Nos últimos anos, o preço do café no Brasil apresentou uma escalada preocupante. Em 2024, o aumento foi de 37,4%, um reflexo das dificuldades enfrentadas pela indústria cafeeira nos últimos tempos. A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) reportou que o custo do grão para o consumidor final aumentou em 110% desde 2020.
Preço do café deve seguir elevado até 2026
O preço do café no Brasil continua em alta, e a tendência é que o custo se mantenha elevado até 2026. Entenda os fatores.
Em um mercado que já enfrenta pressões inflacionárias, a alta nos preços do café é um dos reflexos mais notáveis da crise de abastecimento e dos impactos climáticos sobre a produção.
O cenário atual: fatores que influenciam o preço do café

A principal razão para o aumento nos preços do café é, sem dúvida, a combinação de condições climáticas adversas e uma produção abaixo da média. Desde 2021, as safras têm sido severamente afetadas por fatores climáticos, como a restrição hídrica e temperaturas mais altas durante a fase de floração das plantas. Esses eventos impactaram diretamente a produtividade das lavouras, resultando em uma colheita reduzida.
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Além disso, o Brasil, maior produtor e exportador de café do mundo, viu uma diminuição significativa na sua capacidade de abastecer o mercado interno devido à maior demanda internacional e ao fortalecimento do dólar, que incentivou as exportações.
O impacto no mercado interno e externo
Apesar dos preços elevados, o consumo de café no Brasil não diminuiu de forma expressiva. Entre 2023 e 2024, houve um aumento de 1,1% no consumo de café torrado e moído, totalizando 21,9 milhões de sacas de 60 quilos, o que representa 40,4% da safra de 2023. A Abic calcula que cada brasileiro consome, em média, 1.430 xícaras de café por ano. Com isso, o mercado interno gerou R$ 36,82 bilhões em receita, um aumento de 60,85% em relação a 2023.
No entanto, mais de 60% da produção nacional de café é destinada à exportação. Isso significa que, mesmo com o alto consumo interno, a indústria cafeeira brasileira depende fortemente do mercado externo para sua rentabilidade. O Brasil continua sendo o segundo maior consumidor mundial de café, atrás apenas dos Estados Unidos, que superaram o consumo brasileiro em 4,1 milhões de sacas. Contudo, o consumo per capita no Brasil, de 6,26 kg por ano, ainda é superior ao dos norte-americanos, que consomem 4,9 kg anualmente.
A queda na produção de café para 2025
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) já projeta que a produção de café no Brasil em 2025 será de 51,8 milhões de sacas de 60 kg, o que representa uma queda de 4,4% em relação à produção do ano anterior. Essa diminuição é atribuída ao ciclo bienal de baixa, característico da cultura do café, além de fatores climáticos adversos, como a restrição hídrica e as altas temperaturas durante a floração das plantas.
A produção menor terá um impacto direto sobre os preços, que devem seguir voláteis até 2026, quando é esperado que a próxima safra traga mais estabilidade para o mercado de café. Pavel Cardoso ressalta que, após 2026, os preços tendem a estabilizar, mas as flutuações são inevitáveis enquanto o clima continuar a afetar as colheitas.
O futuro do preço do café: estabilidade a longo prazo?
A trajetória do preço do café nos próximos anos é incerta e depende de diversos fatores, como as condições climáticas e o comportamento do mercado global. A combinação de uma baixa produção nacional e o aumento na demanda mundial criou um cenário difícil para os consumidores, que terão que lidar com preços elevados até pelo menos 2026.
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Embora a safra de café de 2025 seja projetada para ser menor, os consumidores podem esperar uma certa volatilidade nos preços, à medida que a indústria tenta equilibrar o fornecimento com a demanda crescente. As exportações continuarão sendo uma parte significativa do mercado brasileiro, o que pode tornar o café ainda mais caro para os consumidores internos.
Impactos para o consumidor
Para os consumidores, o aumento nos preços do café pode significar ajustes no orçamento doméstico. As altas constantes no custo do grão podem afetar a compra do produto, principalmente entre as famílias que consomem grandes quantidades de café diariamente. No entanto, para os amantes do café, o Brasil continua sendo um dos maiores produtores do mundo, o que pode garantir a oferta do produto, mesmo que os preços continuem em alta.
O que pode ser feito para mitigar o impacto?

Embora a alta no preço do café seja um reflexo de fatores globais e climáticos, existem algumas maneiras de os consumidores lidarem com o aumento de preços. Uma das dicas é a busca por marcas de café que ofereçam um custo-benefício mais acessível sem perder a qualidade do produto. Além disso, comprar em grandes quantidades ou aproveitar promoções de grandes redes de varejo pode ajudar a reduzir os custos no longo prazo.
Considerações finais
O preço do café no Brasil deve continuar a aumentar nos próximos meses e até 2026, devido a uma série de fatores que incluem a baixa produção e a demanda crescente. Embora a situação seja desafiadora para os consumidores, é importante entender que o mercado de café é volátil e está sujeito a mudanças climáticas e econômicas. Para quem consome o grão regularmente, a expectativa é de que o café permaneça caro por um tempo, mas as opções de adaptação ao novo cenário são possíveis.
