O Procon do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) realizou uma série de fiscalizações entre os dias 3 e 7 de novembro de 2025 em supermercados e mercearias de Carangola, Faria Lemos e Fervedouro, todos localizados na região da Zona da Mata mineira. A ação resultou na apreensão de aproximadamente 250 quilos de produtos com irregularidades, além da autuação de diversos estabelecimentos por descumprirem normas de defesa do consumidor.
Fiscalização pesada: Procon apreende 250 kg de alimentos vencidos em supermercados
Procon do Ministério Público de MG apreende 250 kg de produtos irregulares em supermercados de Carangola, Fervedouro e Faria Lemos.
A operação teve como foco principal garantir a segurança alimentar e a transparência nas relações de consumo, apurando denúncias e realizando inspeções de rotina nos comércios locais.
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Produtos vencidos e mal acondicionados foram os principais alvos
Alimentos fora da validade e em condições impróprias para consumo
Entre as irregularidades mais graves identificadas, destacam-se:
- Produtos com data de validade expirada
- Alimentos sem qualquer tipo de identificação
- Itens sem data de fabricação ou vencimento
- Produtos que deveriam estar congelados, mas estavam apenas refrigerados
- Itens mal acondicionados, com embalagens violadas ou danificadas
De acordo com o Procon-MG, essas infrações colocam em risco direto a saúde dos consumidores, uma vez que produtos vencidos ou armazenados de maneira incorreta podem causar intoxicações alimentares, infecções gastrointestinais e outras complicações de saúde.
Falta de precificação e divergência de preços geram autuações
Problemas recorrentes que afetam o direito à informação do consumidor
Outro ponto que chamou a atenção durante a fiscalização foi o descumprimento do direito à informação, previsto no Código de Defesa do Consumidor. Foram encontrados produtos:
- Sem preços visíveis
- Com divergência entre o preço da gôndola e o valor registrado no caixa
- Sem a presença de leitor óptico para consulta de preços
Essas práticas infringem o artigo 6º do CDC, que assegura ao consumidor o direito de receber informações claras, precisas e ostensivas sobre os produtos e serviços oferecidos.
Exemplo de infração: preços diferentes na gôndola e no caixa
Em alguns estabelecimentos, o consumidor era induzido ao erro por promoções visíveis nas prateleiras que não eram aplicadas no momento do pagamento. Em casos assim, a obrigatoriedade legal é de cobrar o menor preço anunciado, o que nem sempre era cumprido.
Infrações administrativas e orientações aos comerciantes
Estabelecimentos autuados poderão responder a processos administrativos
Os estabelecimentos que apresentaram irregularidades foram autuados pelo Procon-MG e poderão responder a processos administrativos, que podem resultar em advertências, multas e, em casos extremos, até interdição temporária das atividades.
O Procon também emitiu orientações aos comerciantes sobre a necessidade de manter:
- Estoques organizados e controlados
- Acondicionamento adequado de perecíveis
- Etiquetagem clara e atualizada
- Leitor de preços disponível ao público
- Treinamento contínuo de funcionários para garantir boas práticas
Objetivo da operação é proteger o consumidor e prevenir riscos à saúde
Procon-MG reforça papel preventivo e educativo da fiscalização
A iniciativa do MPMG não tem apenas caráter punitivo. Segundo os responsáveis pela ação, o objetivo maior é assegurar que os direitos dos consumidores sejam respeitados, além de educar os comerciantes sobre a importância de práticas corretas no manuseio, armazenagem e exposição de produtos.
Prevenção de riscos sanitários
A apreensão de alimentos impróprios visa prevenir surtos de doenças de origem alimentar, que podem se disseminar rapidamente em regiões com menos acesso à saúde pública e fiscalização regular. Ao retirar os produtos contaminados ou vencidos de circulação, o Procon-MG atua diretamente na proteção à saúde da população local.
Municípios fiscalizados: Carangola, Faria Lemos e Fervedouro
Zona da Mata recebe atenção especial do MPMG
Os municípios alvos da operação têm características similares: economia baseada no comércio local, presença de pequenos e médios supermercados, e uma população que depende fortemente desses estabelecimentos para o abastecimento cotidiano.
Segundo o Procon-MG, a escolha das cidades seguiu critérios de demanda por denúncias e necessidade de reforço da fiscalização local.
Como o consumidor pode se proteger e denunciar irregularidades
Dicas práticas para evitar problemas nas compras
O Procon-MG orienta os consumidores a adotarem uma postura atenta e crítica ao fazerem compras em supermercados e mercearias. Algumas recomendações incluem:
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- Verificar sempre a data de validade e o estado da embalagem
- Exigir nota fiscal e guardar o comprovante de compra
- Conferir o preço do produto na prateleira e no caixa
- Denunciar produtos vencidos, mal acondicionados ou com falta de informações
Canais de denúncia disponíveis
As denúncias podem ser feitas de forma anônima e gratuita, pelos seguintes canais:
- Aplicativo MPCon (disponível para Android e iOS)
- Site do Procon-MG
- Telefones locais dos Procons municipais
- Presencialmente nas unidades regionais
O consumidor é peça fundamental para o funcionamento das ações de fiscalização. As denúncias recebidas são investigadas e podem gerar ações imediatas, como ocorreu nessa operação.
Legislação e penalidades para infratores
Base legal das ações do Procon
A fiscalização está respaldada principalmente pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990) e por normas complementares da ANVISA, Ministério da Agricultura e Procons estaduais. Entre os artigos mais frequentemente aplicados estão:
- Art. 6º – Direito à informação e proteção à saúde
- Art. 31 – Ofertas devem ser claras e verdadeiras
- Art. 39 – Proíbe práticas abusivas
- Art. 18 – Responsabilidade por vícios de qualidade ou quantidade
Estabelecimentos que descumprem essas normas podem receber multas que variam de R$ 600 a R$ 10 milhões, dependendo da gravidade, reincidência e porte da empresa.
Procon-MG deve intensificar fiscalizações até o fim do ano
Ações preventivas ganham força com a proximidade das festas
Com a chegada da alta temporada de consumo — Natal, Ano Novo e férias escolares — o Procon-MG anunciou que pretende ampliar as operações de fiscalização em todo o estado.
A expectativa é garantir que o aumento da demanda nos supermercados não comprometa a segurança, a qualidade e o direito do consumidor, especialmente nas regiões mais afastadas dos grandes centros urbanos.
Imagem: Divulgação / Procon Uberlândia
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