A tão aguardada reforma tributária começou a sair do papel e já provoca discussões intensas em Brasília. Em abril de 2024, o Governo Federal encaminhou ao Congresso o primeiro projeto de lei que detalha a aplicação prática do novo sistema de arrecadação.
Menos impostos? Essas 18 profissões podem se beneficiar da reforma
Saiba quais profissões terão alíquota reduzida com a reforma tributária e como a mudança impacta os impostos. Confira aqui todos os detalhes!!
Entre os pontos mais comentados, está a previsão de alíquota reduzida para determinadas categorias profissionais. A medida pode representar um alívio financeiro relevante para quem atua em áreas de natureza intelectual, técnica e científica.

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O que muda com a reforma tributária?
Unificação dos tributos e criação do IVA dual
O sistema atual, considerado um dos mais complexos do mundo, será substituído por um modelo mais enxuto. A proposta estabelece a criação de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dividido em duas partes:
- CBS: Contribuição sobre Bens e Serviços, de competência federal;
- IBS: Imposto sobre Bens e Serviços, que substitui os tributos estaduais e municipais.
Com isso, cinco tributos serão unificados: IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS.
Transparência para o consumidor
Uma das principais promessas da nova estrutura é tornar os impostos visíveis na nota fiscal. Atualmente, boa parte dos tributos é embutida nos preços, dificultando a compreensão do que se paga.
Com o novo modelo, será possível saber exatamente quanto de imposto está sendo cobrado em cada transação, seja na compra de um produto ou contratação de um serviço.
Alíquota padrão e exceções
Estima-se que a alíquota geral do novo IVA fique entre 26,5% e 28%, uma das mais altas do mundo. No entanto, para determinadas atividades, o projeto propõe uma redução de 30% sobre essa taxa padrão — um alívio significativo para profissionais autônomos e empresas de pequeno porte.
Quais são as 18 profissões com alíquota reduzida?
Critérios para o benefício
As profissões beneficiadas são aquelas que:
- Exercem atividades intelectuais, científicas, técnicas, artísticas ou literárias;
- Exigem formação especializada;
- São fiscalizadas por conselhos profissionais;
- Estão devidamente regulamentadas por lei.
A justificativa apresentada é que essas atividades não se enquadram no conceito tradicional de prestação de serviço e têm menor elasticidade de preço, além de exigirem altos investimentos em capacitação.
Lista completa das profissões
Segundo o Ministério da Fazenda, as 18 profissões contempladas são:
- Advogado
- Contador
- Médico
- Psicólogo
- Dentista
- Veterinário
- Engenheiro
- Arquiteto
- Economista
- Administrador
- Estatístico
- Atuário
- Bibliotecário
- Jornalista
- Publicitário
- Técnico agrícola
- Técnico industrial
- Profissional da área de artes (música, teatro, artes visuais)
Essas categorias passarão a contar com uma alíquota diferenciada, equivalente a 70% da alíquota padrão do IVA, seja na CBS ou na IBS.
Impactos práticos para os profissionais
Pessoas físicas
Para profissionais autônomos, como advogados, psicólogos e engenheiros, a redução na carga tributária pode tornar os serviços mais competitivos. Isso é especialmente importante para quem atua por conta própria ou como MEI (quando permitido), já que os custos com tributos representam uma parcela significativa da receita.
Pessoas jurídicas
No caso de empresas prestadoras de serviços nas áreas contempladas, a redução da alíquota significa maior margem de lucro, possibilidade de investimentos e até diminuição de preços, o que pode gerar efeitos positivos em toda a cadeia de consumo.
Riscos e críticas
Alguns especialistas alertam que o excesso de exceções pode elevar a alíquota padrão do IVA. Isso ocorre porque, ao reduzir a carga para alguns setores, o governo precisa manter a arrecadação total — o que pode resultar em compensações feitas com aumento de impostos para outras áreas.
Como funcionará a cobrança do novo imposto?
Incidência e recolhimento
O IVA será cobrado na origem, ou seja, no momento em que o bem ou serviço é fornecido. A CBS será recolhida pelo governo federal, enquanto a IBS ficará sob responsabilidade dos entes subnacionais (estados e municípios).
A cobrança será feita por meio de documentos eletrônicos, com regras claras sobre o que deve ser destacado na nota fiscal, incluindo o valor do imposto incidente.
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Créditos e compensações
Um dos principais pilares do novo sistema é o crédito tributário amplo. Empresas poderão abater do que devem ao governo o valor de imposto pago na cadeia anterior. Isso evita a cumulatividade e torna o sistema mais justo.
Etapas de implementação
Transição gradual
A reforma não será implementada de forma imediata. O cronograma prevê uma transição entre 2026 e 2033, com períodos de teste e adaptação tanto para contribuintes quanto para o Fisco.
A expectativa é que, até 2029, o sistema atual e o novo modelo convivam, com as empresas tendo que lidar com ambas as estruturas tributárias.
Prazos importantes
- 2025: aprovação final dos projetos complementares e regulamentações;
- 2026: início da cobrança teste da CBS e IBS com alíquota simbólica;
- 2029: coexistência plena entre o sistema atual e o IVA;
- 2033: extinção definitiva de IPI, PIS, Cofins, ICMS e ISS.
O que dizem os especialistas?
Pontos positivos
- Simplificação do sistema, com unificação de tributos;
- Maior transparência para consumidores e empresas;
- Estímulo à formalização de profissionais e negócios;
- Melhoria do ambiente de negócios.
Pontos de atenção
- Risco de aumento da carga tributária para setores não beneficiados;
- Complexidade na adaptação de sistemas de gestão e contabilidade;
- Possível judicialização de interpretações sobre as exceções.
A proposta de reforma tributária representa uma das mudanças mais profundas no sistema fiscal brasileiro desde a redemocratização. Ao prever uma alíquota reduzida para 18 profissões, o governo busca reconhecer o valor de atividades de caráter intelectual, técnico e científico.
No entanto, a criação de exceções exige cuidado. Se mal calibrada, pode gerar distorções no equilíbrio da carga tributária e onerar os setores que não contam com benefícios. A discussão ainda está em andamento no Congresso, e alterações no texto podem ocorrer.

Para os profissionais contemplados, a medida pode significar mais competitividade, redução de custos e formalização. Já para os consumidores, há expectativa de maior transparência e racionalidade no sistema de cobrança.
O caminho da reforma ainda será longo, mas já sinaliza um novo capítulo na forma como o Brasil arrecada seus tributos. A atenção agora se volta ao Legislativo, que deverá analisar, debater e ajustar os projetos para garantir que a promessa de menos impostos e mais justiça fiscal se torne realidade.
