A regulamentação das apostas esportivas no Brasil, sancionada em 2023, trouxe à tona novas discussões sobre o impacto social desse mercado. Um ponto em particular, segundo Francisco Manssur, ex-secretário de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, deveria ser revisto: a permissão para que beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), tenham acesso a apostas. Manssur defende que, para proteger essas pessoas em situação de vulnerabilidade, é necessário proibir ou limitar seu acesso ao mercado de apostas.
Ex-secretário da Fazenda defende proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família e BPC
Ex-secretário da Fazenda defende a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família e BPC, visando proteção social.
Leia mais:
Bolsa Família: Motivos de Bloqueio e Dicas para Evitar Suspensão
A necessidade de proteger os beneficiários do Bolsa Família e BPC

Em entrevista exclusiva à EXAME, Francisco Manssur, uma das figuras centrais na regulamentação das apostas no Brasil, acredita que a regulamentação atual deixou uma importante lacuna: a participação de beneficiários de programas sociais nas apostas.
De acordo com o ex-secretário, cruzar dados entre os programas sociais e as plataformas de apostas seria uma medida eficaz para impedir que essas pessoas, que já vivem em situações de vulnerabilidade econômica, gastem seus benefícios em jogos de azar.
“É uma questão delicada. Precisamos discutir se pessoas que dependem do Bolsa Família ou do BPC para sua subsistência devem ter acesso a apostas. O perfil socioeconômico delas exige uma proteção especial”, afirma Manssur.
A sugestão é que, por meio da tecnologia, o governo possa monitorar e restringir o acesso dos beneficiários a plataformas de apostas, garantindo que os recursos destinados ao sustento dessas famílias não sejam utilizados em atividades que podem agravar sua condição financeira.
Impacto social e o vício em apostas
A expansão do mercado de apostas esportivas no Brasil é inegável. Milhões de reais são movimentados diariamente, com uma grande base de usuários que encontram nas apostas uma forma de entretenimento.
No entanto, esse entretenimento pode rapidamente se transformar em um problema, especialmente para aqueles que estão em situação de vulnerabilidade financeira.
Manssur ressalta que a questão não é apenas moral, mas social. Beneficiários do Bolsa Família e do BPC são pessoas que, muitas vezes, dependem exclusivamente dos benefícios para sobreviver.
Se parte desse dinheiro for usado em apostas, o risco de essas famílias ficarem ainda mais vulneráveis aumenta significativamente.
A regulamentação aprovada em 2023 trouxe avanços, como a proibição do uso de cartão de crédito para apostas, mas ainda há espaço para melhorias, especialmente no que se refere à proteção dos mais vulneráveis.
Como a tecnologia pode ajudar a limitar o acesso
O cruzamento de dados é uma ferramenta poderosa que pode ser usada para proteger os beneficiários dos programas sociais. Manssur sugere que, ao integrar as informações entre o Cadastro Único (CadÚnico), a Receita Federal e as plataformas de apostas, o governo teria como monitorar quem está utilizando recursos do Bolsa Família ou do BPC em jogos de azar.
Essa integração tecnológica já é viável e poderia ser implementada de maneira simples, com ajustes na regulamentação atual. Além disso, a medida também poderia ajudar a identificar e combater o vício em jogos, limitando o acesso daqueles que estão em uma situação financeira mais frágil.
Jogo responsável e a importância da conscientização
Gostou? Siga o Seu Crédito Digital no Google e receba notícias de benefícios, INSS e crédito em primeira mão.
+311 mil seguidores
A regulamentação do setor de apostas trouxe medidas importantes para combater o vício em jogos, como a limitação dos bônus de entrada, amplamente usados para atrair novos apostadores, e a proibição do uso de crédito para apostas. No entanto, Manssur acredita que ainda há muito a ser feito em termos de conscientização e jogo responsável.
Ele defende que as empresas de apostas sejam obrigadas a investir em campanhas de conscientização sobre os riscos do vício em jogos. Além disso, parte dos impostos arrecadados com as apostas deveria ser direcionada para o tratamento e prevenção do vício, algo que já é feito em outros países com mercados regulados de apostas.
Manssur reforça que o combate ao vício deve ser uma prioridade e que as empresas de apostas têm a responsabilidade de garantir que suas plataformas não sejam utilizadas de forma prejudicial pelos jogadores.
Desafios futuros para o mercado de apostas no Brasil
O mercado de apostas no Brasil ainda está em expansão, com novos sites e plataformas sendo lançados a cada ano. Segundo Manssur, a regulamentação desse mercado foi um grande avanço, mas o país ainda enfrenta desafios. Um dos maiores é garantir que as regras sejam cumpridas por todas as plataformas e que o vício seja tratado com a seriedade que merece.
Outro desafio é garantir que as plataformas sejam transparentes e justas com os apostadores. Manssur acredita que o mercado precisa amadurecer e que as empresas de apostas devem adotar práticas mais responsáveis, tanto em relação à publicidade quanto à forma como atraem novos usuários.
Proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família e BPC
A proposta de Francisco Manssur para proibir ou limitar o acesso de beneficiários do Bolsa Família e BPC às apostas é uma medida que visa proteger aqueles que mais precisam. Embora o jogo possa ser uma forma de entretenimento para muitos, para pessoas em situação de vulnerabilidade financeira, ele pode representar um risco enorme.
Manssur acredita que a regulamentação das apostas no Brasil ainda pode ser aprimorada e que essa discussão deve ser levada ao Congresso Nacional. O cruzamento de dados e a criação de barreiras tecnológicas são soluções viáveis para proteger os mais vulneráveis e garantir que os recursos dos programas sociais sejam usados da maneira correta.
Pode ser do seu interesse:
