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Câmara analisa projeto que amplia aposentadoria para segurados do INSS

Projeto de lei propõe retomar a revisão da vida toda no INSS. Veja quem poderá ser beneficiado, como funcionará e o que falta para virar lei.

Vitória MonckesPor Vitória Monckes6 min de leitura
Câmara analisa projeto que amplia aposentadoria para segurados do INSS

A discussão sobre a revisão da vida toda voltou ao centro do debate previdenciário com a apresentação do Projeto de Lei (PL) 3379/2026 na Câmara dos Deputados. A proposta pretende garantir aos segurados da Previdência Social o direito de escolher a regra de cálculo da aposentadoria mais vantajosa, permitindo novamente a inclusão das contribuições realizadas antes de julho de 1994.

De autoria do deputado Ribamar Silva (Pode-SP), o projeto busca alterar a legislação previdenciária para criar um novo direito aos aposentados, após a mudança de entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2024 decidiu que a regra de transição criada em 1999 é obrigatória.

Caso seja aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República, o texto poderá beneficiar milhares de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), principalmente aqueles que tiveram salários mais elevados antes da implantação do Plano Real.

No entanto, a proposta ainda está em fase inicial de tramitação e não produz efeitos imediatos.

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Imagem: Reprodução / Seu Crédito Digital

O que prevê o Projeto de Lei 3379/2026?

O principal objetivo da proposta é permitir que o segurado escolha a forma de cálculo da aposentadoria que resulte no maior benefício.

Na prática, isso significa autorizar novamente a inclusão das contribuições realizadas antes de julho de 1994, retomando o conceito conhecido como revisão da vida toda.

Para isso, o projeto altera dois importantes dispositivos da legislação previdenciária:

  • A Lei nº 8.213/1991, que trata dos benefícios da Previdência Social;
  • A Lei nº 9.876/1999, responsável por instituir o fator previdenciário e estabelecer a regra de transição do cálculo das aposentadorias.

Segundo o autor da proposta, o objetivo é tornar o sistema mais justo para trabalhadores que contribuíram durante muitos anos com salários elevados antes da criação do Plano Real.

O que é a revisão da vida toda?

A revisão da vida toda é uma tese previdenciária que defende a possibilidade de incluir todas as contribuições realizadas ao INSS durante a vida do trabalhador no cálculo da aposentadoria.

Pelas regras atualmente vigentes para os casos abrangidos pela transição de 1999, o cálculo considera apenas os salários de contribuição realizados a partir de julho de 1994.

Isso ocorre porque essa data marca a implantação do Plano Real, quando o sistema previdenciário passou a adotar uma nova forma de atualização monetária dos salários de contribuição.

Para alguns segurados, especialmente aqueles que tiveram remunerações maiores antes de 1994, essa limitação reduziu significativamente o valor do benefício.

A revisão da vida toda surgiu justamente para corrigir essa situação em casos específicos.

Quem poderá ser beneficiado pela proposta?

O projeto estabelece critérios objetivos para a aplicação da nova regra.

Poderão ser beneficiados, caso a proposta seja aprovada:

  • Segurados do INSS que já contribuíam para a Previdência até 28 de novembro de 1999;
  • Trabalhadores que cumpriram os requisitos para aposentadoria antes da Reforma da Previdência de 2019;
  • Beneficiários que tiveram aposentadorias concedidas entre novembro de 1999 e novembro de 2019, desde que atendam às regras previstas na futura lei.

Nem todos os aposentados terão aumento no benefício.

A vantagem dependerá do histórico de contribuições de cada segurado.

Quem concentrou salários mais elevados antes de julho de 1994 tende a ser o grupo potencialmente mais beneficiado.

Revisão seria feita automaticamente pelo INSS

Um dos pontos mais relevantes do projeto é a previsão de revisão administrativa automática.

Se a proposta virar lei, os benefícios enquadrados nas regras seriam recalculados pelo próprio INSS, dispensando que o aposentado apresente requerimento individual.

Essa medida busca reduzir a burocracia e evitar que milhões de segurados precisem ingressar com pedidos administrativos ou ações judiciais para obter a revisão.

