A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, nesta quinta-feira (22), a proibição imediata da comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso de todas as apresentações dos azeites das marcas Almanara e Escarpas das Oliveiras. A medida está publicada na Resolução nº 1.902, disponível no Diário Oficial da União (DOU).
Anvisa amplia proibição e chega a seis marcas de azeite proibidas em maio
Anvisa proíbe venda de mais dois azeites. Almanara e Escarpas das Oliveiras se juntam a Alonso e Quintas D'Oliveira em lista de marcas vetadas.
Com essa nova determinação, sobe para quatro o total de marcas de azeite com comercialização proibida no Brasil apenas nesta semana. Na última terça-feira (20), a Anvisa já havia vetado os azeites das marcas Alonso e Quintas D’Oliveira.
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Entenda a decisão da Anvisa

A resolução que embasa a medida é baseada em irregularidades identificadas pela fiscalização sanitária, que apontaram adulterações e risco à saúde pública. A Anvisa, órgão responsável por regulamentar e fiscalizar produtos que afetam diretamente a saúde da população, decidiu agir de forma preventiva diante das suspeitas levantadas.
Quais produtos estão proibidos?
Segundo o texto oficial da Anvisa, todos os lotes das marcas Almanara e Escarpas das Oliveiras estão proibidos. Ou seja, independentemente da data de fabricação ou validade, nenhum produto dessas marcas pode continuar no mercado.
As proibições valem para:
- Comercialização
- Distribuição
- Fabricação
- Propaganda
- Uso
A regra vale para todo o território nacional e deve ser seguida por comerciantes, distribuidores e consumidores.
Marcas já vetadas pela Anvisa
Alonso
A marca Alonso foi uma das primeiras a entrar na mira da Anvisa nesta semana. Ela já teve produtos vetados em fiscalizações anteriores, mas agora enfrenta uma proibição mais abrangente. O nome comercial costuma confundir consumidores, já que há um azeite de mesmo nome importado do Uruguai que ainda não foi citado pela Anvisa. No entanto, o azeite vetado parece ser uma versão de origem duvidosa com rótulo semelhante.
Quintas D’Oliveira
Outro nome que passou a figurar na lista negra da Anvisa é o Quintas D’Oliveira. Assim como nos demais casos, a resolução da agência proíbe toda e qualquer atividade ligada à venda, produção ou divulgação dos azeites da marca.
Riscos do consumo de azeite adulterado
A falsificação ou adulteração de azeites não é apenas uma fraude comercial — ela representa um risco direto à saúde. A prática pode envolver a mistura de azeite de oliva com óleos de qualidade inferior, como óleo de soja, milho ou até mesmo parafina, substância imprópria para consumo humano.
Efeitos para a saúde
O consumo de azeite adulterado pode causar:
- Reações alérgicas
- Problemas gastrointestinais
- Intoxicação
- Acúmulo de substâncias tóxicas no organismo
Além disso, o uso contínuo desses produtos prejudica quem consome o azeite por seus benefícios à saúde, como redução do colesterol, combate à inflamação e proteção cardiovascular.
Fiscalizações seguem intensificadas

A Anvisa, em conjunto com o Ministério da Agricultura e com a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vem realizando uma força-tarefa para fiscalizar supermercados, atacadistas e distribuidores em todo o país. As operações incluem análise laboratorial dos produtos suspeitos, além de checagem da documentação de importação e rotulagem.
Histórico de fraudes no setor
O setor de azeites já foi alvo de várias investigações. Azeites irregulares lideram há anos a lista de produtos mais fraudados em solo brasileiro. Desde 2016, diversas marcas já foram recolhidas do mercado após denúncias de fraudes e adulterações. A falta de controle na cadeia produtiva, somada à alta valorização do azeite extravirgem, contribui para a proliferação de produtos falsificados.
O que consumidores devem fazer
Verifique o azeite que tem em casa
Se você tem um dos azeites das marcas Almanara, Escarpas das Oliveiras, Alonso ou Quintas D’Oliveira, suspenda o uso imediatamente.
Recomendações da Anvisa:
- Não consuma os produtos.
- Entre em contato com o Procon da sua cidade.
- Denuncie o estabelecimento que ainda estiver vendendo os produtos.
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Como identificar um azeite de boa procedência
- Verifique a origem: Dê preferência a marcas conhecidas e com procedência clara.
- Avalie o preço: Azeites extravirgens de verdade têm custo mais elevado.
- Leia o rótulo: Informações como acidez, data de envase e país de origem são fundamentais.
- Desconfie de promoções exageradas: Produtos muito abaixo do valor médio de mercado podem ser falsificados.
Impacto para o consumidor e para o mercado
A retirada das quatro marcas do mercado pode afetar o abastecimento temporário em algumas regiões, especialmente em cidades menores onde a fiscalização costuma ser mais branda. No entanto, o impacto maior será sentido na credibilidade do setor e na confiança dos consumidores.
Setor deve se adequar
Fabricantes e importadores que atuam de forma regular exigem medidas mais rígidas para coibir a concorrência desleal dos produtos adulterados. Além disso, entidades como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) reforçam a importância da rastreabilidade e da transparência em toda a cadeia produtiva.
O que acontece com quem descumprir a proibição
A Anvisa alerta que o descumprimento da resolução pode configurar infração sanitária. Supermercados, distribuidores ou fabricantes que insistirem na venda ou exposição dos azeites proibidos estão sujeitos a:
- Multas
- Interdição do estabelecimento
- Apreensão de produtos
- Ações judiciais civis e criminais
Azeite é o produto mais fraudado do Brasil

Segundo dados da própria Anvisa e de organizações de defesa do consumidor, o azeite é o alimento mais fraudado do país. Em muitos casos, o produto é vendido como extravirgem, mas sequer contém azeite de oliva. As fraudes incluem desde a troca do conteúdo até a falsificação de embalagens.
Medidas futuras
A agência estuda a criação de um selo de qualidade nacional para azeites, que atestaria a autenticidade e segurança dos produtos comercializados. Essa medida já é adotada em países como Portugal, Espanha e Itália, que são grandes produtores.
Conclusão
A proibição das marcas Almanara e Escarpas das Oliveiras, somada aos vetos recentes às marcas Alonso e Quintas D’Oliveira, evidencia a necessidade de maior vigilância sanitária e educação do consumidor. O papel da Anvisa é essencial na proteção da saúde pública, mas o consumidor também deve estar atento, exigir qualidade e denunciar irregularidades.
