lei que busca barrar a portaria, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), defendeu que a medida interfere diretamente na geração de renda, sobretudo em setores como turismo, comércio e serviços. Segundo ele, o funcionamento em feriados é crucial para movimentar a economia em diversas cidades do país.
Em julho de 2024, o prazo foi ampliado para janeiro de 2025. Em seguida, estendeu-se para março do mesmo ano, e agora, uma nova data é fixada para julho de 2025. O MTE justificou essas mudanças como necessárias para aprofundar o diálogo com os setores envolvidos.
Impactos na economia
Para os empregadores
Os setores empresariais apontam que as restrições ao funcionamento podem trazer consequências graves:
- Redução do faturamento: Datas comemorativas e feriados representam grandes oportunidades de vendas para o varejo.
- Dificuldade em manter empregos: Com a queda no faturamento, empresas podem precisar enxugar suas equipes.
- Aumento de custos operacionais: A negociação com sindicatos pode resultar em acordos coletivos que encarecem a mão de obra.
Para os trabalhadores
Por outro lado, os defensores da portaria destacam que ela beneficia os trabalhadores ao:
- Garantir direitos: A exigência de negociação coletiva fortalece o papel dos sindicatos na proteção de condições de trabalho.
- Promover descanso e bem-estar: Restringir o funcionamento do comércio em feriados ajuda a preservar a saúde física e mental dos empregados.
- Evitar jornadas abusivas: A regulação minimiza a exploração excessiva, comum em setores com alta rotatividade.
O papel dos Sindicatos e Leis Municipais
A portaria transfere para os sindicatos e legislações locais um papel decisivo no funcionamento de comércios em feriados. Isso cria cenários variados em diferentes regiões do país:
- Negociações coletivas: Onde sindicatos são fortes, os trabalhadores podem conseguir melhores condições.
- Dependência de leis municipais: Municípios com maior dinamismo econômico tendem a aprovar leis permitindo o funcionamento do comércio nesses dias.
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Críticas e ações parlamentares
Logo após a publicação da portaria, a Câmara dos Deputados aprovou a urgência de um projeto de lei que visa barrar a medida. A argumentação central é que a portaria interfere na liberdade econômica e prejudica os pequenos comércios, que dependem de feriados para impulsionar suas receitas.
Luiz Gastão, relator do PL, criticou a falta de flexibilidade da portaria. Ele defende que cada região tem realidades econômicas distintas e que uma regra geral pode prejudicar mais do que beneficiar. Outros parlamentares também se posicionaram a favor de uma discussão mais ampla sobre o tema.
Mesa Tripartite: uma solução em construção

Durante reuniões com representantes dos setores trabalhistas, o ministro Luiz Marinho propôs a criação de uma mesa tripartite para debater o assunto. A ideia é envolver governo, empregadores e sindicatos em uma negociação mais ampla, buscando um texto que atenda aos interesses de todas as partes.
O novo texto da portaria deverá ser publicado até março de 2025, antes da entrada em vigor em julho. A expectativa é que esse período adicional permita ajustes que contemplem as demandas do setor empresarial sem comprometer os direitos dos trabalhadores.
Considerações finais
A portaria que regula o trabalho em domingos e feriados é um reflexo da tensão entre os direitos trabalhistas e as demandas do mercado. Os adiamentos sucessivos mostram que o tema requer um equilíbrio delicado entre proteger os trabalhadores e preservar a atividade econômica.
Enquanto o governo busca consenso através do diálogo, o setor produtivo e os sindicatos permanecem atentos ao impacto que a medida poderá causar. Resta aguardar as próximas discussões e a definição do texto final que, se bem negociado, pode trazer avanços significativos para as relações de trabalho no Brasil.
Imagem: Freepik
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