A inflação alimentícia tem sido uma preocupação crescente para consumidores, governo e o setor varejista, especialmente após os aumentos expressivos nos preços de itens essenciais.
Preços em alta faz ovos, café, azeite e açúcar faltarem nos supermercados
Em janeiro de 2025, a alta nos preços de alimentos como café, ovos, açúcar e azeite trouxe uma escalada na ruptura do varejo. Descubra os impactos dessa situação.
Em janeiro de 2025, o cenário se agravou com a alta nos preços de produtos como café, ovos, açúcar e azeite, refletindo diretamente no aumento da ruptura no varejo.
A ruptura, indicador crucial para entender a falta de produtos nas prateleiras, atingiu níveis preocupantes, trazendo novas dificuldades para os varejistas e consumidores.
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O Que é a Ruptura no Varejo?

Antes de analisarmos os dados de ruptura, é importante entender o conceito desse indicador. A ruptura no varejo é a porcentagem de produtos que estão em falta dentro do total de itens disponíveis em uma loja, considerando o mix de produtos comercializados.
Por exemplo, se uma loja vende dez tipos diferentes de café e um deles está sem estoque, a ruptura desse produto será de 10%. Esse índice não depende da demanda ou do histórico de vendas, sendo calculado com base no mix de cada loja.
Em janeiro de 2025, o índice de ruptura geral chegou a 13,7%, o que representa um aumento de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior, dezembro de 2024. Esse é o maior valor registrado desde agosto de 2024, quando a ruptura ultrapassou a marca de 13%.
O Impacto da Alta nos Preços de Alimentos

O aumento nos preços dos alimentos é um fator crucial para a alta da ruptura, especialmente em itens básicos da alimentação dos brasileiros. Entre os produtos que mais impactaram o índice de ruptura, destacam-se o café, ovos, açúcar e azeite.
Café: Aumento de Preço e Ruptura
O café, um dos itens mais tradicionais no mercado brasileiro, registrou um aumento significativo na ruptura em janeiro de 2025. O índice de ruptura para o café subiu 2,1 pontos percentuais, chegando a 11,1%.
Esse aumento está diretamente ligado à alta de 66% no preço do café nos últimos 12 meses. Em janeiro de 2025, o preço do café em pó teve um reajuste de 7%, passando de R$ 21,94 para R$ 23,48 por quilo. Já o café em grãos teve uma redução de preço, caindo de R$ 50,14 para R$ 44,47 o quilo.
A alta nos preços do café está associada a fatores climáticos, como o tempo seco, que prejudicou a florada e, consequentemente, a produção para o ciclo de 2025/26. Embora as recentes chuvas nas regiões produtoras possam melhorar a qualidade dos grãos, o excesso de calor ainda representa uma ameaça à produção de café.
Ovos: Ruptura e Aumento de Preço
Os ovos, item essencial na alimentação diária dos brasileiros, também apresentaram aumento na ruptura. A ruptura dos ovos passou de 16,7% em dezembro de 2024 para 19,7% em janeiro de 2025, um aumento de 3 pontos percentuais.
Embora os preços dos ovos brancos tenham registrado um leve reajuste, subindo de R$ 11,06 para R$ 11,25, os ovos caipira e de codorna apresentaram variações opostas. Os preços dos ovos caipira subiram de R$ 13,43 para R$ 15,05, enquanto os ovos de codorna caíram de R$ 9,22 para R$ 8,26.
Esse aumento na ruptura pode ser atribuído a desafios na cadeia produtiva, como o aumento dos custos de produção e a redução da oferta devido a problemas climáticos.
Açúcar: Alta no Preço e Ruptura
O açúcar é outro produto que teve um aumento significativo na ruptura. O índice de ruptura do açúcar subiu 1,1 ponto percentual em janeiro, chegando a 10%. Esse aumento representa uma retomada dos níveis de ruptura registrados em agosto de 2024, após um período de estabilidade entre setembro e dezembro.
O preço do açúcar cristal subiu, em média, 2,9%, passando de R$ 9,40 para R$ 9,68. O açúcar mascavo também teve um reajuste, indo de R$ 15,09 para R$ 15,34. Já o açúcar refinado manteve seu preço estável, em torno de R$ 5,85.
Esse aumento nos preços reflete a pressão sobre os custos de produção e a escassez de oferta em algumas regiões produtoras, resultando em um impacto direto na disponibilidade do produto no mercado.
Azeite: Volta ao Aumento de Ruptura
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O azeite, que vinha apresentando uma tendência de queda na ruptura desde julho de 2024, também registrou um aumento em janeiro de 2025. A ruptura do azeite subiu 1 ponto percentual, alcançando 7,6%. Embora o aumento tenha sido mais modesto, o índice ainda é significativamente mais baixo do que no início de 2024, quando a ruptura do azeite chegou a 17,5%.
Nos preços, o azeite de oliva virgem teve uma leve redução, de R$ 48,14 para R$ 47,91, enquanto o azeite extra virgem subiu de R$ 49,44 para R$ 50,18. Esses aumentos de preço refletem a inflação global e os desafios na produção de azeite, particularmente em regiões afetadas por mudanças climáticas.
O Impacto da Desaceleração no Consumo
Robson Munhoz, diretor de relações corporativas da Neogrid, aponta que o aumento nos preços dos alimentos e a desaceleração no consumo no Brasil estão criando um ciclo difícil para o setor varejista. Com o poder de compra do brasileiro pressionado pela inflação, a reposição de estoques tem se tornado mais lenta. Isso resulta em uma maior falta de produtos nas prateleiras, agravando ainda mais o cenário de ruptura.
Essa combinação de aumento nos preços e dificuldades na reposição de estoques reflete um quadro de incertezas para os consumidores e comerciantes. Com os preços elevados e a oferta limitada, o impacto no consumo de itens essenciais, como café, ovos, açúcar e azeite, se torna evidente.
O Cenário Econômico de 2025

O aumento nos preços dos alimentos e a consequente ruptura no varejo são sinais claros de um mercado pressionado por fatores internos e externos. O ano de 2025 começa com desafios significativos para o consumidor brasileiro, que enfrenta um aumento nos custos de produtos essenciais e uma maior escassez de itens nas prateleiras.
Com o governo adotando medidas para tentar controlar a inflação e garantir a oferta de alimentos, o setor varejista ainda luta para superar os obstáculos impostos pela desaceleração do consumo e pela elevação dos preços. Resta saber como as condições climáticas e econômicas evoluirão ao longo do ano e se os consumidores conseguirão se adaptar a esse novo cenário de mercado.
O Que Esperar para os Próximos Meses?
Com a continuidade das pressões inflacionárias, é possível que a ruptura no varejo continue a subir, principalmente em relação aos alimentos essenciais.
Para os consumidores, o desafio será se adaptar ao aumento nos preços e à escassez de produtos, enquanto o governo e o setor varejista terão que buscar soluções para melhorar a oferta e controlar a inflação.
