Os preços do café registraram novas quedas nas principais bolsas internacionais na manhã desta quinta-feira (13), refletindo um movimento de baixa que ganhou força desde o início da semana.
Café mais barato? Nova política tarifária dos EUA faz preço cair 5% e produtor fica em alerta
Preços do café recuam nas bolsas com possível redução da taxação americana e incertezas climáticas. Veja análise completa e projeções para 2026.
O mercado futuro, especialmente sensível a sinais políticos e regulatórios, reagiu imediatamente às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de reduzir a taxação aplicada a produtos agrícolas importados — incluindo o café brasileiro.
Embora a decisão ainda não tenha sido oficializada, a especulação já foi suficiente para provocar ajustes negativos nos contratos futuros, ampliando a volatilidade e reforçando a tendência de pressão sobre as cotações internacionais.
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Impacto das declarações do governo americano no mercado do café
As falas de Donald Trump e o temor de mudança tributária
Durante entrevista concedida na noite de terça-feira (11), Trump afirmou que seu governo avalia reduzir tarifas impostas a algumas culturas agrícolas não cultivadas em território americano. Entre esses produtos estaria o café, amplamente importado de países produtores como Brasil, Colômbia e Vietnã.
A possível retirada do tarifaço, que vinha onerando exportações brasileiras desde 2024, abriu espaço para expectativas contrastantes no mercado:
- por um lado, analistas acreditam que o fim da taxação pode aumentar a competitividade do café brasileiro nos EUA;
- por outro, investidores avaliaram que a medida poderá alterar fluxos comerciais e margens, pressionando contratos futuros no curto prazo.
Sinalização do Tesouro norte-americano intensifica queda
Na sessão anterior, o movimento de baixa foi intensificado após o secretário do Tesouro americano, Bessent, afirmar que haveria “anúncios substanciais nos próximos dias” envolvendo culturas não cultivadas nos EUA — incluindo o café.
Esse tipo de sinalização costuma provocar realinhamentos imediatos nos contratos, pois altera expectativas de demanda, logística e prêmios pagos aos exportadores.
Análise do Escritório Carvalhaes: tarifa pode cair, mas fundamentos continuam frágeis
Retirada da taxação seria positiva, mas não corrige desafios estruturais
De acordo com boletim divulgado pelo Escritório Carvalhaes, a retirada da taxação americana pode ser benéfica tanto para o Brasil quanto para os EUA, mas a medida não muda os fundamentos básicos que sustentam o mercado internacional de café.
O documento destaca:
- incertezas climáticas persistentes no Brasil e em outros países produtores;
- baixa disponibilidade de estoques globais, que continuam muito aquém do ideal;
- colheita frustrada em 2025, que ficou abaixo das projeções iniciais;
- regiões produtoras brasileiras afetadas por fenômenos climáticos, comprometendo o potencial da próxima safra.
Clima continua sendo o principal fator de risco
Segundo o boletim, a combinação de ondas de calor, estiagens, excesso de chuvas e variações bruscas de temperatura já impactou a safra 2025 e deve influenciar também o desempenho produtivo de 2026.
A preocupação maior recai sobre estados que são pilares da produção nacional, como Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia e São Paulo, que enfrentaram irregularidades climáticas desde o final de 2024.
Perspectivas para a safra 2026/27: análise de Rabobank e StoneX
Rabobank projeta excedente global
As primeiras previsões de mercado para a safra 2026/27 mostram que o cenário futuro ainda é incerto e pode contrapor a fragilidade atual dos estoques. O Rabobank estima um superávit global entre 7 e 10 milhões de sacas na temporada 2026/27, impulsionado principalmente pela recuperação da produção de arábica no Brasil.
Segundo a instituição, esse excedente pode reduzir pressões altistas tradicionais, mas não neutraliza totalmente os riscos climáticos presentes no ciclo.
StoneX prevê safra maior, porém abaixo do potencial máximo
A consultoria StoneX divulgou projeções indicando que o Brasil deve colher cerca de 70,7 milhões de sacas em 2026/27 — um aumento de 13,5% em relação ao ciclo anterior.
Composição da estimativa:
- 47,2 milhões de sacas de arábica (+29,3% em relação a 2025/26);
- 23,5 milhões de sacas de robusta (-8,9% na comparação anual).
Apesar de o volume sugerir recuperação significativa, a consultoria destaca que a produção ainda fica abaixo do potencial máximo, que só seria alcançado sob condições climáticas ideais.
Desempenho dos contratos futuros: arábica e robusta em queda
Arábica registra quedas expressivas nos principais vencimentos
Por volta das 9h50 (horário de Brasília), os contratos de café arábica em Nova York operavam com recuos acentuados. Os principais vencimentos apresentavam:
- Dezembro/25: queda de 485 pontos, negociado a 398,80 cents/lbp;
- Março/26: recuo de 440 pontos, cotado a 372,25 cents/lbp;
- Maio/26: queda de 460 pontos, valendo 356,20 cents/lbp.
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As quedas refletem um ajuste técnico, movido pelo receio de mudanças políticas e pela especulação sobre a recomposição da oferta global no médio prazo.
Robusta também opera em baixa
Na Bolsa de Londres, os preços do café robusta seguiam o mesmo movimento:
- Novembro/25: baixa de US$ 240, cotado a US$ 4.392/tonelada;
- Janeiro/26: queda de US$ 21, negociado a US$ 4.345/tonelada;
- Março/26: recuo de US$ 17, valendo US$ 4.268/tonelada.
Mesmo com a demanda resiliente, o robusta sofre pressão após semanas de valorização acumulada, além de ajustes técnicos impostos por fundos e traders.
Como o mercado deve se comportar nos próximos meses
Fatores que podem influenciar novas quedas
O comportamento dos preços ao longo das próximas semanas dependerá diretamente de três fatores principais:
- Confirmação — ou não — da redução de tarifas pelos EUA
Se o tarifaço for revogado, o mercado pode passar por uma fase de volatilidade antes de buscar novo equilíbrio. - Andamento das condições climáticas no Brasil e no Vietnã
Ambos são fundamentais para arábica e robusta, respectivamente. - Atualização das projeções de safra
Caso Rabobank e StoneX confirmem volumes maiores, o mercado pode sentir pressão adicional.
Possíveis movimentos de alta
Apesar do momento de baixa, analistas destacam que ainda há fatores capazes de limitar quedas mais acentuadas:
- estoques globais continuam historicamente baixos;
- preocupações climáticas estão longe de serem resolvidas;
- consumo global segue em trajetória de crescimento moderado;
- exportações brasileiras podem enfrentar gargalos logísticos.
Conclusão: café vive momento de transição, mas fundamentos seguem sensíveis
Os preços do café continuam em queda nas bolsas internacionais, impulsionados pelas expectativas de redução da taxação americana e pelos primeiros sinais de recuperação da oferta para os próximos anos. No entanto, o mercado permanece vulnerável, com fundamentos que envolvem riscos climáticos, estoques apertados e incertezas macroeconômicas.
A possível retirada do tarifaço pode trazer alívio para exportadores e compradores, mas não resolve problemas estruturais da cadeia produtiva.
Enquanto o mundo observa declarações políticas e previsões de safra, produtores brasileiros seguem enfrentando desafios climáticos e necessidades de investimento. A tendência é que o mercado continue volátil, com movimentos rápidos de alta ou baixa conforme novas informações forem divulgadas.
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