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Comissão aprova projeto que permite usar o FGTS para comprar armas; entenda o que muda

Comissão da Câmara aprova projeto que autoriza uso do FGTS para compra de armas e munições. Veja quem poderá sacar e quais são os próximos passos.

Bruna MachadoPor Bruna Machado5 min de leitura
FGTS

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pode mudar as regras de utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

A proposta autoriza trabalhadores com saldo disponível a utilizarem parte dos recursos para comprar armas de fogo, munições e acessórios destinados à defesa pessoal.

Apesar da aprovação na comissão, a medida ainda está longe de entrar em vigor. O texto precisa passar por outras etapas no Congresso Nacional antes de se transformar em lei.

Entenda como funciona a proposta, quem poderá utilizar o benefício caso ele seja aprovado e quais são os próximos passos da tramitação.

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O que prevê o projeto aprovado

fgts
Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O Projeto de Lei 3824/2025 autoriza trabalhadores com conta ativa no FGTS a sacar recursos do fundo para custear:

Compra de arma de fogo

O saque poderá ser utilizado para adquirir uma arma legalizada destinada à defesa pessoal.

Compra de munições

Além da arma, o projeto também inclui a possibilidade de comprar munições compatíveis com o armamento adquirido.

Acessórios essenciais

O texto prevê ainda a utilização do FGTS para aquisição de equipamentos considerados indispensáveis para a guarda segura da arma, como cofres e dispositivos de armazenamento.

O valor liberado ficará limitado ao custo desses itens, não sendo permitido sacar quantias superiores ao necessário para a compra.

Quem poderá utilizar o FGTS

Caso a proposta seja aprovada em definitivo, somente poderão utilizar essa modalidade de saque trabalhadores que cumprirem todas as exigências legais.

Entre elas estão:

Ter registro ativo no FGTS

O trabalhador deverá possuir conta vinculada com saldo disponível.

Possuir autorização para compra

Será obrigatória a apresentação da documentação exigida pela legislação brasileira para aquisição legal de arma de fogo.

Também será necessário comprovar regularidade junto aos sistemas nacionais de controle de armas.

Realizar o saque apenas uma vez por ano

O projeto estabelece que a retirada poderá ocorrer anualmente, sempre no mês de aniversário do trabalhador.

Como funcionará o saque

A proposta determina que o saque não será automático.

O trabalhador deverá solicitar a retirada do dinheiro apresentando a documentação exigida.

Após a eventual aprovação da lei, caberá ao Conselho Curador do FGTS regulamentar os procedimentos operacionais em até 90 dias.

Somente após essa regulamentação será possível conhecer detalhes como:

  • documentos exigidos;
  • forma de solicitação;
  • limites operacionais;
  • procedimentos de fiscalização.

Qual é a justificativa da proposta

Segundo o autor do projeto, deputado Marcos Pollon (PL-MS), muitos trabalhadores enfrentam dificuldades financeiras para adquirir legalmente equipamentos destinados à proteção pessoal.

Na justificativa da proposta, ele afirma que permitir o uso do FGTS ampliaria o acesso ao direito de legítima defesa para cidadãos que atendam às exigências legais.

O relator da matéria na Comissão de Segurança Pública, deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), apresentou parecer favorável.

Durante a votação, argumentou que ambientes onde existe maior possibilidade de reação legítima podem contribuir para aumentar o risco percebido por criminosos, o que, segundo sua avaliação, poderia funcionar como fator de prevenção.

A proposta já está valendo?

Não.

Essa é uma das principais dúvidas dos trabalhadores.

A aprovação ocorreu apenas na Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados.

Isso significa que nenhuma regra do FGTS foi alterada até o momento.

Enquanto o projeto não concluir toda a tramitação legislativa e não for sancionado, continuam valendo apenas as modalidades de saque já previstas na legislação.

Quais são os próximos passos

O projeto ainda será analisado por outras comissões da Câmara dos Deputados:

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Comissão de Trabalho

Os parlamentares avaliarão os impactos da proposta sobre as relações trabalhistas e o próprio FGTS.

Comissão de Finanças e Tributação

Será analisado o impacto financeiro da medida sobre o fundo.

Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania

A CCJ verificará se o projeto respeita os princípios constitucionais e a técnica legislativa.

Caso seja aprovado em todas essas etapas, o texto poderá seguir para apreciação do Senado Federal.

Se os senadores também aprovarem a proposta, ela ainda dependerá da sanção presidencial para virar lei.

O que muda para o trabalhador, se a proposta for aprovada

Se todas as etapas forem concluídas com aprovação, trabalhadores que cumprirem os requisitos legais poderão utilizar parte do saldo do FGTS para custear a aquisição de armas de fogo destinadas à defesa pessoal.

Isso representaria uma nova modalidade de saque do fundo, diferente das já existentes, como:

  • saque-aniversário;
  • compra da casa própria;
  • demissão sem justa causa;
  • doenças graves;
  • aposentadoria;
  • calamidade pública.

Mesmo assim, o saque continuaria condicionado às regras específicas previstas em lei e à regulamentação do Conselho Curador do FGTS.

Ainda há possibilidade de mudanças

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Sim.

Projetos de lei podem sofrer alterações durante a tramitação no Congresso Nacional.

Deputados e senadores podem apresentar emendas, modificar dispositivos ou até rejeitar integralmente a proposta.

Por esse motivo, o texto aprovado pela Comissão de Segurança Pública ainda não representa a versão definitiva da futura lei.

Quem acompanha o tema deve observar a evolução da tramitação antes de considerar qualquer mudança nas regras de utilização do FGTS.

Considerações finais

A aprovação do Projeto de Lei 3824/2025 na Comissão de Segurança Pública representa apenas uma etapa do processo legislativo.

Caso avance nas demais comissões, seja aprovado pela Câmara e pelo Senado e receba sanção presidencial, o texto poderá criar uma nova possibilidade de saque do FGTS para trabalhadores que desejem adquirir armas de fogo, munições e acessórios para defesa pessoal, desde que cumpram todas as exigências legais.

Até lá, porém, nada muda para os trabalhadores. As regras atuais do FGTS permanecem em vigor, e qualquer nova modalidade de saque dependerá da conclusão de todo o processo legislativo e da regulamentação pelo Conselho Curador do fundo.

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Bruna Machado

Autor

Bruna Machado

Bruna Cassana é gaúcha, natural de Pelotas, e atua como redatora no Seu Crédito Digital. Curiosa por natureza, está sempre conectada às tendências da web e às principais novidades sobre finanças, benefícios sociais e tecnologia. Com olhar atento às transformações digitais e linguagem acessível, Bruna contribui para informar e orientar leitores em decisões do cotidiano.

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