Na tarde desta quarta-feira (4), centenas de professores da rede estadual de Pernambuco tomaram as escadarias da Assembleia Legislativa (Alepe), no Recife, para exigir a votação do Projeto de Lei Complementar nº 2968/2025. O texto garante o reajuste salarial para cerca de 70 mil trabalhadores da educação e representa o resultado de meses de negociação entre o governo estadual e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe).
Professores protestam por reajuste em Pernambuco; impasse segue na Assembleia
Professores de Pernambuco cobram reajuste salarial e pressionam Alepe em meio a embate político.
Convocada de forma emergencial pelo sindicato, a mobilização teve o formato de uma assembleia aberta. Os educadores protestaram contra a paralisação da tramitação do projeto na Alepe, que havia avançado na Comissão de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ) um dia antes, mas foi travado antes de chegar ao plenário.
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O impasse político por trás do atraso

A paralisação não está relacionada a questões técnicas ou jurídicas, mas sim a uma disputa política. Um braço de ferro entre a base do governo Raquel Lyra (PSDB) e a oposição, especialmente a bancada do PSB, tem impedido a pauta de avançar na casa legislativa.
A governadora, que foi eleita rompendo com seu partido anterior e formando uma nova base aliada, enfrenta resistência de ex-aliados que hoje ocupam cadeiras na oposição. A disputa se acirrou ao ponto de afetar a votação de diversas propostas, inclusive a que trata do reajuste dos professores.
Vozes da categoria: indignação com a Alepe
A presidente do Sintepe, Ivete Caetano, criticou com firmeza o cenário de estagnação na Alepe. Para ela, o prejuízo à categoria é resultado direto da disputa de poder travada dentro da casa legislativa.
“Faz 15 dias que a Assembleia Legislativa não vota nenhum projeto porque está nessa queda de braço com o governo. Mas não podemos colocar em risco o reajuste de mais de 70 mil trabalhadores”, reclamou.
A dirigente sindical também questionou a postura dos parlamentares, principalmente os que se ausentaram das sessões decisivas.
“A educação não pode ser bucha de canhão nessa disputa”, afirmou Ivete, que completou sua crítica dizendo: “Eles ganham R$ 30 mil, muito mais que o salário de um professor”.
Segundo ela, a ausência de deputados da base governista foi determinante para o atraso da votação. A indignação dos docentes presentes era visível, com palavras de ordem exigindo respeito e valorização da categoria.
Projeto já aprovado em comissão, mas travado no plenário
Apesar de ter sido aprovado na CCLJ na terça-feira (3), o projeto de lei precisa ainda ser votado em outras comissões e, finalmente, no plenário. A expectativa inicial era de que a aprovação ocorresse de forma célere, uma vez que o conteúdo já havia sido negociado entre sindicato e governo.
O reajuste é uma demanda antiga e visa corrigir defasagens salariais acumuladas ao longo dos últimos anos, além de adequar os vencimentos ao piso nacional da categoria. Para muitos profissionais, o valor atual não condiz com a responsabilidade e a carga de trabalho da docência pública.
Reação dos parlamentares e cenário incerto
Enquanto os professores pressionam, o ambiente na Alepe segue tenso. Deputados da oposição alegam que o governo tem priorizado projetos próprios e fechado o diálogo com a Casa. Já a base aliada acusa os opositores de obstrução sistemática.
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Esse impasse tem comprometido não apenas o projeto dos professores, mas também outras pautas importantes para o estado. O temor do sindicato é que o reajuste acabe sendo engavetado por tempo indeterminado, prejudicando toda a rede estadual de ensino.
O que está em jogo: além do salário

Mais do que uma simples correção nos vencimentos, o reajuste é visto como um sinal de valorização da educação pública. Com o crescimento da evasão escolar, defasagem de aprendizagem e desvalorização dos profissionais da área, o congelamento salarial tem sido um dos principais fatores de desmotivação entre os docentes.
A mobilização desta quarta-feira mostrou a disposição da categoria em lutar pelos seus direitos, mas também escancarou a fragilidade das relações entre Legislativo e Executivo em Pernambuco.
Perspectivas para os próximos dias
Sem consenso entre os deputados, ainda não há data definida para a retomada da tramitação do projeto. O Sintepe afirmou que novas mobilizações podem ocorrer caso o impasse se prolongue. A categoria já discute uma possível paralisação geral.
Enquanto isso, a pressão popular deve aumentar, e a cobrança recairá sobre todos os lados envolvidos. A sociedade observa atenta, especialmente os estudantes e suas famílias, que também sentem os reflexos do descontentamento dentro das salas de aula.
Com informações de: Brasil de Fato
