Os preços dos combustíveis encerraram junho em queda na maior parte do Brasil, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). O principal destaque foi o etanol, que apresentou redução em 24 estados e no Distrito Federal, impulsionado pela maior oferta da safra e pelo crescimento da produção de etanol de milho.
Etanol, gasolina e diesel recuaram em junho, aponta pesquisa
Etanol, gasolina e diesel ficaram mais baratos em junho. Veja os preços médios por região, estados e o que explica a queda.
Além do biocombustível, gasolina e diesel também registraram recuos ou estabilidade na maioria das unidades da federação, trazendo um alívio para motoristas, empresas de transporte e setores que dependem diretamente dos custos logísticos.
O movimento reforça uma tendência observada ao longo das últimas semanas, marcada pelo aumento da disponibilidade de combustíveis e pela maior competitividade do etanol frente à gasolina.
Leia mais:
Dólar termina o semestre em R$ 5,16; veja as perspectivas para 2026
Quanto custaram gasolina, etanol e diesel em junho

Os preços médios nacionais ficaram assim:
- Etanol: R$ 4,35 por litro
- Gasolina: R$ 6,80 por litro
- Diesel comum: R$ 6,98 por litro
- Diesel S-10: R$ 7,22 por litro
Embora as reduções tenham ocorrido em praticamente todo o país, os valores continuam variando significativamente entre estados e regiões, refletindo fatores como distância das refinarias, logística de distribuição, tributação estadual e características do mercado local.
O que explica a queda do etanol
Segundo a Edenred Ticket Log, a principal razão para a redução dos preços do etanol foi o aumento da oferta no mercado interno.
Entre os fatores que contribuíram para esse cenário estão:
Safra recorde de cana-de-açúcar
O avanço da safra ampliou significativamente a produção de etanol hidratado, aumentando a disponibilidade do combustível nos postos.
Crescimento do etanol de milho
Outro fator importante foi a expansão da produção de etanol de milho, especialmente nos estados do Centro-Oeste, que vêm ampliando sua capacidade industrial nos últimos anos.
Essa combinação elevou a oferta nacional e aumentou a concorrência no mercado, pressionando os preços para baixo.
Segundo Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade, esse cenário fortalece a competitividade do biocombustível diante da gasolina e amplia sua participação na matriz energética brasileira.
Mato Grosso liderou a maior queda do etanol
Entre todos os estados, Mato Grosso registrou a maior redução do preço do etanol em junho.
O combustível passou de:
- Maio: R$ 4,47 por litro
- Junho: R$ 4,13 por litro
A queda foi de 7,61%, a maior do país.
O estado é um dos principais produtores brasileiros tanto de cana-de-açúcar quanto de milho, o que contribui diretamente para uma oferta elevada e preços mais competitivos.
Gasolina também ficou mais barata
A gasolina apresentou queda ou estabilidade na maior parte do território nacional.
O preço médio nacional fechou junho em R$ 6,80 por litro, resultado influenciado principalmente pela redução observada em diversos estados.
O Amazonas registrou a maior queda mensal da gasolina, com redução de 3,66%, mostrando que o movimento de baixa não ficou restrito às regiões produtoras de etanol.
Diesel acompanha tendência de redução
O diesel também encerrou junho em queda.
Os preços médios foram:
- Diesel comum: R$ 6,98
- Diesel S-10: R$ 7,22
As maiores reduções ocorreram em:
- Diesel comum: Alagoas (-7,61%)
- Diesel S-10: Amazonas (-3,35%)
A redução beneficia especialmente o setor de transporte rodoviário, responsável pela maior parte da movimentação de cargas no Brasil.
Diferenças de preços entre as regiões
Mesmo com a queda nacional, os preços continuam bastante diferentes entre as regiões brasileiras.
Região Norte
A Região Norte apresentou os maiores preços médios do país:
- Diesel comum: R$ 7,65
- Diesel S-10: R$ 7,65
- Gasolina: R$ 7,23
- Etanol: R$ 5,35
Os custos elevados estão relacionados principalmente às maiores distâncias logísticas, menor oferta em alguns mercados e desafios no transporte dos combustíveis.
Região Sul
O Sul registrou os menores preços médios para combustíveis fósseis:
- Diesel comum: R$ 6,46
- Diesel S-10: R$ 6,75
- Gasolina: R$ 6,56
A combinação de infraestrutura logística e maior concorrência ajuda a manter os preços mais baixos.
Sudeste
O Sudeste apresentou o menor preço médio do etanol do país.
O combustível fechou junho em R$ 4,21 por litro, seguido pelo Centro-Oeste, com média de R$ 4,25.
A região concentra parte significativa da produção nacional de cana-de-açúcar, fator que contribui para valores mais competitivos.
Estados com os maiores e menores preços
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
Entre os destaques estaduais, alguns mercados chamaram atenção pelos extremos registrados.
Maiores preços
Roraima apresentou alguns dos combustíveis mais caros do Brasil:
- Diesel comum: R$ 8,36
- Diesel S-10: R$ 8,28
- Gasolina: R$ 7,82
Menores preços
Os menores valores médios ficaram distribuídos entre diferentes estados:
- Diesel comum: Paraná (R$ 6,34)
- Gasolina: Rio Grande do Sul (R$ 6,43)
- Etanol: São Paulo (R$ 4,02)
No caso paulista, o preço do etanol caiu 4,74% em relação ao mês anterior.
Vale a pena abastecer com etanol?
A queda dos preços reforça a competitividade do etanol em diversas regiões do país.
Na prática, muitos motoristas utilizam a regra dos 70% para decidir entre gasolina e etanol. Se o preço do etanol representar até cerca de 70% do valor da gasolina, normalmente ele tende a oferecer melhor custo-benefício para veículos flex.
Entretanto, essa relação pode variar conforme o modelo do automóvel, a eficiência do motor e as condições de uso. Veículos flex mais modernos, por exemplo, conseguem obter desempenho mais eficiente com etanol do que modelos antigos.
Além do preço, o etanol oferece vantagens ambientais
Além da economia, o etanol é considerado um combustível renovável e apresenta menor emissão de gases de efeito estufa quando comparado aos combustíveis fósseis.
Segundo estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e do programa RenovaBio, política nacional voltada à expansão dos biocombustíveis, sua utilização contribui para reduzir a intensidade de carbono da matriz energética brasileira.
Esse fator tem ampliado sua importância tanto do ponto de vista ambiental quanto econômico.
O que esperar para os próximos meses

A continuidade da safra de cana-de-açúcar e a expansão da produção de etanol de milho indicam que o mercado poderá permanecer abastecido ao longo dos próximos meses.
No entanto, os preços dos combustíveis também dependem de outros fatores, como:
- cotação internacional do petróleo;
- variação do dólar;
- política de preços das distribuidoras;
- custos logísticos;
- carga tributária estadual;
- oferta e demanda no mercado interno.
Caso esses fatores permaneçam relativamente estáveis, especialistas avaliam que o etanol pode continuar competitivo frente à gasolina durante boa parte da safra.
Conclusão
O levantamento do IPTL mostra que junho foi marcado por uma redução consistente nos preços dos combustíveis em praticamente todo o Brasil. O etanol liderou o movimento de queda, favorecido pela maior oferta da safra e pela expansão da produção de etanol de milho.
Gasolina e diesel também acompanharam a tendência de baixa, ainda que em intensidade menor. Para consumidores e empresas, o cenário representa uma oportunidade de redução nos custos de abastecimento, especialmente em estados produtores e regiões onde o etanol permanece competitivo em relação à gasolina.
INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:
