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Preço dos colchões aumenta 35% após medida do Governo Lula; veja detalhes

Taxa antidumping sobre poliol importado da China e EUA eleva custo da espuma e faz preço dos colchões subir até 35%, segundo a Abicol. Dow é favorecida.

Bruna MachadoPor Bruna Machado6 min de leitura
colchões

Uma decisão do governo federal provocou um impacto imediato no mercado de colchões no Brasil. Em 3 de julho de 2025, o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), publicou a Resolução nº 754, que impõe sobretaxas sobre a importação de poliol poliéter da China e dos Estados Unidos.

O produto, essencial para a fabricação de espumas, responde por até 55% da composição da matéria-prima dos colchões. Segundo a Abicol (Associação Brasileira da Indústria de Colchões), a medida provocou um aumento imediato de 25% a 40% no custo do poliol importado, refletindo-se diretamente no preço final dos colchões, com reajustes estimados em até 35%.

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O que diz a resolução GECEX nº 754/2025?

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Imagem: Flowo – Freepik

Fundamentação legal e alegação de dumping

A Resolução GECEX nº 754/2025 foi adotada com base em investigações de prática de dumping, ou seja, a venda de produtos importados a preços inferiores ao valor justo de mercado, causando prejuízo à indústria nacional.

O governo, amparado por normas da Organização Mundial do Comércio (OMC) e pela legislação brasileira de defesa comercial, alegou que os exportadores da China e dos EUA estariam praticando dumping ao vender poliol a preços artificialmente baixos.

Com isso, foi aplicada uma tarifa adicional por tonelada de poliol importado, variando entre US$ 680,13 e US$ 1.469,16, dependendo do país e do fabricante.

Participação da Dow na decisão

O aspecto mais controverso da medida está no fato de que a única fabricante nacional de poliol é a Dow, multinacional norte-americana com planta no Brasil. Embora a ação do governo seja justificada como defesa da indústria local, o que se viu na prática, segundo a Abicol, foi uma proteção comercial a uma empresa estrangeira que não atende integralmente a demanda nacional.

Impactos da medida sobre o mercado de colchões

Aumento nos custos e nos preços ao consumidor

A Abicol estima que cerca de 50% a 60% do poliol consumido no Brasil é importado. A imposição das tarifas antidumping aumentou substancialmente o preço do insumo para os fabricantes de colchões. A consequência foi:

  • Aumento de 15% a 25% no custo da espuma;
  • Reajuste de até 35% no preço final dos colchões.

Fabricantes menores, que dependem fortemente do fornecimento internacional, estão entre os mais afetados, já que não possuem volume de negociação suficiente com a Dow para garantir condições competitivas de compra.

Risco de desabastecimento e desindustrialização

Outro alerta feito pela Abicol é o risco de desabastecimento do mercado interno, uma vez que a Dow atende, no máximo, 50% da demanda nacional de poliol, segundo estimativas da associação e do próprio MDIC. A dependência das importações, portanto, torna insustentável a exclusão dos fornecedores internacionais sem um plano de expansão produtiva.

A associação alerta para possíveis consequências graves, como:

  • Fechamento de fábricas no Brasil;
  • Redução na produção nacional;
  • Transferência de plantas para países vizinhos do Mercosul, onde não há aplicação da medida.

Ação judicial e reação do setor

Diante dos efeitos negativos da resolução, a Abicol acionou a Justiça contra a medida antidumping, argumentando que ela:

  • Viola o princípio da concorrência;
  • Beneficia uma única empresa estrangeira em detrimento de toda a cadeia produtiva nacional;
  • Prejudica o consumidor, com aumentos expressivos em produtos essenciais como colchões e espumas para uso hospitalar, automotivo e moveleiro.

O que diz o governo federal?

Defesa da medida e previsão de revisão

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, liderado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), respondeu às críticas alegando que:

  • A medida seguiu rigorosamente os trâmites legais e técnicos previstos nas normas da OMC;
  • Houve participação de entidades representativas como Abicol e Asinec (Associação das Indústrias de Espuma e Colchões) durante o processo investigativo;
  • O governo está aberto a revisar a medida, por meio de processos de avaliação de interesse público e de revisão ordinária.

Em nota, o ministério afirmou que eventuais suspensões ou alterações nos valores das tarifas podem ocorrer, desde que observados critérios técnicos e os prazos legais.

Quem é a Dow?

Perfil da empresa

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A Dow Inc. é uma gigante do setor químico e petroquímico, com sede nos Estados Unidos e presença em mais de 160 países. A empresa atua em diferentes frentes, como:

  • Produção de plásticos, poliuretanos e insumos químicos;
  • Fabricação de produtos industriais e químicos especiais;
  • Fornecimento para os setores automotivo, agrícola, de construção civil e de consumo.

No Brasil, a Dow possui fábricas e centros de pesquisa em São Paulo, Bahia e Minas Gerais, sendo a única produtora nacional de poliol poliéter, principal insumo na fabricação de espumas.

Colchões mais caros e famílias prejudicadas

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Imagem: Ricardo Stuckert/PR

Impacto direto no consumo popular

Com os aumentos já identificados nas planilhas das indústrias, o consumidor brasileiro deve enfrentar preços significativamente mais altos em um item essencial: o colchão.

Esse aumento pode prejudicar especialmente famílias de baixa renda, que já sofrem com os efeitos da inflação acumulada e da desaceleração da economia. Colchões estão entre os itens essenciais de conforto e saúde, com impacto direto no bem-estar da população.

O setor teme uma queda na demanda, o que também pode resultar em demissões e retração da produção nacional.

Setor moveleiro e hospitalar também são afetados

Além dos colchões, a medida impacta outros segmentos importantes, como:

  • Estofados e móveis residenciais, que utilizam espuma como base;
  • Setor automotivo, que emprega poliol em assentos e acabamentos;
  • Setor hospitalar, que depende da espuma para colchões especializados, cadeiras e encostos.

A elevação nos custos desses produtos pode repercutir em toda a economia, desde o varejo até o sistema público de saúde.

Caminhos possíveis: alternativas e revisão

Especialistas e representantes do setor defendem que o governo:

  • Amplie o debate público sobre os impactos da medida;
  • Considere a liberação de cotas isentas de antidumping até que a produção nacional seja suficiente;
  • Estabeleça programas de estímulo à produção local de poliol, com inclusão de novos players além da Dow;
  • Avalie revisar a resolução com base em estudos de impacto regulatório.
Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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