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Redes sociais: projeto de lei busca segurança para crianças; saiba mais

Conheça o projeto de lei que reforça a segurança de crianças online e saiba como proteger seu filho no mundo das redes sociais hoje mesmo.

Ellen D'AlessandroPor Ellen D'Alessandro5 min de leitura
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O avanço das redes sociais trouxe oportunidades de comunicação, entretenimento e aprendizado, mas também aumentou os riscos de exploração infantil e exposição a conteúdos inapropriados.

Denúncias recentes de influenciadores explorando crianças em conteúdos sexualizados despertaram atenção nacional, impulsionando o governo federal a enviar um projeto de lei ao Congresso Nacional para regulamentar a atuação das plataformas digitais e proteger crianças e adolescentes.

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Crescimento do problema: crianças e adolescentes vulneráveis online

Mulher segurando um tablet e olhando a tela do celular de uma criança ao seu lado.
Imagem: Reprodução / Freepik

De acordo com dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), 93% das crianças e adolescentes brasileiros entre 9 e 17 anos acessam a internet.

Destes, 83% possuem perfis em redes sociais, e cerca de 30% já interagiram com desconhecidos online. Esse cenário evidencia a exposição precoce e os riscos de abusos, que vão desde cyberbullying até pedofilia digital.

Algoritmos e a amplificação de conteúdos inadequados

Especialistas apontam que os algoritmos das redes sociais contribuem significativamente para o problema. Conteúdos sensacionalistas ou sexualizados geram mais engajamento e são impulsionados automaticamente, ampliando a visibilidade de publicações prejudiciais.

A coordenadora do Netlab da UFRJ, Débora Salles, alerta que as plataformas possuem tecnologia para moderar conteúdos, mas não agem por falta de obrigatoriedade legal.

Impactos psicológicos da exposição precoce

A exposição de crianças a padrões irreais de beleza, comportamentos adultos e sexualização precoce pode gerar ansiedade, depressão, baixa autoestima e dificuldades de socialização. O psicólogo Rodrigo Nejm, do Instituto Alana, destaca que o modelo de negócio das redes transforma a infância em mercadoria, colocando menores em situações de vulnerabilidade e exploração.

Projeto de lei e as medidas propostas pelo governo

Em 13 de agosto de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o envio de um projeto de lei ao Congresso, coordenado pelo Ministério da Casa Civil, com o objetivo de regulamentar as plataformas digitais e responsabilizar empresas por conteúdos criminosos envolvendo crianças.

Principais medidas do projeto

  • Multas de até 10% do faturamento das plataformas em caso de negligência.
  • Fiscalização pela Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) sem necessidade de ordem judicial.
  • Implementação de mecanismos automáticos de detecção de conteúdos abusivos.
  • Inspiração em legislações internacionais, como a União Europeia e a Lei de Segurança Online do Reino Unido.

Base legislativa e colaboração parlamentar

O projeto toma como referência o PL 2628/2022, do senador Alessandro Vieira, que prevê sanções às plataformas que não coibirem conteúdos que erotizem crianças. Na Câmara dos Deputados, um grupo de trabalho liderado por parlamentares como Hugo Motta busca elaborar o texto final em até 30 dias. Além disso, uma CPI no Senado, apoiada por 70 senadores, investiga a exploração infantil online.

Adultização e exploração comercial de crianças

O fenômeno da adultização vai além da sexualização. Ele envolve crianças sendo inseridas em responsabilidades e comportamentos típicos de adultos, como a promoção de produtos ou investimentos, muitas vezes para gerar lucro a criadores de conteúdo.

Consequências da adultização digital

  • Pressões estéticas e sociais que afetam o desenvolvimento emocional.
  • Aumento do risco de aliciamento e contato com predadores.
  • Falta de supervisão parental sobre o que é publicado ou consumido online.

Soluções propostas

Especialistas recomendam monitoramento parental constante, educação digital e regulação rigorosa das plataformas para minimizar os riscos.

Papel das famílias na proteção digital

Embora a regulamentação seja essencial, o acompanhamento familiar é igualmente crucial. Débora Salles reforça que as redes sociais não são ambientes seguros, mesmo para conteúdos aparentemente inofensivos, como fotos de brincadeiras.

Recomendações práticas para famílias

  • Acompanhar o que as crianças acessam e publicam.
  • Limitar o tempo de tela para proteger a saúde mental.
  • Ensinar sobre os riscos de interações online com desconhecidos.
  • Utilizar canais de denúncia oficiais, como o Disque 100 e a SaferNet.

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O ministro da Educação, Camilo Santana, também enfatiza a restrição do acesso a redes sociais antes dos 13 anos, seguindo estudos que recomendam atraso na exposição digital. A proibição do uso de celulares em escolas, implementada em 2025, busca reduzir impactos negativos no aprendizado e na socialização.

Avanços legislativos e fiscalização

O governo propõe responsabilização das plataformas sem necessidade de ordem judicial, inspirada em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) de junho de 2025. A ANPD terá papel central na fiscalização, e medidas antitruste devem combater monopólios digitais que dificultam a regulação efetiva.

Inspiração internacional

Leis da União Europeia e do Reino Unido mostram que é possível aplicar multas significativas e exigir protocolos rigorosos de segurança para proteção infantil, servindo como modelo para o Brasil.

Perigos amplificados por algoritmos

redes sociais
Imagem: Twin Design / Shutterstock.com

Relatórios da SaferNet indicam que, em 2024, o Brasil foi o quinto país com mais denúncias de abuso sexual infantil online, com 52.999 casos registrados. Plataformas de mensagens e redes sociais, como o Telegram, são apontadas como canais de circulação de conteúdos ilegais.

Medidas técnicas sugeridas

  • Implementação de filtros automáticos de conteúdos.
  • Verificação de idade rigorosa para novos usuários.
  • Monitoramento contínuo de interações suspeitas.

Educação digital como ferramenta de prevenção

A educação digital é essencial para reduzir riscos e conscientizar crianças, pais e educadores sobre comportamentos seguros na internet. O governo federal lançou em 2023 uma cartilha sobre cidadania digital, destacando a importância de ensinar práticas seguras e estimular denúncias de abusos.

Caminho para um ambiente digital seguro

A proteção infantil online exige esforços integrados entre governo, plataformas, famílias e sociedade civil. O projeto de lei de Lula, aliado à CPI no Senado e ao grupo de trabalho na Câmara, representa um passo importante, mas a pressão social contínua será fundamental para garantir eficácia e rapidez na implementação das medidas.

Imagem: Freepik

Ellen D'Alessandro

Autor

Ellen D'Alessandro

Ellen D'Alessandro é redatora no portal Seu Crédito Digital. Tem 24 anos e cursa Letras – Português e Alemão na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Apaixonada por leitura e séries de TV, alia sua formação acadêmica ao trabalho com produção de conteúdo informativo sobre direitos sociais, economia e temas que impactam o dia a dia do cidadão brasileiro.

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