O mercado de previdência privada aberta, um dos principais instrumentos de poupança de longo prazo no país, apresentou desempenho mais fraco em 2025. Dados divulgados pela Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi) mostram que, entre janeiro e julho, os aportes somaram R$ 100,5 bilhões. O valor representa uma queda de 11,7% em relação ao mesmo período de 2024.
Previdência privada registra queda nos aportes e alta nos resgates
A previdência privada registrou queda de 11,7% nos aportes e aumento de 15,3% nos resgates entre janeiro e julho de 2025, segundo a Fenaprevi.
Na contramão, os resgates atingiram R$ 89 bilhões, alta de 15,3% na comparação anual. O saldo líquido — diferença entre aportes e saídas — ficou positivo em R$ 11,6 bilhões, o que manteve o setor em crescimento, ainda que em ritmo mais lento.
Patrimônio e relevância econômica

O patrimônio administrado pelo setor alcançou R$ 1,7 trilhão, equivalente a 13,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Esse montante reforça a importância da previdência privada não apenas como alternativa de investimento individual, mas também como fonte de financiamento de longo prazo para a economia nacional.
Leia mais: Previdência privada têm queda de R$ 3,1 bi; confira como isso afeta o investidor
Participantes ativos
Atualmente, 11,2 milhões de pessoas possuem planos. Desse total:
- 8,9 milhões aderiram a planos individuais.
- 2,3 milhões participam de planos coletivos, geralmente oferecidos por empresas como benefício corporativo.
A distribuição dos planos de previdência
O mercado é dividido em três modalidades principais: VGBL, PGBL e os planos tradicionais. Cada modelo possui características próprias em termos de tributação e destinação de recursos.
| Tipo de plano | Quantidade de contratos | Participação no total | Arrecadação até julho de 2025 |
|---|---|---|---|
| VGBL | 8,5 milhões | 63% | R$ 92,1 bilhões (92%) |
| PGBL | 3,1 milhões | 23% | R$ 6,7 bilhões (7%) |
| Tradicionais | 2 milhões | 14% | R$ 1,6 bilhão (2%) |
VGBL lidera com folga
O VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) continua sendo o produto mais procurado, concentrando 63% dos contratos ativos e 92% de toda a arrecadação do setor. Seu atrativo está na simplicidade tributária: no resgate, o imposto incide apenas sobre os rendimentos, e não sobre o valor total acumulado.
PGBL mantém nicho relevante
Já o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) responde por 23% dos contratos e 7% da arrecadação. Apesar de menos representativo, o plano segue atraindo contribuintes que fazem a declaração completa do Imposto de Renda, já que permite dedução de até 12% da renda tributável anual.
Planos tradicionais perdem espaço
Os chamados planos tradicionais, que foram o embrião da modalidade no país, hoje representam apenas 14% dos contratos. A arrecadação em 2025 somou R$ 1,6 bilhão, o que equivale a 2% do total, confirmando a tendência de queda.
Motivos para a queda nos aportes
Contexto econômico
A redução dos aportes reflete o cenário econômico de 2025. Com juros elevados, muitos investidores migraram para alternativas de renda fixa mais líquidas e com menor risco, como títulos do Tesouro e CDBs.
Inflação e orçamento familiar
Outro fator é o aumento do custo de vida, que reduz a capacidade das famílias de realizar contribuições mensais a longo prazo.
Mudança no perfil do investidor
Há ainda uma busca maior por flexibilidade, já que a modalidade, embora segura, tem regras específicas para resgate e tributação.
A alta dos resgates: por que aconteceu?
Os R$ 89 bilhões em resgates, crescimento de 15,3% em relação a 2024, indicam que muitos participantes recorreram à poupança de longo prazo para complementar a renda no curto prazo.
Principais fatores:
- Necessidade de liquidez: famílias retiraram recursos para cobrir despesas imediatas.
- Busca por alternativas de investimento: investidores resgataram para aplicar em produtos de renda fixa com rentabilidade mais alta.
- Momento de realização de ganhos: com parte dos fundos atrelados à renda variável, alguns participantes aproveitaram a valorização de ativos em 2025 para resgatar.
Saldo líquido ainda positivo
Apesar da queda nos aportes e da alta nos resgates, o setor registrou saldo líquido positivo de R$ 11,6 bilhões. Isso significa que, no agregado, ainda houve mais recursos entrando do que saindo.
Esse resultado garante a continuidade da expansão patrimonial do setor, mesmo que em ritmo mais moderado.
Perspectivas para o mercado de previdência
Expectativas para o fim de 2025
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A Fenaprevi projeta que a recuperação dos aportes depende de uma melhora no ambiente econômico, especialmente da queda da taxa básica de juros (Selic).
Tendências de longo prazo
Mesmo em momento de retração, especialistas apontam que a previdência privada seguirá como pilar do planejamento financeiro de milhões de brasileiros, especialmente diante da necessidade de complementar a aposentadoria pública.
O impacto no PIB

Com patrimônio equivalente a 13,7% do PIB, a previdência privada desempenha papel estratégico no financiamento de setores como infraestrutura, mercado de capitais e crédito privado.
Esse efeito multiplicador fortalece a importância do setor não apenas para os investidores individuais, mas também para a economia nacional como um todo.
FAQ – Perguntas frequentes
Qual a diferença entre VGBL e PGBL?
No VGBL, o imposto incide apenas sobre os rendimentos no resgate. Já no PGBL, o investidor pode deduzir até 12% da renda tributável no IR, mas o imposto recai sobre o valor total resgatado.
Por que os aportes caíram em 2025?
A queda está ligada ao cenário de juros altos, inflação elevada e à preferência dos investidores por alternativas mais líquidas.
Os resgates aumentaram por quê?
Muitos participantes precisaram de liquidez imediata ou migraram recursos para outros investimentos, o que levou a um aumento de 15,3% nos resgates.
Considerações finais
A previdência privada no Brasil enfrenta desafios em 2025, com queda de aportes e aumento de resgates. Ainda assim, o saldo líquido positivo e o patrimônio robusto de R$ 1,7 trilhão mostram que o setor segue relevante e resiliente.
Para o investidor, o momento exige cautela e análise criteriosa sobre a melhor forma de diversificar seus recursos, equilibrando liquidez, segurança e rentabilidade.
