A Fazenda de café que produz o produto classificado como “premium”, vendido a R$ 112 o quilo, foi autuada por trabalho escravo. Em julho de 2022, sete trabalhadores em situação análoga à escravidão, nessa fazenda, foram resgatados pela fiscalização de um órgão vinculado ao Ministério do Trabalho e Emprego, o Gmóvel (Grupo Especial de Fiscalização Móvel).
Produtor de café que custa R$ 112 é autuado por trabalho escravo
Ministério do Trabalho e Emprego autua produtor de café que custa R$ 112 por trabalho escravo. Entenda o caso.
Contudo, em recente publicação feita nas redes sociais, o dono da Fazenda Klem disse que a situação teria se tratado da invasão de ‘supostos trabalhadores’ e de uma falsa narrativa de ‘trabalho escravo’.
Empresa de café Klem Orgânicos é autuada por trabalho escravo
Conforme a reportagem especial do jornalista do “Folha de S.Paulo”, Leonardo Augusto, as fazendas localizadas em Minas Gerais teriam sido cenário da exploração de grupo de trabalhadores. Segundo o jornal, o Gmóvel teria realizado o resgate de sete trabalhadores e trabalhadoras, todos da Bahia, no município de Manhumirim, em julho de 2022.
O depoimento do grupo resgatado da situação de trabalho escravo destacava as condições em que os homens e mulheres foram expostos. Banheiro sem descarga, esgoto a céu aberto próximo ao alojamento, falta de ferramentas e equipamentos de proteção e alimentação, entre outras situações.
Segundo informações da fiscalização, os trabalhadores não passaram por exame médico admissional, além de não terem recebido pagamentos entre o dia 21 de junho e 6 de julho, dia do resgate.
Empresa se pronuncia sobre caso
Na última terça-feira (14), por meio de nota de esclarecimento publicada no Instagram, a Klem Orgânicos falou sobre o caso. A empresa apontou que os fatos narrados na reportagem do jornalista Leonardo Augusto “não retratam acontecimentos e situações sucedidas na prestação de serviço de colheita de café”.
O comunicado afirma que a Klem Orgânicos foi surpreendida pela reportagem em que a empresa foi acusada de trabalho escravo. Confira trechos da publicação:
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“Recebemos, recentemente, algumas perguntas em relação à fiscalização ocorrida em julho de 2022. Menos de 24 horas após recebermos o e-mail com perguntas, a reportagem foi publicada, de forma completamente unilateral, com informações tendenciosas e incompletas. Não é isso que um jornalismo sério deve fazer. Inicialmente, destaca-se que os fatos narrados na reportagem, além de ardilosos, não retratam acontecimentos e situações sucedidas na prestação de serviço de colheita de café… Diferente de todos os outros casos de identificação de trabalho análogo à escravo, não se tratava de operação conjunta, mas, diferente disso, feita por UM ÚNICO AUDITOR DO TRABALHO. Ou seja, diferente do que está na reportagem, não se tratava de um grupo, mas, de um único servidor… Apesar de ter ocorrido uma fiscalização pelo Ministério do Trabalho, o procedimento administrativo ainda está em curso, sem qualquer condenação definitiva de qualquer irregularidade”, diz a nota.
A empresa ainda afirmou conceder aos seus trabalhadores os equipamentos de proteção para realização dos trabalhos. A Klem disse ainda que o alojamento dos funcionários estava em “ótimas condições”. Ademais, o pronunciamento completo pode ser conferido no Instagram da Klem Orgânicos.
No entanto, o caso foi confirmado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que autuou a Klem por trabalho escravo. Segundo o representante do ministério, Maurício Krepsky, a empresa foi multada por 15 infrações, o que pode equivaler de R$400 até R$20 mil.
Imagem: freedomnaruk/ Shutterstock
