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Zuckerberg: Meta mudou estratégia sobre tempo de tela

Zuckerberg depõe em processo histórico sobre vício infantil em redes sociais. Entenda impactos no Brasil.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes5 min de leitura
Meta

O CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, foi ouvido em 18 de fevereiro em um tribunal de Los Angeles, nos Estados Unidos, em um processo considerado histórico sobre o suposto vício de crianças e adolescentes em redes sociais.

A ação judicial envolve a Meta e o Google, além de outras plataformas, e pode abrir um precedente global sobre a responsabilização das big techs pelo impacto de seus produtos na saúde mental de jovens.

O caso ganhou repercussão internacional por discutir se aplicativos como Instagram e YouTube foram deliberadamente projetados para serem viciantes — especialmente para menores de idade.

Leia mais:

Biografia de Mark Zuckerberg

O que está em julgamento nos Estados Unidos

A ação foi movida por uma jovem identificada como K.G.M., hoje com 20 anos. Ela afirma ter desenvolvido ansiedade, depressão e problemas de autoimagem após criar sua primeira conta em redes sociais aos 8 anos.

Meta, Snapchat, TikTok e YouTube são acusados de estruturar seus aplicativos com mecanismos de retenção intensiva, como:

  • Algoritmos de recomendação altamente personalizados
  • Rolagem infinita (infinite scroll)
  • Notificações constantes
  • Recompensas intermitentes por curtidas e comentários

Segundo os autores da ação, esses recursos funcionariam como mecanismos semelhantes aos de caça-níqueis, incentivando o uso compulsivo.

O advogado Mark Lanier comparou o caso às ações movidas contra a indústria do tabaco nos anos 1990, que resultaram em condenações bilionárias por ocultação de danos à saúde.

O depoimento de Zuckerberg

Durante o interrogatório, Zuckerberg lamentou a demora do Instagram em identificar de forma eficaz usuários menores de 13 anos. Pela política oficial da plataforma, crianças abaixo dessa idade não podem criar conta.

Ao ser questionado, afirmou que menores de 13 anos “não têm permissão para usar o Instagram”. No entanto, admitiu dificuldades históricas na verificação etária.

Segundo a imprensa americana, ele não respondeu diretamente qual seria sua mensagem para pais que afirmam que seus filhos foram prejudicados pelas redes.

A defesa das empresas

As empresas argumentam que:

  • Não há consenso científico que comprove “dependência” clínica de redes sociais nos moldes de vícios químicos
  • Elas não podem ser responsabilizadas pelo conteúdo gerado por usuários
  • São protegidas por legislações americanas de liberdade de expressão, como a Seção 230 do Communications Decency Act

Snapchat e TikTok firmaram acordos para encerrar as acusações no caso específico.

O julgamento deve durar semanas e pode influenciar dezenas de ações semelhantes movidas por distritos escolares e procuradores estaduais nos EUA.

O debate sobre saúde mental e redes sociais

O processo se baseia em um argumento central: o design das plataformas é estruturado para maximizar tempo de tela.

Estudos recentes conduzidos por universidades americanas e relatórios internos divulgados nos últimos anos indicam correlação entre uso intenso de redes e:

  • Ansiedade
  • Depressão
  • Baixa autoestima
  • Distúrbios de imagem corporal

Embora correlação não signifique causalidade direta, o tema passou a ser tratado como questão de saúde pública em vários países.

O que isso pode mudar no mundo

Se houver condenação, o resultado pode abrir precedente para:

  • Regulamentação mais rígida sobre design de aplicativos
  • Limitação de algoritmos para menores
  • Exigência de verificação etária mais robusta
  • Multas bilionárias

Países europeus já discutem restrições mais severas. O chanceler alemão Friedrich Merz declarou estar aberto à possibilidade de proibir redes sociais para menores de 16 anos.

A União Europeia já conta com regras de proteção de dados e obrigações específicas para plataformas digitais no Digital Services Act.

E no Brasil: como está a regulação?

No Brasil, o tema também avança. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) já prevê proteção integral a crianças e adolescentes.

Além disso:

  • O Marco Civil da Internet estabelece princípios para uso da internet
  • A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) impõe regras sobre coleta e tratamento de dados de menores

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) já publicou orientações específicas sobre tratamento de dados de crianças e adolescentes.

No Congresso Nacional, projetos de lei discutem:

  • Obrigatoriedade de verificação etária
  • Proibição de publicidade direcionada a menores
  • Responsabilização mais clara de plataformas

O debate brasileiro tende a observar o desfecho do processo americano como referência.

O impacto para pais e escolas

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Independentemente do resultado judicial, o tema já influencia comportamentos no Brasil.

Escolas públicas e privadas vêm adotando:

  • Restrições ao uso de celular em sala de aula
  • Programas de educação digital
  • Orientação a pais sobre limites de tempo de tela

Especialistas recomendam:

Estabelecer regras claras em casa

Definir horários para uso e manter dispositivos fora do quarto à noite pode reduzir riscos.

Acompanhar o conteúdo consumido

Ferramentas de controle parental ajudam, mas o diálogo aberto continua sendo a principal estratégia.

Incentivar atividades offline

Esporte, leitura e convivência presencial ajudam no equilíbrio emocional.

Redes sociais são realmente “viciantes”?

O termo “vício” ainda gera debate científico. A Organização Mundial da Saúde reconhece oficialmente o transtorno de jogos eletrônicos (gaming disorder), mas não há classificação formal específica para redes sociais.

No entanto, especialistas em neurociência apontam que mecanismos de recompensa intermitente ativam sistemas cerebrais semelhantes aos estimulados por jogos de azar.

O foco do julgamento, portanto, não é apenas o tempo de uso, mas o design intencional das plataformas.

Um divisor de águas para as big techs?

Assim como as ações contra a indústria do tabaco transformaram a regulação de cigarros, o processo pode redefinir responsabilidades das empresas de tecnologia.

Caso haja condenação, é possível que o impacto ultrapasse os Estados Unidos e pressione governos, inclusive o brasileiro, a endurecer regras para proteção de menores.

O julgamento pode marcar o início de uma nova era na governança digital global.

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Imagem: Tada Images / Shutterstock.com

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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