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Mesmo com custo menor, postos seguram preço dos combustíveis; AGU reage

AGU pede investigação sobre preços de combustíveis não repassados aos consumidores em postos de abastecimento. Entenda a situação.

Fernanda RamosPor Fernanda Ramos4 min de leitura
Combustíveis

Mesmo com reduções nos preços praticados pelas refinarias ao longo do último ano, os consumidores continuam pagando caro pelos combustíveis nos postos. Diante desse cenário, a Advocacia-Geral da União (AGU) formalizou um pedido para que órgãos de controle investiguem possíveis práticas anticoncorrenciais na cadeia de distribuição e revenda de gasolina, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP).

O caso já foi encaminhado ao Cade, à Polícia Federal e a outras autoridades competentes para apuração.

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A denúncia: margens que não caem

Carro sendo abastecido com combustível no posto de gasolina..
Imagem: Impact Photography/shutterstock.com

A manifestação da AGU partiu de uma análise do Departamento de Assuntos Extrajudiciais, que cruzou informações da Secretaria Especial de Análise Governamental e da Secretaria Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. A conclusão é que os elos de distribuição e revenda não têm repassado aos consumidores as quedas aplicadas pela Petrobras nas refinarias — mas, por outro lado, repassam integralmente (e até com aumento proporcional) quando há alta.

Entre julho de 2024 e junho de 2025, por exemplo, houve sete ajustes nas refinarias: três aumentos e quatro reduções. Os aumentos chegaram à bomba com rapidez e, em alguns casos, com margem ampliada para os revendedores. Já as reduções foram absorvidas pelas margens das distribuidoras e postos, gerando mais receita para essas empresas e prejuízo para os motoristas.

Impacto nacional e regional

A prática foi observada em todo o território nacional, mas a AGU destacou situações específicas no mercado do Norte do país, especialmente ligadas à Refinaria do Amazonas (REAM). Além disso, irregularidades foram identificadas no mercado de distribuição de GLP — o popular gás de cozinha — com indícios de sobrepreço não justificado.

Segundo os documentos analisados, essas condutas comprometem a livre concorrência e prejudicam diretamente a população, que arca com preços mais altos do que os praticados pela refinaria justificariam.

Órgãos acionados

Para garantir a apuração dos fatos e eventuais responsabilizações, a AGU enviou o caso aos seguintes órgãos:

  • Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade): responsável por investigar e coibir práticas anticompetitivas.
  • Polícia Federal: para investigar eventuais crimes contra a ordem econômica.
  • Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon): para avaliar impacto nos direitos do consumidor.
  • Procuradoria Nacional da União de Patrimônio Público e Probidade: unidade da AGU que atua em defesa do patrimônio público.

O pedido de investigação também pede atenção especial às discrepâncias identificadas entre os preços repassados aos consumidores em momentos de alta e de queda das refinarias.

Margens infladas nas bombas

Um relatório do Ministério de Minas e Energia anexado ao pedido reforça que as distribuidoras e os postos não têm aplicado reduções de preço na mesma medida que as refinarias. Quando os preços sobem, o aumento é imediatamente repassado ao consumidor final, muitas vezes de forma exagerada. Quando caem, os consumidores praticamente não percebem o alívio no bolso.

Essa assimetria entre altas e quedas prejudica a concorrência e aumenta as margens das empresas às custas dos consumidores, de acordo com a AGU.

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Prejuízo ao consumidor e à economia

A imagem mostra um posto de gasolina vermelho, branco e laranja, com carros no pátio.
Imagem: Carolyn Franks/ Shutterstock.com

Para especialistas, práticas como essa corroem a confiança no mercado de combustíveis e impactam diretamente a inflação, além de ferir princípios de justiça econômica. O GLP, essencial para milhões de famílias brasileiras, é um dos produtos que mais sofrem com a retenção de margens pelas distribuidoras e revendedores.

Com a inflação de alimentos e energia ainda pressionada, o comportamento oportunista dos preços na bomba se torna um agravante para o orçamento das famílias.

Próximos passos

Os órgãos acionados agora devem abrir inquéritos e processos administrativos para apurar as denúncias. O Cade poderá aplicar multas e determinar ajustes de conduta. A Polícia Federal e a Senacon, por sua vez, podem propor ações penais e civis em caso de confirmação de práticas ilegais.

A AGU seguirá monitorando o andamento das investigações e, se necessário, apresentará novas medidas para proteger os consumidores.

Com informações de: Agência Gov

Fernanda Ramos

Autor

Fernanda Ramos

Fernanda é graduanda em Letras Vernáculas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com sólida formação em língua portuguesa. Atua na estruturação, revisão e aprimoramento textual dos conteúdos do portal Seu Crédito Digital, garantindo clareza, coesão e qualidade editorial. Apaixonada por comunicação, tem como missão facilitar o acesso à informação com linguagem acessível e confiável.

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