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Preço da soja no Paraná recua com influência dos derivados

Valor da saca de soja cai no Paraná, influenciado pela desvalorização do farelo e movimento do mercado internacional. Veja os números e análises.

Juliana PeixotoPor Juliana Peixoto4 min de leitura
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O preço da soja no Paraná apresentou recuo nesta terça-feira (15), refletindo uma conjuntura de fatores internos e externos que pressionam o mercado agrícola. De acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral), a saca de 60 kg da oleaginosa foi cotada, em média, a R$ 116,39, registrando uma desvalorização de 0,72% em relação ao dia anterior.

A retração dos preços é atribuída, principalmente, à queda nos valores dos coprodutos da soja, como o farelo, além do comportamento das bolsas internacionais, em especial a de Chicago. Essa combinação tem reduzido a atratividade para negociações no mercado físico brasileiro, com impactos diretos para os produtores paranaenses.

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Derivados da soja puxam a queda

Soja
Imagem: ROKA Creative – Freepik

Farelo de soja recua mais de 2% em um dia

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) apontou que o preço do farelo de soja caiu 2,61% na segunda-feira (14), sendo cotado a R$ 1.478,07 a tonelada. A retração nos preços do farelo impacta diretamente a formação de valor da soja in natura, já que os coprodutos têm peso significativo na cadeia de comercialização e exportação da oleaginosa.

Segundo analistas, o recuo no preço do farelo está ligado à menor demanda do setor de nutrição animal e à maior disponibilidade do produto no mercado interno, resultado de esmagamentos recentes em grande escala.

Além do farelo, o óleo de soja também tem enfrentado momentos de instabilidade, o que pressiona ainda mais o complexo da soja e desestimula os negócios tanto no mercado físico quanto nas negociações futuras.

Safra dos EUA traz alívio para o mercado internacional

Bolsa de Chicago registra desvalorização

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros da soja para entrega em agosto também caíram nesta terça-feira, com recuo de 0,60%, encerrando o dia cotados a US$ 9,95 por bushel. O movimento baixista foi influenciado por novos relatórios climáticos e dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que indicam melhoria nas condições da safra norte-americana.

De acordo com o USDA, 69% das lavouras de soja nos EUA estão em boas ou excelentes condições, o que representa uma leve melhora em relação à semana anterior. Esse cenário tende a aumentar a oferta global da commodity, o que naturalmente pressiona os preços no mercado internacional.

A tendência de recuperação das lavouras norte-americanas, aliada à redução na demanda global — especialmente da China —, tem mantido os preços sob pressão constante nas últimas semanas.

Panorama dos preços da soja pelo Brasil

soja
Imagem: HelloDavidPradoPerucha – Freepik

Estados do Centro-Oeste e Nordeste seguem com cotações mais elevadas

Enquanto o Paraná sente a pressão dos derivados e do mercado internacional, outros estados continuam praticando preços mais elevados para a saca de soja. Segundo levantamento da consultoria AgRural, os valores médios registrados nesta terça-feira (15) foram:

  • Luís Eduardo Magalhães (BA): R$ 119,50
  • Dourados (MS): R$ 119,50
  • Rio Verde (GO): R$ 119,00
  • Balsas (MA): R$ 118,00
  • Triângulo Mineiro (MG): R$ 123,00

Portos mantêm cotações mais altas

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Nos principais portos brasileiros, a valorização ainda é um pouco maior, refletindo a demanda externa, apesar da queda recente. Em Santos (SP), a saca de soja foi cotada a R$ 135, enquanto no porto de Rio Grande (RS), o valor chegou a R$ 135,50.

Esses preços, contudo, não se refletem diretamente no interior do país, especialmente nas regiões onde há maior dependência da indústria de esmagamento e menos acesso direto à exportação.

Expectativas para os próximos dias

Pressão de baixa pode continuar

Especialistas ouvidos por agências de mercado preveem que a pressão de baixa sobre a soja deve se manter no curto prazo, caso o cenário atual persista. A tendência de safra positiva nos Estados Unidos e o comportamento dos derivados no Brasil são os principais pontos de atenção.

Além disso, o câmbio também desempenha papel relevante. Com o dólar oscilando próximo a R$ 5,40, as margens para exportadores ficam mais apertadas, o que pode influenciar negativamente o ritmo das vendas.

Produtores atentos ao clima e à logística

Os produtores paranaenses, por sua vez, seguem atentos às variações climáticas e à logística de escoamento, que continuam como fatores decisivos para a formação de preços. A colheita da segunda safra já foi concluída em diversas regiões do estado, o que coloca o foco agora no armazenamento e na comercialização estratégica dos estoques.

Imagem: avicultura do nordeste/Reprodução

Juliana Peixoto

Autor

Juliana Peixoto

Juliana Peixoto é jornalista cearense, formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Apaixonada por informação e escrita, está sempre em busca de novos aprendizados, experiências e vivências que ampliem sua visão de mundo. Atualmente, colabora com o portal Seu Crédito Digital, contribuindo com conteúdo informativo e acessível para os leitores.

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