O governo federal se prepara para anunciar nesta sexta-feira (10) uma nova política habitacional voltada à classe média, com o objetivo de ampliar o acesso ao crédito imobiliário para famílias com renda entre R$ 12 mil e R$ 20 mil mensais — público que, atualmente, não é atendido pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Caixa anuncia 80 mil financiamentos para a classe média em 2026; confira as novas regras
Governo lançará programa habitacional para classe média com recursos da poupança e 80 mil financiamentos pela Caixa em 2026.
Segundo o ministro das Cidades, Jader Filho, a medida deve resultar em 80 mil novas unidades financiadas somente pela Caixa Econômica Federal em 2026, representando um impacto significativo no setor da construção civil e no mercado de habitação urbana.
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Novo programa habitacional: foco em quem ficou de fora
Embora o governo tenha retomado e reformulado o Minha Casa, Minha Vida, com destaque para a chamada Faixa 4, destinada a famílias com renda de até R$ 12 mil mensais, um grande contingente da classe média brasileira ainda permanecia fora do alcance de políticas públicas habitacionais.
A nova iniciativa chega para preencher essa lacuna, mirando famílias com renda superior a R$ 12 mil e que enfrentam dificuldades para acessar financiamentos em condições favoráveis, mesmo tendo estabilidade financeira.
“Essa nova política habitacional vai além da Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida. Ela é voltada a uma classe média que até então não tinha nenhum tipo de apoio ou incentivo”, afirmou Jader Filho no evento Incorpora 2025, promovido pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), em São Paulo.
Caixa Econômica projeta 80 mil novas unidades em 2026
De acordo com o ministro, a Caixa Econômica Federal, principal banco público financiador de habitação no Brasil, deverá viabilizar 80 mil unidades adicionais em 2026, exclusivamente por meio do novo programa.
Esse volume se soma aos milhares de contratos firmados anualmente no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), representando um importante incremento na produção habitacional nacional.
Bancos privados também devem entrar na conta
Embora Jader Filho não tenha detalhado o número total de lançamentos extras esperados, a expectativa é que outras instituições financeiras privadas também participem da iniciativa, ampliando o impacto da política.
Mais informações devem ser divulgadas durante o lançamento oficial do programa, previsto para esta sexta-feira.
Alterações no compulsório da poupança
O grande diferencial da nova política habitacional será a mudança na destinação dos recursos da poupança, hoje restritos por exigência do Banco Central. Atualmente, as instituições financeiras são obrigadas a manter 20% dos depósitos de poupança como recolhimento compulsório.
O que muda com o novo programa?
Segundo Jader Filho, o governo trabalha para reduzir esse percentual, liberando parte dos recursos para o financiamento de moradias voltadas à classe média.
A medida representaria uma injeção significativa de capital nos sistemas de financiamento imobiliário, especialmente para empréstimos com valores acima dos tetos praticados pelo Minha Casa, Minha Vida.
Divisão do uso da poupança: SFH x SFI
Outra frente da proposta é o reajuste na destinação dos recursos captados via poupança, que serão divididos entre:
- 80% para o Sistema Financeiro da Habitação (SFH): destinado a imóveis de menor valor e com subsídios governamentais;
- 20% para o Sistema Financeiro Imobiliário (SFI): usado no crédito para imóveis de maior valor, incluindo o segmento de classe média e alta.
Galípolo e o papel do Banco Central
O ministro Jader Filho mencionou que só com a chegada de Gabriel Galípolo à diretoria do Banco Central houve avanço concreto nas negociações sobre a liberação dos recursos da poupança.
“Sempre cobramos do Banco Central essa liberação dos 20% dos recursos da poupança, e só com a chegada do presidente Galípolo conseguimos avançar nessa conversa”, afirmou.
Por que a classe média precisa de apoio habitacional?

O novo programa reflete uma mudança de postura do governo ao reconhecer que famílias de renda intermediária também enfrentam desafios para comprar imóveis.
Apesar de não se enquadrarem em critérios de baixa renda, muitas dessas famílias não conseguem arcar com as exigências de entrada e as altas taxas de financiamento praticadas pelo mercado privado.
Cenário econômico pressiona a classe média
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Com os juros ainda elevados, mesmo após sucessivas quedas da taxa Selic, e com o encarecimento dos imóveis nos centros urbanos, a classe média vive um apagão de crédito, sem condições de acessar programas subsidiados e sem ofertas atrativas no setor bancário convencional.
O impacto esperado no setor da construção civil
O anúncio do novo programa animou representantes da indústria imobiliária e da construção civil, que apostam na iniciativa como motor para acelerar lançamentos e gerar empregos.
Segundo estimativas da Abrainc, cada 1.000 unidades habitacionais geram:
- 20 mil empregos diretos e indiretos;
- R$ 120 milhões em movimentação econômica;
- Aumento na arrecadação de tributos municipais, estaduais e federais.
Com as 80 mil unidades adicionais da Caixa, o setor já prevê uma movimentação superior a R$ 9 bilhões, considerando apenas a operação do banco público.
Comparação com a Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida
A Faixa 4 do MCMV, anunciada em 2023, atende famílias com renda de até R$ 12 mil, sem subsídio direto, mas com condições facilitadas de financiamento, como:
- Juros reduzidos (em relação ao mercado);
- Prazos estendidos de pagamento;
- Entrada reduzida via uso do FGTS.
Já o novo programa, voltado para quem recebe entre R$ 12 mil e R$ 20 mil, não terá subsídios diretos, mas buscará facilitar o acesso ao crédito via ajuste regulatório e liberação de liquidez.
Expectativas para o lançamento oficial

O lançamento oficial do programa está previsto para esta sexta-feira (10), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da ministra do Planejamento Simone Tebet, do ministro da Fazenda Fernando Haddad e do próprio Jader Filho.
Devem ser apresentados:
- Nome oficial do programa;
- Faixas de renda contempladas;
- Condições de financiamento;
- Participação de bancos públicos e privados;
- Projeções de impacto econômico e habitacional.
Imagem: Freepik/ Edição: Seu Crédito Digital
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