Uma proposta que promete mudar a relação entre comerciantes e consumidores no Brasil avança na Câmara dos Deputados. O Projeto de Lei 4191/20, aprovado na Comissão de Defesa do Consumidor, autoriza os lojistas a exibir, de forma opcional, o preço de custo dos produtos ao lado do preço de venda.
Nova lei pode exigir que lojas mostrem o preço de custo ao lado do de venda
Entenda a nova lei sobre preço de custo nas lojas. Saiba como impacta consumidores e comerciantes!
A iniciativa, que ainda segue tramitando, tem gerado debates sobre transparência, concorrência, proteção dos pequenos empresários e até impacto tributário.
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O que diz o Projeto de Lei sobre o preço de custo?

Detalhes da proposta
O texto aprovado permite que os fornecedores informem, de forma opcional, o preço de custo dos produtos aos consumidores. A regra não obriga, apenas autoriza a prática.
Quem são os autores?
O projeto original é do deputado Ossesio Silva (Republicanos-PE), com relatório do deputado Gilson Marques (Novo-SC), que apresentou um substitutivo alterando pontos sensíveis do texto.
Mudanças em relação ao texto original
- O projeto inicial tornava obrigatória a exibição do preço de custo em produtos considerados essenciais.
- O texto atual torna essa prática opcional, buscando proteger pequenos comerciantes e evitar riscos competitivos.
Por que tornar opcional?
Justificativa do relator
Segundo o deputado Gilson Marques, a obrigatoriedade poderia gerar uma série de desafios, como:
- Complexidade na definição do preço de custo, que varia conforme:
- Frete;
- Impostos;
- Taxas cambiais;
- Período da compra.
- Risco à competitividade, já que o preço de custo faz parte da estratégia comercial de cada empresa.
“Divulgar o preço de custo pode expor margens de lucro e acordos comerciais, afetando a competitividade, especialmente dos pequenos lojistas”, afirmou o relator.
Impacto nos pequenos e médios comerciantes
Desigualdade no mercado
A obrigatoriedade afetaria de forma desproporcional os pequenos e médios comerciantes, que:
- Têm menos poder de negociação com fornecedores.
- Não conseguem competir em igualdade com grandes redes varejistas.
Ameaça à sustentabilidade dos negócios
- Grandes empresas conseguem melhores preços na origem, o que poderia ser escancarado, prejudicando ainda mais os pequenos.
- A exposição da margem de lucro poderia gerar pressão dos consumidores e concorrentes, levando a ajustes forçados e redução de rentabilidade.
Transparência e impacto para os consumidores
Vantagens da divulgação do preço de custo
- Aumento da transparência nas relações de consumo.
- Consumidores entenderiam melhor como são formados os preços.
- Poder de negociação mais equilibrado, especialmente em setores como eletrodomésticos, vestuário e supermercados.
Possíveis desvantagens
- Distorção na percepção do valor agregado, como custos operacionais, logística, impostos e serviços.
- Comparações injustas entre empresas de portes diferentes.
Implicações tributárias e fiscais
Transparência fiscal indireta
- A medida pode facilitar o acompanhamento das margens de lucro, impactando discussões sobre:
- ICMS;
- PIS;
- Cofins.
Riscos e oportunidades
- Pode auxiliar no combate à sonegação fiscal.
- Estimula práticas mais claras na formação de preços.
- Contudo, também pode gerar debates sobre a adequação das políticas fiscais e exposição excessiva de dados sensíveis.
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Reforma tributária em debate
- Este projeto pode abrir portas para discutir uma reforma na política de markups e regras de precificação, com reflexos tanto no setor privado quanto na arrecadação pública.
Caminho do projeto até virar lei
Próximos passos na Câmara
- O projeto tramita em caráter conclusivo, ou seja, não precisará passar pelo plenário se não houver recurso.
- Ainda precisa ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).
Depois da Câmara
- Se aprovado na CCJC, o texto segue para o Senado Federal.
- Após isso, depende de sanção presidencial para se tornar lei.
O que dizem os especialistas?

Posição de entidades do varejo
- Associações comerciais temem que, mesmo opcional, a prática gere uma pressão mercadológica.
- Podem surgir movimentos de “marketing agressivo”, onde empresas mostrem margens muito pequenas para atrair clientes, forçando uma guerra de preços.
Defensores da proposta
- Entidades de defesa do consumidor veem com bons olhos a iniciativa, desde que não obrigatória, pois fortalece a transparência e a confiança na relação de consumo.
Conclusão
A proposta que permite a exibição do preço de custo ao lado do preço de venda no comércio brasileiro é uma iniciativa que busca equilibrar transparência para o consumidor e proteção aos pequenos comerciantes.
Ainda em tramitação, o projeto gera discussões importantes sobre a formação de preços, competitividade e impactos fiscais. Se aprovada, a medida poderá transformar práticas comerciais e influenciar até mesmo futuras reformas tributárias no país.
Imagem criada pelo ChatGPT
