A Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (29), um projeto de lei que proíbe a adoção do horário de verão em todo o território nacional, consolidando o fim de uma prática suspensa desde 2019.
Horário de verão proibido no Brasil: Câmara aprova projeto de lei
A Comissão de Minas e Energia aprovou projeto que proíbe o horário de verão no Brasil, exceto em crises energéticas. Texto segue para análise da CCJ.
O texto, relatado pelo deputado Otto Alencar Filho (PSD-BA), unifica o PL 397/07 e outros nove projetos apensados que tramitavam desde 2007. A decisão estabelece que a medida só poderá ser aplicada em situações de crise energética, quando for necessário equilibrar a oferta de energia elétrica.
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Histórico do horário de verão no Brasil

Origem e propósito
O horário de verão foi adotado no Brasil pela primeira vez em 1931, durante o governo de Getúlio Vargas, com a intenção de economizar energia elétrica.
A lógica era simples: ao adiantar os relógios em uma hora entre outubro e fevereiro, a população aproveitaria mais a luz natural, reduzindo o consumo de energia no início da noite.
Suspensão em 2019
Em 2019, no governo Jair Bolsonaro, a prática foi suspensa após estudos mostrarem que os ganhos energéticos se tornaram irrelevantes. Mudanças nos hábitos da população, o aumento do uso de aparelhos de ar-condicionado e a modernização do sistema elétrico tornaram a medida obsoleta.
Motivos para a proibição definitiva
Impactos na saúde
Um dos pilares do relatório foi o efeito do horário de verão na saúde da população. Pesquisas indicam que a mudança no relógio pode causar:
- Insônia e sonolência diurna;
- Cansaço excessivo;
- Maior risco de arritmia cardíaca, como fibrilação atrial;
- Aumento de internações por problemas cardiovasculares nos dias subsequentes à alteração.
O relator Otto Alencar Filho destacou que “o horário de verão trouxe mais prejuízos do que benefícios, especialmente quando se considera o bem-estar da população”.
Economia de energia limitada
Estudos do Ministério de Minas e Energia e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apontaram que a prática deixou de gerar economia significativa de energia. Hoje, o consumo é mais elevado à noite em razão do uso de aparelhos eletrônicos e sistemas de climatização, o que neutraliza o objetivo original da medida.
Exceções em casos de crise energética
Apesar da proibição, o texto aprovado inclui uma cláusula de flexibilidade. Em situações de crise energética grave, o governo poderá decretar a volta temporária do horário de verão.
Essa exceção considera critérios regionais e busca evitar sobrecarga no sistema elétrico, especialmente em momentos de escassez hídrica, quando a geração de energia hidrelétrica é comprometida.
O que diz o projeto de lei
Alterações legais
A proposta modifica dois dispositivos:
- Decreto-Lei 4.295/42: que estabelece regras sobre a hora legal no Brasil;
- Decreto 2.784/13: que permitia ajustes sazonais para otimizar o consumo de energia.
Com a alteração, o horário de verão só poderá ser adotado em condições excepcionais, mediante comprovação técnica de necessidade.
Tramitação em caráter conclusivo
O projeto tramita em caráter conclusivo, o que significa que não precisa ser votado em plenário da Câmara, salvo se houver recurso de deputados. Após análise pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), seguirá diretamente para o Senado Federal.
Impactos esperados com a medida
Na saúde pública
- Redução de casos de distúrbios do sono;
- Menor incidência de problemas cardiovasculares nos períodos de mudança de horário;
- Mais estabilidade no ciclo biológico da população.
No setor energético
- Estabilidade regulatória, já que a prática estava suspensa, mas não havia proibição formal;
- Alinhamento da legislação com a realidade atual do consumo elétrico;
- Manutenção da possibilidade de uso emergencial em momentos de escassez.
Críticas e debates sobre o fim do horário de verão
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Embora a decisão tenha sido bem recebida por especialistas em saúde, setores do turismo e do comércio já manifestaram preocupações.
Argumentos contrários
- Turismo e lazer: empresários defendem que o horário de verão favorecia o aumento de atividades noturnas, ampliando o consumo em bares e restaurantes;
- Percepção cultural: parte da população ainda associa a prática a maior aproveitamento do dia e sensação de bem-estar.
Defesa do relator
O deputado Otto Alencar Filho reforçou que “a medida não pode ser baseada em preferências culturais ou econômicas, mas sim em evidências científicas sobre saúde e consumo de energia”.
Etapas seguintes da tramitação
- Análise pela CCJ – Verificação da constitucionalidade e juridicidade do texto;
- Envio ao Senado – Avaliação pelas comissões temáticas e, possivelmente, pelo plenário;
- Sanção presidencial – Caso aprovado sem alterações, segue para sanção. Se houver mudanças no Senado, retorna à Câmara.
A expectativa é que a proposta seja votada ainda em 2025, sem atrasos significativos.
Linha do tempo do horário de verão no Brasil
- 1931 – Primeira adoção no governo Vargas;
- 1985 – Retorno oficial e aplicação contínua até 2019;
- 2019 – Suspensão após estudos sobre ineficiência energética e impacto na saúde;
- 2025 – Aprovação de projeto de lei para proibir definitivamente, salvo em crises.
Dados técnicos que embasam a decisão

- Estudos do ONS: apontaram economia inferior a 0,5% do consumo total nos últimos anos de aplicação;
- Pesquisas de saúde: registraram aumento de até 10% em internações cardíacas após a mudança de horário;
- Ministério da Saúde: recomenda manter a hora legal estável para reduzir efeitos no sono e no metabolismo da população.
Considerações finais
O fim definitivo do horário de verão no Brasil marca o encerramento de uma prática que, durante décadas, dividiu opiniões. De um lado, a promessa de economia de energia e estímulo ao lazer; de outro, os impactos negativos na saúde e a constatação de que a medida perdeu relevância técnica.
Com a aprovação na Comissão de Minas e Energia e a perspectiva de tramitação rápida na Câmara e no Senado, o projeto de lei busca formalizar o que já era realidade desde 2019: a suspensão da prática.
Ao mesmo tempo, a inclusão de exceções para crises energéticas garante que o país mantenha flexibilidade em situações emergenciais, preservando o abastecimento sem comprometer a saúde da população em períodos normais.