Projeto não prevê pagamento de valores retroativos

Apesar da possibilidade de aumento no valor das aposentadorias, o texto estabelece um limite importante.

A proposta não prevê o pagamento dos chamados valores retroativos.

Isso significa que os aposentados não receberiam diferenças referentes aos anos anteriores.

Caso a revisão seja aplicada, o novo valor passaria a valer apenas após a entrada em vigor da futura lei.

Segundo o autor do projeto, essa solução busca equilibrar dois objetivos:

  • Corrigir possíveis distorções no cálculo das aposentadorias;
  • Evitar um impacto financeiro elevado para os cofres públicos.

Na justificativa apresentada, o parlamentar afirma que a medida promove justiça previdenciária sem criar um passivo financeiro excessivo para a União.

O que acontece com quem já entrou na Justiça?

Outro ponto previsto no projeto trata dos segurados que possuem processos judiciais em andamento sobre a revisão da vida toda.

Caso a proposta seja aprovada, esses aposentados poderão desistir da ação judicial e solicitar a revisão diretamente ao INSS pela via administrativa.

Segundo o texto, essa alternativa busca reduzir custos com honorários advocatícios, perícias e despesas processuais, simplificando o acesso ao eventual novo benefício.

Como começou a discussão sobre a revisão da vida toda?

O debate teve origem com a criação da Lei nº 9.876/1999.

Na época, foi instituída uma regra de transição para trabalhadores que já contribuíam com o INSS antes da mudança.

Essa regra determinou que apenas as contribuições realizadas a partir de julho de 1994 fossem utilizadas no cálculo da aposentadoria.

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Embora tenha simplificado os cálculos, ela acabou prejudicando parte dos segurados que possuíam salários elevados antes dessa data.

Com isso, milhares de aposentados recorreram ao Judiciário alegando que deveriam ter o direito de optar pela regra mais vantajosa.

O que decidiu o STF?

A revisão da vida toda passou anos sendo discutida nos tribunais.

Em 2022, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a possibilidade de aplicação da tese para determinados segurados.

A decisão foi considerada uma importante vitória para aposentados que buscavam incluir contribuições anteriores a julho de 1994.

Entretanto, em março de 2024, o STF revisou seu entendimento.

A Corte decidiu que a regra de transição criada pela Lei nº 9.876/1999 é obrigatória, impedindo que o segurado escolha a forma de cálculo mais favorável.

Com essa decisão, a possibilidade da revisão pela via judicial ficou praticamente encerrada.

Foi justamente nesse contexto que surgiu o Projeto de Lei 3379/2026.

Segundo o autor da proposta, cabe agora ao Congresso Nacional criar uma nova regra por meio de alteração legislativa, respeitando a decisão do STF.

O projeto já está valendo?

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Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

Não.

O Projeto de Lei 3379/2026 ainda está em tramitação na Câmara dos Deputados.

Antes de entrar em vigor, ele deverá cumprir diversas etapas do processo legislativo:

Análise pelas comissões

O texto será examinado pelas comissões temáticas da Câmara, que poderão aprová-lo, rejeitá-lo ou apresentar alterações.

Votação na Câmara e no Senado

Após passar pelas comissões, o projeto ainda precisará ser aprovado pelo plenário da Câmara dos Deputados e, posteriormente, pelo Senado Federal.

Sanção presidencial

Se aprovado pelas duas Casas do Congresso, o texto seguirá para sanção ou veto do presidente da República.

Somente após a publicação da futura lei as novas regras poderão produzir efeitos.

Imagem: Reprodução/Seu Crédito Digital

INFORMAÇÕES ATUALIZADAS 2026:

Vitória Monckes

Autor

Vitória Monckes

Vitória Monckes é turismóloga, comissária de voo e futura enfermeira. No Seu Crédito Digital, atua como redatora especializada na tradução clara e acessível de políticas públicas, direitos sociais, previdência, programas assistenciais e medidas econômicas. Sua missão é transformar temas governamentais complexos em conteúdos compreensíveis e úteis para os brasileiros, contribuindo para decisões mais conscientes no dia a dia.

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